Como o interior de Minas preparou Lucas Kallas para a mineração
Como o interior de Minas preparou Lucas Kallas para a mineração

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Quando se fala em Lucas Kallas mineração, muita gente pensa só no volume de produção ou nos investimentos em logística. Mas a história começa bem antes, longe dos grandes números. Começa em Passos, no Sul de Minas, na casa e no negócio do avô.

Lucas Kallas nasceu em Belo Horizonte em 1979. Neto de Farid Kallas, imigrante libanês que chegou ao Brasil na virada do século XX e se estabeleceu em Passos. O avô fundou a Kallas Construtora e a Farid Eletrodomésticos. Foi ali, no interior, que o neto passou parte da adolescência. Saiu da capital para morar com o avô e ajudar no dia a dia da loja de eletrodomésticos. Depois, passou a administrar fazendas de café e gado da família.

Essa experiência não foi um estágio formal. Foi trabalho concreto. Lidar com clientes na loja, acompanhar a produção nas fazendas, entender o fluxo de dinheiro e as decisões práticas de quem toca um negócio pequeno. Em algum momento nos anos 2000, a família lhe deu um terreno. Ele urbanizou a área e começou a vender lotes. Foi o primeiro negócio próprio, ainda no setor imobiliário.

A passagem pelo imobiliário ensinou algo que depois se repetiria em escala maior: transformar um ativo bruto em algo com valor de mercado. Urbanizar, regularizar, vender. O mesmo raciocínio de olhar para um terreno ou uma área e enxergar o que pode ser feito com ela.

As raízes em Passos e o nome Cedro

O nome da holding que viria a criar décadas depois, Cedro Participações, não foi escolhido por acaso. É uma referência ao cedro do Líbano, árvore ligada à origem da família. Farid Kallas trouxe consigo não só o ofício de comerciante e construtor, mas também uma forma de enxergar o trabalho que o neto absorveu cedo.

Em Passos, o contato com a loja de eletrodomésticos e com as fazendas deu a Lucas uma noção prática de gestão que livros não ensinam. Lidar com fornecedores, com funcionários, com a sazonalidade do café e do gado. Ver o avô tomar decisões no dia a dia. Essa base ficou marcada.

Quando ele saiu de Belo Horizonte ainda adolescente para morar com o avô, a mudança não foi só geográfica. Foi uma imersão no interior de Minas, no ritmo de uma cidade menor e na rotina de negócios familiares. Anos depois, essa experiência reapareceria na forma como ele olhou para as minas no Quadrilátero Ferrífero.

Do imobiliário à primeira mina

O caminho até a mineração não foi linear. Depois do início no imobiliário, veio a fundação da Cedro Participações em 2017. No ano seguinte, 2018, surgiu a Cedro Mineração. A entrada no setor se deu com a aquisição de minas em Nova Lima e Mariana, no coração do Quadrilátero Ferrífero.

Naquele momento, a produção ainda estava longe dos números atuais. O grupo passou a produzir cerca de 7 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. A meta traçada foi chegar a 20 milhões de toneladas anuais, com foco em pellet feed, um minério de maior pureza. Esse tipo de produto permite reduzir em até 50% as emissões de CO₂ na indústria siderúrgica, o que se tornou um ponto central da estratégia.

A transição do imobiliário para a mineração parece um salto grande. Mas há uma lógica comum. Em ambos os casos, o trabalho começa com um ativo que precisa ser desenvolvido. No imobiliário, um terreno. Na mineração, uma jazida. Em ambos, é preciso investir, regularizar, operar e gerar valor. A diferença está na escala e na complexidade técnica, mas a postura de quem olha para o potencial de longo prazo se mantém.

A lógica do longo prazo

Quem começa vendendo lotes em áreas urbanizadas aprende a lidar com prazos longos. Aprovação de projetos, infraestrutura básica, comercialização. Na mineração, os ciclos são ainda maiores. Uma mina não se esgota em poucos anos. A infraestrutura logística, como a Ferrovia Serra Azul e o terminal no Porto de Itaguaí, exige investimentos de bilhões e visão de décadas.

O terminal de minério de ferro no Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro, foi conquistado em 2024 com um investimento de R$ 3,6 bilhões. A Ferrovia Serra Azul conecta a região das minas à malha ferroviária nacional. Esses projetos não são apenas complementos da produção. Eles fecham o ciclo da mina ao porto, algo que o grupo trata como parte da mesma lógica de eficiência.

