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Cenário pressiona organizações a reforçarem políticas de compliance, transparência e proteção aos colaboradores que reportam irregularidades
Cenário pressiona organizações a reforçarem políticas de compliance, transparência e proteção aos colaboradores que reportam irregularidades

Mais da metade dos trabalhadores desconfia dos canais de denúncia das empresas

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Os sindicatos ligados ao setor bancário intensificaram a cobrança por mais eficiência e transparência nos mecanismos internos de denúncia das instituições financeiras. A principal reivindicação é que os bancos garantam investigações efetivas, proteção aos denunciantes e retorno sobre os casos reportados pelos funcionários.

O tema ganhou força diante do aumento das discussões sobre saúde mental no ambiente corporativo, assédio moral e governança nas empresas. Um levantamento da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) mostra que mais da metade dos trabalhadores brasileiros não acredita que denúncias internas sejam tratadas com total imparcialidade pelas companhias.

O cenário aumenta a pressão sobre empresas que buscam fortalecer políticas de integridade e melhorar a relação com seus colaboradores.

Sindicatos cobram confiança nos processos internos

Na avaliação dos sindicatos, muitos trabalhadores ainda evitam utilizar o canal de denúncias nas empresas por medo de exposição ou falta de confiança nas apurações internas. Como resposta, as entidades defendem mecanismos independentes, sigilosos e capazes de garantir retornos concretos aos denunciantes.

Representantes sindicais também afirmam que a simples existência desses canais não é suficiente para tornar o ambiente corporativo mais seguro. Para eles, as empresas precisam demonstrar compromisso com a investigação das denúncias e com a prevenção de irregularidades.

Segundo Marcelo Erthal, CEO da clickCompliance, a credibilidade dessas plataformas depende diretamente da maneira como cada caso é conduzido pelas organizações. “A confiança dos colaboradores está ligada à transparência do processo e à percepção de que as denúncias realmente geram apuração e medidas efetivas”, afirmou a empresa.

Investimentos em compliance avançam no Brasil

A discussão ocorre em paralelo ao crescimento dos investimentos em governança corporativa e compliance. Dados da KPMG indicam que empresas brasileiras ampliaram os aportes em programas de integridade nos últimos anos, especialmente em setores regulados, como o financeiro.

O fortalecimento dos processos em compliance passou a ser visto pelas empresas como uma forma de reduzir riscos reputacionais, prevenir fraudes e melhorar o ambiente corporativo. Nesse cenário, ferramentas de monitoramento interno e canais de escuta passaram a ter papel mais estratégico dentro das organizações.

Ainda de acordo com o executivo, empresas com estruturas internas mais organizadas conseguem responder às denúncias com mais agilidade e fortalecer a relação de confiança entre funcionários e liderança. “A integração entre tecnologia, governança e acompanhamento contínuo fortalece a cultura ética e contribui para ambientes corporativos mais transparentes”.

Cultura organizacional entra no foco

A discussão também ampliou o debate sobre cultura organizacional dentro das instituições financeiras. Para os sindicatos, disponibilizar plataformas digitais, sem políticas concretas de acolhimento e proteção aos trabalhadores, não é suficiente para resolver o problema.

A expectativa das entidades é que a pressão sobre os bancos acelere mudanças internas e fortaleça mecanismos que ofereçam mais segurança a funcionários que decidam denunciar práticas inadequadas no ambiente de trabalho.

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