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Coluna do Pequi Alternativo – Preciosos Sons

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Coluna do Pequi Alternativo – Preciosos Sons

Montes Claros é cheia de diversidades! Só é preciso andar um pouco pela cidade, e estar nos lugares certos, para que qualquer um perceba essa característica incrível, por aqui. Como exemplo, o nosso cenário musical que anda cada vez mais rico, graças aos grupos que vem movimentando a atmosfera musical local. O Abayomi é um dos que nasceram aqui, na cidade. Composto por Alexandre Gonçalves (viola, voz e violão), Amanda Souza (voz), Michele Carneiro e Robson Malungo (percussão), desde 2016, o grupo vem representando, com muita propriedade, a cultura afrodescendente. Nessa primeira entrevista, conversamos com as duas mulheres integrantes do grupo: a Amanda e a Michele. Entre outras revelações, elas nos contam a trajetória do Abayomi e como tem crescido o reconhecimento do público, em Montes Claros e região!
Segundo explicam as integrantes, o nome Abayomi é um conceito da matriz linguística yorubá e significa “aquele que traz felicidade” !“Abay”= encontro e “omi”= precioso.
Portanto, abayomi significa o “encontro precioso” que é representado na figura de uma boneca negra, de tecido ou de miçangas, tipicamente da África do Sul. O conceito foi ressignificação no processo de diáspora, dos escravizados africanos para o Brasil.
Abayomi
Abayomi

 

CONFIRA!
– Como surgiu o Abayomi?
Michele Carneiro: A proposta do Abayomi foi originada, no ano passado, em 2016. O Alexandre Gonçalves, que é o compositor do Cabarét, foi quem “abraçou” esta ideia comigo; e nós pensamos nessa vontade e sentimento de realizar um projeto musical que tratasse a identidade negra, afrodescendente e, principalmente, no nosso Estado, de Minas Gerais.
A partir disso, nós vislumbramos a possibilidade de criar uma formação musical menor, mais condensada onde conseguíssemos tratar com fineza a musicalidade negra, afrodescendente e africana. Aprofundamos a pesquisa de canções e manifestações culturais desta matriz. Então, fizemos o convite a Amanda Souza, cantora, e formamos o Abayomi, um trio.[U1]
A pouco tempo, nós tivemos a honra de receber Robson Malungo somando na percussão, que já possui uma trajetória vasta e bacana na cultura popular mineira e nordestina, principalmente na expressão da cultura negra e afro descendente. Logo, a formação atual do Abayomi é Robson e eu na Percussão e Alexandre fazendo violão e viola e a Amanda Souza na voz. Na última apresentação, tivemos como convidado, André Fernandes fazendo violão de sete cordas, já vislumbrando uma parceria para futuros trabalhos.
– Como vocês se iniciaram na carreira musical?
MC: No Abayomi, atuo como percussionista, mas minha primeira experiência foi com o violão. A principal referência foi meu pai, que toca já há alguns anos. Iniciei meus estudos em centros de cultura da comunidade aonde eu morava. Sou de Belo Horizonte e residia na periferia, na região metropolitana da capital. Estudei a introdução teórica na Fundação Artística e na Fundação Clóvis Salgado de Belo Horizonte e, alguns anos depois, tive acesso ao Centro Cultural Tambolelê que se tornou minha principal referência percussiva, por ser onde adquiri meus primeiros conhecimentos.
Em 2007, mudei para Mariana, interior de Minas, e estudei, no Conservatório, o saxofone (uma paixão que ainda pretendo aprofundar). Este é o primeiro trabalho coletivo que consigo “materializa”! Já tive outras experiências e propostas diferenciadas, mais interativas. Por exemplo, toquei em um bloco de Maracatu, em Mariana e, atualmente, participo também do bloco de Maracatu daqui de Montes Claros, o Famiguê. Inclusive, quem media esse bloco é o Robson, meu atual parceiro de percussão no Abayomi.
Michele Carneiro
Michele Carneiro

 

