Inicio » Colunistas » Alberto Sena » Coluna – Casa da Imprensa de MOC compra a linotipo histórica

Coluna – Casa da Imprensa de MOC compra a linotipo histórica

Só falta a Unimontes fazer a parte dela recebendo a máquina no Museu Regional.

A linotipo que corria risco de virar ferro velho está salva. A Casa da Imprensa de Montes Claros, por intermédio da presidente Felicidade Tupinambá, percebeu o perigo de se perder para sempre uma máquina histórica que durante anos foi manuseada pelo linotipista Andrezzo, Anselmo e outros no O Jornal de Montes Claros, e gravou um sem número de notícias no chumbo.

É possível que a linotipo fique no Museu Regional de Montes Claros, da Unimontes, porque “não adianta comprar para colocar em qualquer lugar”, entende Felicidade Tupinambá. Ela tem toda razão. Assim que a Unimontes aceitar receber a linotipo, ela terá um tratamento muito mais digno. A máquina ainda funciona. O próprio Anselmo que a operou no passado estará encarregado de dar um trato nela.

Convidado por Felicidade, Anselmo aceitou a empreitada. “Ele até emocionou com o convite”, disse ela. Com toda a simpatia que lhe é peculiar, Felicidade disse que está esperando concluir os contatos com a Unimontes para dar a notícia “por inteiro”. Como recentemente ouvi o pedido de “socorrooo” da linotipo, e me senti como escrevinhador da crônica cuja repercussão foi enorme – “Uma linotipo histórica pede socorro para não ser vendida ao ferro velho” – me senti no direito de “dar o furo”, para usar expressão cunhada a chumbo na época em que a máquina reinava nas oficinas de todos os jornais impressos até a década de 70.

Um dos que confirmaram o fato de a linotipo ser a mesma utilizada por Andrezzo foi Arnaldo Antônio de Jesus, de Taiobeiras (MG), ex-funcionário do O Jornal de Montes Claros. Ele leu o pedido de socorro da linotipo, pedido feito por intermédio de Viviane Marques Terence, que com toda razão não via o menor nexo deixar desaparecer uma máquina desta importância, com todo valor histórico nela contido, com todos os furos de reportagens que ela gravou no chumbo durante décadas.

LEIA TAMBÉM:   Coluna – Fragmentos Diários; (Aumento e também invento)

“Que saudade dos grandes furos e de ter que refazer toda a primeira página acompanhado do sr. Waldir Senna para ser o primeiro a dar aquela notícia de manchete: “Reunião da Sudene com todos os governadores do Nordeste em MOC”, lembrou ele. E em seguida, Arnaldo convocou “os srs. Garcia, Paulo Braga, Said, Pedro Ricardo, Luiz Ribeiro, Girleno, João Babão, Avilmar “Negritinho”, Falcão, Graça, Genny e demais daquele grande time dos anos 80 e 90 do O Jornal De Montes Claros, onde ficamos até o fim”.

Em mensagem enviada, Arnaldo ressaltou: “… Não sou seu contemporâneo, mais participei ativamente na gráfica do “Mais Lido”, no final dos anos 70 e 80, até o seu fechamento, e esta é sim a máquina do Andrezzo, Milton Ruas e que o Tião Camurça e Zé Branco alimentavam de chumbo e com ela o Garcia “Nezinho” sonhava ser um dia um grande linotipista.

“Que máquina, heim, alimentava de chumbo derretido a 600 graus e cuspia grandes noticias”, ele recordou. Foi num tempo, lembrou, em que “Lazinho Pimenta ficava preocupado com as fotos das suas ninfetas”. E completou: “Passei por está respeitada faculdade onde me formei e aprendi a respeitar e amar, por isso, e muito mais, eu quero participar do resgate da historia do “Mais Lido” e nós vamos salvar está linotipo”, disse enfático.

Como foi noticiado acima, “em primeira mão” – para citar outra expressão daquela época em que as notícias pareciam ter cheiro e peso de chumbo – a linotipo está salva e podemos todos dormir tranquilos. Aproveito a oportunidade para me desculpar com Felicidade Tupinambá por ter dado a notícia antes da conclusão dos contatos com a Unimontes, que, particularmente, aplaudo.

Mas é porque o repórter que insiste em predominar em mim estava o tempo todo me perguntando: “No que deu o caso da linotipo”. Vai que, hoje cedo, mandei uma mensagem para Viviane Marques perguntando. E ela me deu a notícia de que a Casa da Imprensa de Montes Claros havia comprado, por intermédio de Felicidade Tupinambá. Vai daí que o repórter que há em mim quis logo publicar o fato, mesmo ela tendo pedido para deixar para o final. Mas ela não sabia que eu não tenho poder nenhum sobre o repórter que há em mim. Se o repórter que há em mim tem a notícia e eu quiser impedi-lo de publicar, aí a coisa fica feia.

LEIA TAMBÉM:   Coluna do Hesiodo José – Fragmentos Diários (aumento e também invento)

Por Alberto Sena

Alberto Sena
Alberto Sena

Aviso: Nossos editores/colunistas estão expressando suas opiniões sobre o tema proposto e esperamos que as conversas nos comentários de artigos do JORNAL MONTES CLAROS sejam respeitosas e construtivas.O espaço de comentários em nossos artigos é destinado a discussões, debates sobre o tema e críticas de ideias, não às pessoas por trás delas. Ataques pessoais não serão tolerados de maneira nenhuma e nos damos ao direito de ocultar/excluir qualquer comentário ofensivo, difamatório, preconceituoso, calunioso ou de alguma forma prejudicial a terceiros, assim como textos de caráter promocional e comentários anônimos (sem nome completo e/ou email válido).



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *