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Saúde - Uso de remédios é incentivado
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Saúde – Uso de remédios é incentivado

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Saúde – Uso de remédios é incentivado

 

O uso em excesso de medicamentos para transtornos de ansiedade, déficit de atenção e hiperatividade tem aumentado entre crianças e adolescentes, de acordo com o Fórum Sobre Medicalização da Educação e da Sociedade.

Segundo especialistas, diferenças de comportamento e dificuldades de aprendizagem, que podem ser normais na infância, levam pais a buscar tratamento medicamentoso para os filhos. Em muitos casos, eles são incentivados pelas próprias escolas, que colocam o uso de remédios como condição para o aluno frequentar a sala de aula.

Com isso, as vendas de estabilizadores de humor no país, que incluem o Rivotril e a Ritalina, crescem a cada ano, chegando a 1,7 bilhão de doses em 2016, um aumento de 12% em relação ao ano anterior.

“Vemos muitas escolas cobrando dos pais que levem a criança ao médico, para que seja feito o diagnóstico de hiperatividade e déficit de atenção, por exemplo, e a criança comece a tomar o remédio como uma condição para ela continuar a estudar no local”, afirma o psicólogo e doutor em educação César Rota.

“Há também casos em que a escola fiscaliza se os pais deram o medicamento para a criança naquele dia, antes da aula, para garantir que o aluno já chegue mais calmo ou concentrado. Quem deve decidir isso é o médico”, completou o especialista.

Ele orientou uma pesquisa em Montes Claros, no Norte de Minas, que verificou 288 laudos de crianças entre 6 e 10 anos, encaminhadas a um serviço de especialidades médicas da cidade, e que constatou que a dificuldade de aprendizagem foi o principal motivo que levou a busca por ajuda profissional. A maioria das crianças tinha entre 6 e 8 anos, justamente a época em que aprendem a ler e escrever.

“Já vi sala de aula de ensino fundamental com quase metade das crianças com laudo indicando algum tipo de quadro clínico neurológico ou psicopatológico ou algo nessa direção, o que epidemiologicamente é completamente absurdo”, pontuou.

Alternativas. Para a psicóloga e especialista em saúde mental Jureuda Duarte Guerra, existem outros caminhos além da medicação. “É preciso olhar para essa criança, ver do que ela gosta, estar mais junto. Aquele sintoma não é sozinho, tem várias outras razões que devem ser avaliadas em conjunto”, apontou.

No caso da nutricionista Ruth Jéssica, o medicamento não foi necessário. Diagnosticada com dislexia aos 8 anos, ela teve acompanhamento profissional com psicólogos e fonoaudiólogos até o início da faculdade. Hoje, aos 23, é concursada em sua área. “Vejo com bons olhos o acompanhamento profissional, com remédio ou não. Foram eles que me fizeram progredir”, afirmou.

Sala de aula

Lei. Em janeiro, o prefeito Alexandre Kalil (PHS) sancionou uma lei que obriga pais de alunos das redes pública e privada da capital a apresentar a receita médica para o uso de medicamentos durante o horário letivo.
POSIÇÃO

Casos desafiam unidades do Estado

As escolas de Minas Gerais vêm buscando métodos para a melhor adaptação dos alunos com algum tipo de distúrbio, mas há casos que fogem da tônica. A afirmação é do presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Estado, Emiro Barbini, que classifica a situação como delicada.

“O papel das escolas é avaliar o aluno individualmente e encaminhar a um profissional se necessário. O que eu vejo é que as escolas estão encaminhando mais, até pelo maior controle. Vejo também que alguns especialistas preferem o medicamento como solução. Mas, no geral, todos buscam o diálogo para entender o distúrbio e oferecer soluções”, apontou.

Coordenadora de uma creche pública de Belo Horizonte, Conceição Imaculada relatou que a instituição vem buscando métodos para educar a criança de acordo com sua necessidade. “Quando identificamos um aluno com algum transtorno, temos um trabalho contínuo, orientando a família a buscar profissionais. Mas cobramos o diagnóstico depois”, apontou.

Calmante não vem sendo indicado por causar dependência

Muito prescrito no Brasil, o Rivotril está em desuso por causar dependência, de acordo com o psiquiatra da infância e da adolescência Arthur Kummer.

“É um medicamento mais usado em situações muito agudas e com a indicação de ser suspenso o mais rápido possível. Há um problema crônico de longa data no Brasil de prescrição de Rivotril para várias situações, quando há outros medicamentos mais indicados”, afirmou.

Já a indicação de Ritalina varia de acordo com a idade – para crianças de até 6 anos, a psicoterapia é mais recomendada do que o medicamento. “É muito difícil encontrar no Sistema Único de Saúde especialistas que trabalham com psicoterapia, e os médicos acabam prescrevendo o medicamento”, afirmou o psiquiatra.

SAIBA MAIS

Rede municipal. Em nota, a Secretaria Municipal de Educação explicou que “as escolas da rede municipal não indicam uso de medicação e, somente em casos específicos, mediante orientação médica e cópia da receita, podem ministrar medicamentos”.

Estadual. A Secretaria de Estado de Educação disse que “nos casos em que os professores observarem um comportamento diferente no aluno, que porventura esteja interferindo em sua aprendizagem, a orientação é que a escola converse com pais ou responsáveis para que a família dê o encaminhamento necessário”.

As informações são do Portal O Tempo.

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