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Coluna do Adilson Cardoso – Dia e Noite

Coluna do Adilson Cardoso – Dia e Noite

Piriguete é alcunha de modernidade, pouco tempo depois de a turma descer da Arca de Noé, já havia gente dando trabalho e outras coisas. Mas nenhum registro se compara as façanhas da filha mais moça do casal  Efêzo Barata e Janota Patuá comerciantes da cidade de Albinópolis – MG. Ava Gina, batizada por uma tia que morava em São Paulo, fã de Ava Gardner e Gina Lolobrigida. Não se sabe ao certo ou não querem explicar demais sobre o fogo da menina, que com mais ou menos dez anos de idade sua brincadeira favorita era cavalo de pau em cabo de enxada, com uma diferença, a madeira não saia do lugar e ela desliza para cima e para baixo sem calcinha. A mãe ralhava “Gina tirou a calcinha novamente?” “Tirei mainha estava dando coceira na periquita!” “Vista agora ou lhe dou uma surra de cinto molhado!” Enraivecia a mãe sem saber mais o que fazer. Chamou o marido conversou de portas fechadas, só podia ser coisa de “pomba-gira”, mandou fazer um despacho, encheu a encruzilhada de vela preta, cachaça e farofa. No dia seguinte a menina voltava ao brinquedo,  ainda mais sedenta, a calcinha estava no chão, Dona Janota em desespero moral, tinha medo de que a vizinhança soubesse. Mandou que o marido fosse buscar Vó Titela (a bruxa) que tinha no currículo: retirada de encosto de pinga, alma montada nas costas de caminhoneiro, voz da cabeça de Esquizofrênico e, recentemente expulsara de casa um defunto que atormentava a viúva por ciúmes. A velha chegou defumando um cachimbo enorme de pimenta malagueta seca com raspa de rato preto, mandou a menina tirar a roupa e lhe deu um banho de descarrego, arruda com guiné e pó de tronco de Pau-Preto mal assombrado. Dizia coisas que só ela entendia, pulava e peidava feito Egua nu cio. A sessão durou duas horas contadas no relógio dos pais que ficaram  do lado de fora. “A menina vai dormir até amanhã, dei a ela chá de maracujá do mato e  vaporizador de  fumaça de maconha se é encosto amanhã estará curada!” disse a bruxa com voz carregada e olho vermelho. No outro dia Ava Gina acordou pedindo comida, a larica era medonha, “Dá um copo de café com leite e bolo? Mãe frite um ovo e me dê com  pão, esquente minha janta!” Comia com voracidade e falava de boca cheia. “Filha vá com calma, que fome é esta?” Dizia satisfazendo seu desejo. Após comer até suor escorrer no pé, a menina saiu, olhou o tempo, se espreguiçou saltando sobre o cabo de enxada, brincou como sempre, Caiu  uma hora depois,  gemendo com os pelos do corpo arrepiados. O jeito foi à mãe ligar para a tia de São Paulo, “Quem sabe um Psicólogo poderia resolver o problema” disse ao telefone. Dias depois Ava Gina estava abobada sob os arranha-céus e buzinas intermitentes observando tudo. Passaram-se os tempos, muitos meses sem noticias até a tia ligar pedindo calma. Era questão de tempo e da vontade de Deus, a sobrinha passou  por todos os especialistas existentes no SUS, estava declarado que nada havia de anormal na cabeça dela, os pais ficaram tranqüilos, principalmente quando souberam que a tia canalizaria sua energia  para o lado positivo. Há muito  tinha intenção de não mais pegar dois ônibus e um metrô para chegar ao trabalho, acordar de madrugada e chegar à meia noite, aquilo não era vida. Portanto daquele dia em diante passou a trabalhar em casa satisfazendo a sobrinha e ganhando seu dinheiro.  Plantão 24 horas – Welcome. Piscavam as letras grandes e iluminadas no jardim da nova casa que alugaram.

 

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso