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Coluna da Jerusia Arruda – Direto de Brasília

Coluna da Jerusia Arruda – Direto de Brasília

DIA DE TORMENTA

Os últimos meses não têm sido nada fáceis no Palácio do Planalto, mas as decisões tomadas na última quarta-feira fizeram deste dia especialmente difícil. Para se livrar das investidas do procurador geral da República, Rodrigo Janot, que o havia denunciado ao STF por corrupção passiva, o presidente Michel Temer nomeou uma nova representante para o cargo. A sub-procuradora geral Raquel Elias Doges passa a ocupar o cargo, posto inédito para uma mulher na a história do País. Ela foi a escolhida da lista tríplice indicada pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), apagando o brilho de Janot, que fica no cargo até setembro.

SEGUNDA OFENSIVA

Mal o presidente Michel Temer abate um inimigo, e logo surgem outros. Relator do inquérito no qual foi feita a denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República contra Temer e o ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures pelo crime de corrupção passiva no caso JBS, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, entendeu que não cabe à Suprema Corte, neste momento, ouvir a defesa do presidente e decidiu encaminhar diretamente à Câmara dos Deputados a denúncia. Para Fachin, Temer deverá fazer, primeiramente, sua defesa política e somente se a Câmara autorizar a abertura de processo criminal, o STF julgará a denúncia. Se não for formada uma maioria de 2/3 dos 513 deputados federais (342), o andamento ficará travado até Temer deixar o cargo.

TERCEIRA OFENSIVA

Sempre pronto a mostrar sua força nos momentos de crise de seus oponentes, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) se aproveitou do mau momento do presidente Temer para anunciar, na quarta-feira, que estava deixando a liderança do partido no Senado por causa das divergências com o governo. Em seu pronunciamento, o peemedebista disse que jamais seria líder de papel e que permanecer na função significaria “ceder às exigências de um governo que trata o partido como um departamento do poder Executivo e que optou por massacrar trabalhadores e aposentados desviando-se do próprio programa partidário”.

GOLPE FINAL

Para termina a quarta-feira, por volta das 19h, um rapaz invadiu o Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República. Dirigindo um SUV, ele chegou à portaria do Palácio como se fosse se identificar para entrar, e na hora que o segurança foi abordá-lo, acelerou, derrubou o portão de entrada do palácio e seguiu invadindo. A segurança atirou contra o veículo, mas o rapaz só parou o carro perto da igrejinha do Alvorada, correu e se escondeu nos jardins do palácio. Ele foi encontrado pela segurança, sem ferimento. O presidente Michel Temer e sua família não moram no Alvorada, mas no Palácio do Jaburu. Mesmo assim o acesso ao Alvorada foi fechado.

REDE SOLIDÁRIA

Apesar de estar com apenas 7% de popularidade e ser acusado formalmente de corrupção, Temer ainda segue, por ora, firme no cargo. Para que a denúncia de corrupção passiva possa ser validada é preciso a aprovação de dois terços da Câmara dos Deputados. Mas a Base aliada do governo conta com a maioria no Congresso e, além disso, 185 dos 513 deputados estão sendo investigados. Se Temer cair, poderá provocar um efeito dominó, e isso acaba criando uma rede solidária. Enquanto o processo se desenrola, o presidente segue incontinenti com suas propostas de reforma, e garante que vai tirar o Brasil da pior recessão de sua história. A notícia que salvou o dia do presidente foi a aprovação da proposta de reforma Trabalhista pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado.

 

 

Jerusia Arruda
Jerusia Arruda