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Adilson Cardoso
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Coluna do Adilson Cardoso – Urucubaca

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Coluna do Adilson Cardoso – Urucubaca

Azarildo nasceu em  em 1968 quando a presidência da republica do Brasil estava nas mãos dos  Generais.  A cidade era Conde de Miribé, extremo norte de Minas Gerais. Por falta de televisão e pano para  calcinha e cueca  nascera em uma família de dez irmãos, o pai lavrador e a mãe biscoiteira, era um dos mais velhos,  depois dele havia  dois para dar-lhe cascudos na careca (cabelo raspado por infestação de piolho). A fama de pé-frio começa ainda na infância, cursava a primeira série, era aniversário da professora,  Azarildo  fora escalado  para dizer  uma mensagem, já que de todos da sala era quem  lia com  mais fluência. De repente uma lufada de vento vindo não se sabe de onde no rigor do sol da seca Mineirana, entra e sopra um quadro da parede que bate na cabeça dela, pobrezinha feliz e emocionada com a homenagem caira sobre o bolo, lá se fora  a alegria da criançada.

Mas ninguém haveria de suspeitar que a urucubaca fosse sombra daquele garoto meigo e simpático. Mas coisas estranhas foram se sucedendo,  No dia das crianças  marcaram um passeio  no parque, Azarildo  estava com  diarréia e não chegara a tempo de ir com os outros no ônibus da escola. Porém  seus soluços de dor por ter perdido a chance de ir ao parque, comovera o tio Carlúcinho que lhe acalentara com uma carona no seu Uno branco. Passaram dois quarteirões, mas na outra  esquina um vendedor de carpetes numa Kombi enferrujada   atravessara  a placa “Pare”  batendo  no carro deles,  Azarildo  ao sentir que ainda vivia não se abatera, Solicitara a  Radio Patrulha que havia feito  a ocorrência para que o levasse ao seu destino, O tio estava mobilizado a espera do socorro. O comandante da operação abriria uma exceção dando aquela carona por se tratar de o dia das crianças. Azarildo estava aflito e agradecido, sentava-se no meio de dois policiais, Finalmente chegaram ao parque, era possível ver a agitação dos seus colegas, musicas infantis, balões voando e um irresistível cheiro de pipoca. Ao descer para  abrir a porta um  soldado fora vitima de  pedrada na cabeça vindo de  moleques que brigavam do lado oposto. O menino pouco se importara com o sangue que escorria do policial, queria apenas se divertir. Ao passar  a catraca de entrada  ouvira gritos de socorro e  a roda gigante  rodando atrás das pessoas que  se espalharam aterrorizados. O gerente do parque explicava a imprensa que não entendia porque fora se soltar daquele modo, havia feito a manutenção preventiva.  Os professores por receio  resolveram sair  para  continuar as comemorações  no clube da escola, La tinha piscina e pebolins  que a turma  adorava. Entraram no ônibus, Azarildo  sentou-se atrás do motorista e ali como muitas crianças costumam, ficara imitando os movimentos do condutor, gira volante para lá, gira para cá até que uma  esquina antes do clube  acontecia um assalto,  com a chegada da policia os ladrões tomaram o ônibus como refém. Na pressa esqueceram o dinheiro do assalto do lado de fora, ao  desceram  para apanhar foram presos. Mas o motorista tomado de euforia levantara as mãos para agradecer aos céus e o ônibus bateu no poste, após passar o susto fora verificado que nenhuma  criança se machucara. O diretor que era Psicólogo vinha acompanhando aqueles curiosos acontecimentos com a presença do garoto, com sutileza chamara a Supervisora em particular;

— Posso até estar enganado, mas existe uma conspiração paranormal que persegue aquele menino! – Disse apontado para Azarildo.

 Decidiram que ele   voltaria para casa  de taxi, suspenderam o clube para se reunirem na escola e tratar a questão. Entregaram brindes e guloseimas a todos, após cantarem os parabéns o garoto azarado  entrara  no taxi olhando para as mãos do motorista e a exemplo do ônibus imitava com seus próprios movimentos. Próximo a sua casa um pedaço de meteorito que voava há milhões de anos luz, caira sobre o capô do carro. O motorista perdera o controle  batendo  no muro. Em 1988  Azarildo  recebera  o prêmio  “ pé-frio” do  ano, brincadeira feita por um jornal de  Minas Gerais. Mas  rendera-lhe algum   dinheiro por entrevistas e uso do seu nome para venda de movéis na Black Friday, “Você não vai querer ser um Azarildo vai? Então venha logo, não deixe para a ultima hora!” Naquele mesmo ano realizara o  sonho de conhecer o grande nome da Constituinte Brasileira,  Ulisses Guimarães, foram varias fotos e videos, inclusive a mais enigmática é a aquela onde ele e Ulisses se abraçam ao lado do helicóptero que levaria o deputado para o fundo do mar. Em setembro de 2000 o New York Times lhe enviara  carta solicitando entrevista, ofereceram uma semana de tudo pago para  estampar o seu  rosto na capa, até alguns dólares foram oferecidos. Negociaram  e um ano depois,  setembro de 2001, Azarildo pisava em solo americano a primeira entrevista ocorrera no dia 02 de setembro e a ultima no dia 05, conforme combinado ele teria até o dia 10 para curtir as purezas e impurezas da terra de Lincoln, se esbaldara com direito a interprete, extasiado se sentia magnata  a ponto de  pedir a mudança  da passagem para o 11 de setembro pela manhã, pois queria levantar-se bem cedo para conhecer as Torres Gemeas, a ultima foto em frente ao grande centro comercial do mundo  fora tirada aproximadamente 07:15 da manhã. Agora não era mais crença infundada, derrubaram os folclores e acreditava-se plenamente que uma nuvem de azar o cercava. Poucas companhias aéreas aceitavam que ele voasse, mas ele entrava na justiça e ganhava o direito, ganhava  direitos morais e assim ia seguindo, fato cabuloso e registrado em vídeo, uma companhia aérea que perdera na justiça o direito de barrá-lo disponibilizara  para quedas aos  seus 350 passageiros, antes que o avião decolasse  ensinara como se quebra  as janelas para saltar. Em  Julho de 2014   tinha  Copa do Mundo no Brasil, um grupo de Jornalistas de Belo Horizonte  lhes oferecia  ingresso com acompanhante para a partida entre Brasil X Alemanha   no Mineirão, porém  com a condição de ele vestir a camisa dos alemães,  tudo certo. Mas um grupo de torcedores brasileiros o encontraram na praça Sete e rasgaram a camisa no seu corpo  o chamando de traidor, Todavia não lhe deixaram nu, deram uma verde e amarela e assim ele viu a partida, empolgado, soprando vuvuzela e tomando chocolate.

Por Adilson Cardoso

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