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Entrevista Wagner Black “Montes Claros me jogou no lixo”

Entrevista Wagner Black “Montes Claros me jogou no lixo”

Entrevista Wagner Black “Montes Claros me jogou no lixo”
Entrevista Wagner Black “Montes Claros me jogou no lixo”

 

Viver de arte no Brasil  é pisar no chão da incerteza. As vezes a inspiração chega, mas não traz o pão a mesa.

O artista ás vezes com sina de sofrer vai passando dificuldades sem ter quem lhe compre o quadro, não paga a conta de luz porquê não tem aonde tocar, desistir é abdicar de um sonho construído sobre brasa ardente, é mostrar que todos os dedos que apontavam para o fracasso precisavam apenas de tempo. Em Montes Claros do Norte de Minas, muitas léguas e morros além do eixo das oportunidades (Rio-São Paulo) a situação é bem pior. Uma atriz premiada ganha a vida como cabeleleira, um Luthier é trocador de ônibus, um Pintor acorda de madrugada para cumprir seu oficio de Padeiro. Senhor Roberto Wagner, mais conhecido como Wagner Black, vocalista da banda Wagner Black e os Desperta Doidos, parou de cantar para sobreviver e até pouco tempo  era o dono de um Sebo (Livros usados) depois de falir, não arregou, montou na bicicleta com uma carroça atrás e foi  catar lixo para reciclar.

Entrevista Wagner Black “Montes Claros me jogou no lixo”
Entrevista Wagner Black “Montes Claros me jogou no lixo”

Adilson Cardoso: Wagner Black ícone da musica Montes Clarense, todo amante do rock dos anos 80 e 90 reverenciam a você, o que foi que não deu certo?

 

Wagner Black: Camarada Adilson Cardoso, o que não deu certo pra mim, é o que não deu e não dá pra muitos sonhadores. Se acredita muito, investe em sonhos, mas o poder público  está pouco se lixando para a sobrevivência do artista!

AC: Se pudesse voltar no tempo, o que você faria diferente?

 

WB: Diferente o que eu faria, era ter ido embora da cidade quando tive oportunidade. Gente que começou comigo está até fora do Brasil, casa boa, carro e dinheiro no banco. Ou então ter continuado aqui, porém sem me  iludir com musica. Poderia ter fichado  numa empresa e hoje estar mais próximo de uma aposentadoria. Na contra mão  do tempo estou aqui, não ganhei nada com musica, o pouco que tinha ainda tive que investir em aparelhagem, aulas de canto e violão. Resumo, hoje  estou literalmente no lixo.

 

AC: Há magoa com alguém?

WB: Não, individualmente não quero culpar fulano ou cicrano, somente deixar claro que é covarde a maneira de se fazer política cultural aqui, quando é evento beneficiente em espaço de poucos lugares, chama os bestas daqui para tocar de graça, dizendo que precisamos nos unir em prol das causas populares, mas quando é festa de repercussão, evento grande, traz gente a preço de ouro para vir!

AC: O que pensa sua família, sua esposa a respeito?

 

WB: Camarada Adilson Cardoso, esse é um assunto que eu já pedi pra não tocar mais, meus anos de juventude não vão voltar mais, meus planos audaciosos não vão do dia pra noite se transformarem em realidade, melhor fazer de conta que sou aquele cara que sonhei  em ser. Ai eu pedalo minha calanga (bicicleta) pensando que estou dirigindo um Camaro amarelo  e por ai vai.

 

AC: Então, Montes Claros cidade da arte e da Cultura é…

 

WB: Uma piada. Uma arapuca de pegar bestas metidos a artistas  e depois depenar e assar na brasa!

 

AC: Tem um sonho?

 

WB: Tenho claro! Uma hora eu acerto na Mega-Sena e fico de boa!

 

AC: Para finalizar, deixe uma mensagem para os eleitores do Jornal  Montes Claros

 

WB: Meus caros leitores saúde e paz a todo mundo.

 

Por Adilson Cardoso