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Devedor pode se dar bem com ciclo de corte nos juros básicos

Devedor pode se dar bem com ciclo de corte nos juros básicos 

A sétima redução consecutiva da taxa Selic, que está em 9,25% ao ano, anunciada em julho pelo Banco Central (BC), favorece os consumidores endividados na renegociação do débito ou na portabilidade de crédito, segundo consultores financeiros. “Com a redução da taxa, estamos em um momento propício para a portabilidade, mesmo sabendo que a queda dos juros bancários não vem na mesma proporção que a redução da Selic”, avalia a economista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) Ione Amorim.

 

Devedor pode se dar bem com ciclo de corte nos juros básicos
Devedor pode se dar bem com ciclo de corte nos juros básicos

 

A taxa Selic é usada como referência pelos bancos para definir juros de dívidas como cheque especial, financiamentos e cartão de crédito. A portabilidade, regulada pelo BC, é a possibilidade de um banco arrendar a dívida de outra instituição financeira oferecendo uma taxa de juros menor ao cliente. Já a renegociação é quando o consumidor busca novas condições de pagamento onde possui a dívida.

Mesmo considerando a queda da Selic como positiva para o consumidor, a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, lembra que conseguir crédito nos bancos ainda está difícil. “Não é fácil conseguir a portabilidade. O próprio consumidor é quem deve correr atrás, buscar outras instituições bancárias e negociar”, diz.

O funcionário público Henrique Custódio, 51, pensou em fazer a portabilidade de um empréstimo de R$ 40 mil, dividido em 96 prestações de R$ 987, das quais 14 já foram pagas. “Sei que estou pagando juros de mais de 2%, enquanto outro banco cobra taxa de 1,5%, mas ainda não consegui a portabilidade”, conta Custódio, que usou o empréstimo para dar entrada em uma casa para a filha, Danielle Oliveira.

A consultora financeira da Planos Meus Camila Teodoro, que avaliou a dívida de Custódio, explica que a portabilidade é mais indicada para valores menores, de até R$ 10 mil. “Os bancos argumentam que valores altos geram mais risco. E, por isso, aplicam juros mais altos”, explica. “Operações pequenas são mais indicadas (para a portabilidade). As grandes, como as imobiliárias, geram taxas administrativas maiores e custos com documentação”, diz a especialista.

Renegociação. Nesse sentido, Camila aconselha Custódio a tentar uma renegociação com o próprio banco. “A grande vantagem é que ele está pagando em dia e pode usar isso a seu favor. O banco tem o histórico dele”, explica. Porém, ela pondera que os juros cobrados de Custódio, 2,14% por mês, não estão acima do mercado. “Algumas financeiras chegam a cobrar 5% ao mês”, conta.

Para Ione, do Idec, na hora de renegociar com o mesmo banco, o consumidor deve ficar atento à proposta. “Muitos bancos oferecem um novo crédito, o que pode aumentar a dívida, mesmo com um valor menor da parcela” adverte.

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