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Coluna – Aniversário da Lua

Numa linda floresta encantada viviam pequenos e encantados seres, imensurável flora, inimaginável fauna. As águas espelhadas do grande riacho que desfilavam pelo seu interior refletia o movimento das nuvens que brincavam com o vento lá em cima. A paz reinava nas pequenas entranhas onde colônias de insetos saudavam o existir. Pelas relvas orvalhadas lindas flores brotavam de braços abertos ao calor do sol, a cada novo dia borboletas chegava do reino das lagartas desfilando leve sem correr com o tempo. No cair da noite, pirilampos despertavam dos sonhos diurnos e acendiam seus archotes guiando a brisa que para zunir no ouvido da lua, assanhada ela saia robusta da boca da noite sacudindo sua luz amarela, sempre majestosa e ciente que tem magia, a lua se fragmentava mergulhando no grande rio, ao retornar ainda mais viva, seus homéricos fachos feito ouro tentavam invadir o segredo dos arvores que se fechavam dormindo dentro das próprias sombras. Mas um pio de repudio sempre se ouvia daquela direção, pedia privacidade e a lua entendia, era verdade que ali dormiam os pássaros que batalhavam cantantes ao longo de todos os dias, se devem a eles a harmonia musical da floresta e a interpretação de todos os signos misteriosos que moram no sonho dos homens, os pássaros querem dormir a noite, precisavam da sombra, precisam do silêncio. Mas a lua menina faceira entende com sorriso brilhante, dali foi rastrear a estrada alumiando os notívagos que se enamoram da noite, os grilos com seus cri-cris e os sapos com os seus coaches, urutaus, corujas e os morcegos sacudindo a amendoeira. De repente passou uma nuvem, destas boemias que preferem o céu da noite e a lua se escondeu atrás, as estrelas se preocuparam arregalando seus olhinhos em todas as direções, mas nada da lua, ela sabia e nem se movia do lugar, a nuvem corria e ela não se desgrudava, o lobo que se preparava para uivar no alto da montanha se calou, notou a ansiedade das estrelinhas e desceu correndo aquelas pedras escuras, a lua estava traquina e irresponsável, a nuvem ralhou, ela novamente não se moveu fazendo boca de rir. Então a mãe natureza preocupada com família da floresta pediu alto que se antecipassem o dia, mas muitas vozes falaram ao mesmo tempo que não acordasse quem dormia, não tirasse do sonho do néctar dos colibris e abelhas, que não abrisse o botão da roseira sem que as horas tivessem cumprido o seu papel com todos os minutos. A discussão passava dos limites quando o trovão foi acordado. Por medo de uma contenda maior a nuvem se abriu e mostrou onde a lua se escondia, ela que já vinha muito amarela sorriu com palidez tacanha e disse que só estava brincando. Ninguém queria perdoá-la, a mãe natureza mordia os lábios e falava em castigo de ficar brilhando de dia sem ver a noite por tempo de um jabuti andar até o outro lado da serra, a lua pôs-se a chorar e pedir perdão, prometendo ser ainda mais bela se lhe dessem nova chance. Até que seu luar refletido no riacho se converteu para toda a floresta, um clarão feito passagem de cometa mostrou que todos os animais estavam ali batendo palmas para ela, que chorando lágrimas de ouro, lembrou-se de que aquele era o dia do aniversário da vida e ela com seus raios representava a magia do amor, das paixões avassaladoras advindas da poesia da alma. Foi assim o grande dia da lua, aliás, a grande noite da lua onde se encontraram todos os astros do dia.

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso

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