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Coluna do Adilson Cardoso – Carta ao mundo

Coluna do Adilson Cardoso – Carta ao mundo

Meu nome é Crisântemo. Chamam-me de Cris, sou irmã da Lírio. Nascemos unidas em um só corpo, a medicina nos trata como Xifópagas. Quero que esta carta apelo corra o mundo, vá ao mais longínquo canto da terra, comunique esta aflição que me consome. Fomos sempre diferentes uma da outra, suas primeiras palavras foram imoralidades, enquanto as minhas eram suplicas aos céus para trazer paz ao mundo. Na escola eu prestava atenção na aula, Lírio cuspia na colega do lado. No recreio eu queria orar para agradecer a Deus pelo lanche, ela expunha nossos seios por miseras moedas. No baile de formatura ela bebeu tanto que por pouco não entrou em overdose, fui obrigada a passar dois dias no hospital. Sempre acreditei na salvação, pagando meu dizimo e levando a bíblia onde quer que fosse. Mas ultimamente ando com o corpo tatuado, uma cabeça de Demônio e um símbolo que nem sei o que significa, minha irmã curte Death Metal. No dia internacional do Rock eu estava orando para Jesus livrar-me dos males, enquanto ao meu lado mais de cinco mil pessoas batiam cabeças para a banda Sepultura, inclusive a minha irmã consumindo meu corpo. Mesmo com todas as orações que fiz, passei uma semana na cadeia ao lado dela. Qual o crime? Porte de entorpecente e tentativa de homicídio, minha irmã tentou matar uma moça que ficou com um ex-namorado dela, o pior é que a mão agressiva também é minha, eu também era dona das digitais. Quando fiz aquela entrevista de emprego, tinha ciência de que era a minha grande chance após tanta procura, mas a desgraçada havia se empanturrado de Buchada de Bode e o nosso organismo não recebeu com as honras previstas, o resultado foi uma diarréia infernal que explodiu no momento em que eu passava pelo Psicotécnico. Mas o pior de tudo ainda não contei, nesta minha relação com Deus, havia lhe prometido a castidade, só teria contato com uma genitália masculina após ouvir o sim do Padre e ver as alianças cintilando nos nossos dedos. Porém a minha irmã decidiu que seria garota de programa, brigamos muito, relutei bravamente, mas como sempre, ela foi mais forte do que eu, para minimizar os traumas optei pelo uso de soníferos, mas acho que não fora boa idéia, em um daqueles dias acordei com a boca colando e um pigarro diferente na garganta. Orei a Deus e pedi proteção para carregar esta cruz de olhos bem abertos.

 

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso