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Coluna do Dr. Marcelo Freitas – O atentado em Barcelona e a morte em nome de Deus

Coluna do Dr. Marcelo Freitas – O atentado em Barcelona e a morte em nome de Deus

Acabo de ver pelos jornais de todo o mundo mais um terrível atentando contra a humanidade. Sem dor ou remorso, o motorista de uma van, num grande arremedo de irracionalidade, atropelou várias pessoas em uma das regiões turísticas mais movimentadas de Barcelona, segunda cidade mais populosa da Espanha, deixando ao menos 13 mortos e uma centena de feridos de pelo menos 18 nacionalidades distintas.

Criado com o objetivo original de estabelecer um califado nas regiões de maioria sunita no Iraque, autoproclamando como autoridade religiosa sobre todos os muçulmanos do mundo, o grupo Estado Islâmico assumiu a autoria. Os jihadistas sunitas, assim, se apresentam como herdeiros de um regime que existiu desde a época do profeta Maomé até mais ou menos um século atrás. Muçulmanos que não aderem à ideologia insana são considerados infiéis e alvos de sucessivos ataques!

Numa linguagem bem simples, o islamismo foi consubstanciado pelo profeta Maomé, nascido em Meca, por volta de 570, na Arábia Ocidental. Aquele que aceita a fé no islamismo é chamado de muçulmano, que tem por livro sagrado o Corão e frequência nas mesquitas.

Sem olvidar de diversas outras justificativas utilizadas para explicar o inexplicável, sem manifestar apreço, desapreço ou predileção por quaisquer formas de religião, a grande indagação que remanesce, ao menos etimologicamente de natureza religiosa, é: até que ponto é aceitável matar em nome de Deus?

Caro leitor, as religiões, tal qual a conhecemos, têm por propósito religar cada um de nós a Deus, embora nem todos consigam. Certo é que “nascemos sem trazer nada, morremos sem levar nada. No meio do intervalo entre a vida e a morte, brigamos por aquilo que não trouxemos e não levaremos”. É de difícil compreensão a crueldade que perpassa a execução de atos tão hostis a iguais. Deus realmente vive? Onde podemos encontra-lo?

Muitos perambulam tentando entender por que seus companheiros de igreja ou templo fecham os olhos e parecem ver o seu Deus. Outros, contudo, nada vêm ou sentem. Àqueles que encontraram Deus em sua própria religião podemos até imitar por um tempo. Se a graça não vier, no entanto, devemos entender que há vários caminhos e que cada um deles pode permitir que encontremos o nosso. Eu ainda busco o meu Deus e não consigo vê-lo diante de tamanha brutalidade! Não aceito a morte em Seu santo nome!

Profundamente sensibilizado, é nas perorações de Baruch Espinosa, filósofo racionalista do século XVII, que encontro razões para concluir essa minha loa a um mundo de paz, onde nenhuma morte tenha respaldo em nome de Deus. É profundamente tocante! Contudo, revela-se inútil para quem já está no “caminho escolhido”, mas é uma fonte de inspiração para aqueles que, como eu, ainda perambulam na escuridão em busca de luz:

“Para de ficar rezando e batendo no peito. O que eu quero que faças é que saias pelo mundo, desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.

Para de ir a estes templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nas praias. Aí é onde eu vivo e expresso o meu amor por ti.

Para de me culpar pela tua vida miserável; eu nunca te disse que eras um pecador.

Para de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar dos teus amigos, nos olhos de teu filhinho… não me encontrarás em nenhum livro…

Para de tanto ter medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem me incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.

Para de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz… Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te castigar por seres como és, se sou Eu quem te fez?

Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos os meus filhos que não se comportam bem pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?

Esquece qualquer tipo de mandamento, são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti. Respeita o teu próximo e não faças aos outros o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção à tua vida; que teu estado de alerta seja o teu guia. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.

Para de crer em mim… crer é supor, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho de mar.

Para de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, da tua saúde, das tuas relações, do mundo. Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.

Para de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. Não me procures fora! Não me acharás.

Procura-me dentro… aí é que estou, dentro de ti.”

Dr. Marcelo Eduardo Freitas – Delegado de Polícia Federal e Professor da Academia Nacional de Polícia.

 

Dr. Marcelo Eduardo Freitas
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