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Montes Claros 160 anos – Como era Montes Claros na época do centenário

Montes Claros 160 anos – Como era Montes Claros na época do centenário

Montes Claros comemora, nesta segunda-feira, 3 de julho, 160 anos de existência. A sexta maior cidade de Minas completa 16 décadas como um município-polo, conhecido por estar localizado no segundo maior entroncamento rodoviário do país e sendo uma referência nas áreas industrial, educacional, de saúde e de serviços da região.

Mas a “Princesa do Norte” nem sempre foi assim. Segundo o escritor Wanderlino Arruda, que se mudou para Montes Claros em 1951, ainda com 17 anos, a cidade, naquela época, parecia-se muito pouco com a atual “capital do Norte de Minas”. Afinal, eram apenas 30 mil habitantes (nem um décimo dos atuais 400 mil) que moravam em uma região reduzida, delimitada pela estrada de ferro do Roxo Verde e pelo rio Vieira, onde hoje é a avenida Deputado Esteves Rodrigues (Sanitária). “Para chegar no Santos Reis, só a cavalo”, lembra.

Segundo Wanderlino, em 1951 a cidade começou a mudar de cara, por iniciativa do então prefeito Eneás Mineiro de Souza, o Capitão Enéas. Antes de sua gestão, Montes Claros tinha apenas duas ruas calçadas, a que ia do Mercado (onde hoje é o Shopping Popular) até a rua Doutor Veloso, e a que ia da rua Presidente Vargas até a Sorveteria Cristal. “O resto era tudo terra vermelha”, lembra Wanderlino, acrescentando que foi durante a gestão de Capitão Enéas que todas as ruas do centro receberam calçamento.

TRÂNSITO – Quem hoje observa o trânsito de Montes Claros, com sua gigantesca frota de dezenas de milhares de veículos, pode achar difícil acreditar que, um dia, os carros eram raridade no município. “Quem tinha carro, eram os gerentes de banco e os fazendeiros ricos”, recorda Wanderlino. Ele diz que, no início da década de 1950, até as bicicletas eram raridade, o que pôde comprovar na pele quando, em 1954, adquiriu a sua primeira. “Seis moças me pediram em namoro”, conta, aos risos.

Devido à escassez de veículos, Montes Claros tinha apenas um sinal de trânsito, na Rua Doutor Santos, e até 1962 não existia nem uma via de mão única e nem um estacionamento proibido no município. Esta situação só começou a mudar na década de 1960, com a chegada dos primeiros fuscas, adquiridos por funcionários do Banco do Brasil.

SEGURANÇA – “Em 1951, um homem desarmado não era homem”, lembra Wanderlino. Ele conta que os homens circulavam pela cidade com paletós, mesmo no calor, cobrindo as armas. O desarmamento da população iniciou para valer em 1956, com a fundação do 10º Batalhão de Polícia Militar. Outra coisa que ajudou a mudar a postura dos habitantes com relação à violência foi uma campanha, iniciada pelo Jornal Montes Claros, pela moralização do júri, já que era comum que os jurados de crimes de homicídio absolvessem os réus. A partir da campanha, as condenações foram aumentando, e isso foi “acabando com a criminalidade”, lembra.

ILUMINAÇÃO PÚBLICA  – Wanderlino recorda que, em 1953, uma série de apagões gerou uma revolta popular que culminou com o enterro simbólico do então governador do estado, Juscelino Kubitschek. Em decorrência do enterro, JK enviou geradores a diesel para garantir o abastecimento energético da cidade. Mas a iluminação pública era desligada às 11 horas da noite.

ACESSO – Montes Claros possui, hoje, aeroporto com voos diários e uma rodoviária bastante movimentada. Na década de 1950, no entanto, não era tão fácil o acesso a outras cidades. Wanderlino recorda que as pessoas iam de Salinas para Montes Claros na carroceria de caminhões, em uma viagem que durava dois dias. Para Belo Horizonte, a viagem podia ser feita de trem.

COMUNICAÇÃO – Em 1951, Montes Claros contava com uma rádio: a “Rádio Sociedade Norte de Minas”. Os jornais impressos eram dois: o “Jornal Gazeta do Norte” e o “Jornal de Montes Claros”.

Em relação aos telefones, eram apenas 90 em toda a cidade, e os números tinham só dois dígitos, indo do 10 ao 99. Todas as ligações passavam por uma telefonista, lembra Wanderlino.

WANDERLINO ARRUDA – Wanderlino Arruda nasceu em 1934, em São João do Paraíso. Mudou-se para Montes Claros em 1951, aos 17 anos. Casou-se em 1957 com Olímpia Rego, e com ela tem sete filhos e 11 netos.

Wanderlino Arruda
Wanderlino Arruda

 

Jornalista, escritor, bancário, vereador por dois mandatos e professor, Wanderlino é formado em Contabilidade, Letras e Direito e possui pós-graduação em Linguística, Semântica e Literatura Brasileira, além de especialização em Comunicação Social e Metodologia de Ensino Superior. Tem diversos livros publicados e é vitalício no cargo de presidente de honra da Academia Montes-clarense de Letras.

Galeria de Imagens:

Avenida Coronel Prates
Avenida Coronel Prates

 

Calçamento Praça Dr. Chaves 1957
Calçamento Praça Dr. Chaves 1957

 

Atras do mercado central
Atras do mercado central

 

Mercado Municipal
Mercado Municipal

 

Mercado Municipal - Praça Dr. Carlos
Mercado Municipal – Praça Dr. Carlos