Amanda Souza:
Bom, eu comecei na minha vida musical na igreja católica. Com 8 anos entrei no coral e fiz um curso bem básico de violão. Aí, passado algum tempo, participei de um projeto, que tem perto da minha casa, das irmãs Sagrada Família; e lá também estudei música com um professor que, acreditando em meu potencial, fez a minha inscrição no Conservatório, no curso de violão. Não passei na prova, mas, no ano seguinte, tentei canto e consegui passar. Estudei canto no conservatório durante 4 anos e depois ingressei na Universidade de Música. A minha experiência com grupos voltados para o Samba, Bossa Nova e MPB foi dentro da Universidade. A primeira formação em que cantei, profissionalmente, levava meu nome; Amanda Souza. Eu contava também com Edson Couto, no violão, Jailton Souza-Sax e a Tati Matos na percussão (no pandeiro mais específico). Preparamos um repertório de samba, e começamos a trabalhar. Até hoje, tenho esse projeto; o Amanda Souza, onde canto samba, bossa nova e MPB, com outros componentes.
No ano de 2016, demos início ao projeto do Abayomi, que é mais voltado para essa linha afro. Além disso, participo do Baile Brazuka uma iniciativa mais focada no choro e sambas. Os meninos fazem o choro instrumental e eu a parte cantada dos sambas.

– O que a música mais ensinou para vocês?

 

MC: Pergunta difícil…. Tenho uma relação muito estreita com a música, desde a minha infância. Ela me transporta para muitos lugares. É o maior aprendizado que eu tenho até hoje! Se relacionam a isso, as múltiplas viagens proporcionadas, e o maior conhecimento sobre identidades culturais. Essa busca, diz respeito também a outros países. Sempre me interessaram, principalmente, a oriental e a africana. Por isso, essa escolha, de construir um trabalho com esse foco, da afro descendência e africana, que é a proposta do Abayomi. Então, o principal que a música me traz é isso; conhecer e respeitar todas essas identidades, essa diversidade e, com isso tudo, também promover um autoconhecimento, uma busca de o que é a minha identidade e do propósito do meu ser nessa caminhada toda.
AS: (Risos…) essas perguntas nos fazem refletir muito sobre a gente, né? Eu acho que a música me ensinou um pouquinho de mim sabe? Foi e é importante porque me faz ir de encontro até mim…Acho que é isso…
– Quais as dificuldades que vocês mais enfrentam no cenário musical montes clarense?
MC: Minha atuação no cenário musical norte-mineiro e de Montes Claros é muito recente. Estou aqui, há dois anos, e alguns meses. O que percebo a partir do momento em que me inseri neste é que há uma desvalorização por parte de uma gestão política cultural em relação às tradições e a toda essa manifestação cultural local/regional, que é muito rica. Trabalho também como educadora popular, principalmente, na zona rural e periferia há alguns anos, e em específico nas comunidades negras. Assim, tive a oportunidade de conhecer e de acessar essa diversidade e percebi que ela é muito desvalorizada. Acredito que é a maior dificuldade é esta: dar visibilidade para essa riqueza cultural. Através do nosso trabalho musical, tentamos trazer também um pouco disso. Não é simplesmente um resgate porque esta cultura negra está viva! Está aqui no norte de Minas, em Montes Claros, na zona rural. Então, a maior dificuldade está em valorizar esses saberes, que são vivos e dar o lugar merecido para que estas tradições sejam evidenciadas levando este arcabouço cultural às pessoas que não tem tanto esse acesso e que possuem uma limitação quanto ao entendimento das estruturas culturais afrodescendentes brasileiras.
AS :A maior dificuldade é a espacial e financeira, percebo  que o mercado montesclarense ainda está um pouco fechado para alguns estilos musicais como Samba, Choro, Bossa Nova, Jazz. Sinto falta desse espaço. Observo também que os artistas são extremamente desvalorizados quando o assunto é dinheiro, mas espero que nossa “terrinha” melhore, cada vez mais, nestes pontos.
– Qual a mensagem que você deseja transmitir através da sua música?
 Axé, muito axé, é isso que eu quero transmitir, através da minha música.
AS: Axé também, paz!
Abayomi
Abayomi

 

E é isso, a gente está seguindo aí com a música e o canto a todo vapor, torcendo para que a cada dia mais pessoas conheçam e entendam nosso trabalho! – Enfatizam Michele e Amanda.
Por 
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