No agronegócio, a mesma abordagem aparece. Projetos de café na Serra do Cabral e áreas na Bahia e no Tocantins. Ativos que exigem paciência e gestão contínua, como as fazendas que Lucas administrou ainda jovem.

O que a experiência no interior deixou

A passagem por Passos e a gestão das fazendas familiares não ensinaram apenas a administrar números. Ensinaram a conviver com a incerteza do clima, com a variação de preços de commodities e com a necessidade de estar presente no dia a dia. Quando a Cedro Mineração começou a operar, essa base prática se mostrou útil.

O grupo fatura R$ 2,5 bilhões por ano. Mantém mais de 60 projetos sociais nas áreas de saúde, educação, cultura e esporte, incluindo a maior creche privada de Minas Gerais. Entre 2023 e 2024, Lucas Kallas integrou o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável. Em 2026, deixou a presidência do Conselho de Administração da Cedro Participações, passando o comando a José Carlos Martins.

Esses números e movimentos de governança são públicos. O que fica menos evidente, mas aparece quando se olha a trajetória completa, é a linha que liga o adolescente que ajudava na loja do avô ao empresário que estrutura um grupo com atuação em mineração, logística e agronegócio.

Da loja de eletrodomésticos à escala industrial

Na loja de eletrodomésticos, o contato era direto com o cliente e com o estoque. Nas fazendas, o contato era com a terra e com o ciclo produtivo. No imobiliário, com a transformação de áreas. Na mineração, com a extração, o beneficiamento e o escoamento de minério de ferro. A escala muda, mas a necessidade de acompanhar de perto o que está acontecendo no chão se mantém.

O foco em pellet feed, por exemplo, não é só uma escolha técnica. É uma decisão que busca posicionar a produção em um segmento de maior valor e menor impacto ambiental na cadeia siderúrgica. A mesma atenção a detalhes que, em escala menor, existia na gestão das fazendas de café e gado.

O papel da infraestrutura

A mineração sozinha não fecha o ciclo. Sem logística eficiente, o minério fica parado. Por isso a Ferrovia Serra Azul e o terminal de Itaguaí entraram no radar cedo. O terminal ferroviário do Bação, em Itabirito, também faz parte desse desenho.

Esses projetos de infraestrutura não surgiram do nada. Eles respondem a uma necessidade prática: escoar a produção de forma competitiva. Quem já lidou com a comercialização de lotes ou com o transporte de produtos agrícolas sabe que o acesso ao mercado é tão importante quanto a produção em si.

A concessão do terminal em Itaguaí, com o volume de investimento envolvido, mostra a dimensão que o grupo alcançou. Mas a origem desse tipo de raciocínio pode ser rastreada até as primeiras experiências de transformar um ativo em algo comercializável.

Comunidade e presença local

Mais de 60 projetos sociais não aparecem por acaso. A maior creche privada de Minas Gerais é um exemplo concreto. A atuação em saúde, educação, cultura e esporte acontece nas regiões onde o grupo opera. Essa presença local tem paralelo com a forma como o avô se estabeleceu em Passos: fazendo parte da cidade, não apenas operando nela.

A mineração em Nova Lima e Mariana, cidades com história ligada ao minério de ferro, exige mais do que eficiência operacional. Exige relacionamento com as comunidades. Os projetos sociais são uma forma de responder a isso.

A base que continua a mesma

A trajetória de Lucas Kallas na mineração não começa em 2018, com a fundação da Cedro Mineração. Começa décadas antes, no interior de Minas, na convivência com o avô Farid, na loja de eletrodomésticos, nas fazendas de café e gado, e depois no imobiliário. Cada etapa deixou uma marca prática: olhar para um ativo, entender seu potencial e trabalhar para desenvolvê-lo.

Hoje o grupo produz cerca de 7 milhões de toneladas de minério de ferro por ano, com meta de chegar a 20 milhões, priorizando o pellet feed. Investe em logística pesada e mantém projetos sociais em escala relevante. A base, porém, continua sendo a mesma que foi construída em Passos e no primeiro terreno urbanizado.

Se você quer conhecer mais sobre a trajetória completa, os projetos em andamento ou a forma como a Cedro Participações estrutura suas operações, explore as outras páginas do site. Conheça a biografia completa e os principais projetos de Lucas Kallas, a história de quem saiu do interior de Minas e chegou ao setor mineral está detalhada em diferentes seções.

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