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Estudo usa eletroestimulação para tratar compulsão alimentar

Estudo usa eletroestimulação para tratar compulsão alimentar

Uma nova esperança surge para o tratamento das compulsões alimentares: pesquisadores do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) iniciaram um estudo que utiliza ondas eletromagnéticas no cérebro para inibir o desejo de comer descontroladamente.

Estudo usa eletroestimulação para tratar compulsão alimentar
Estudo usa eletroestimulação para tratar compulsão alimentar

Por aqui, o método ainda é novo, mas ele já foi testado em 64 pessoas na Universidade de King, em Londres. Lá, os pesquisadores descobriram que 80% daqueles que receberam a estimulação passaram a ter autocontrole diante da compulsão alimentar.

De acordo com a psiquiatra Mara Maranhão, responsável pelo projeto na Unifesp, o intuito é comprovar se a Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) no córtex dorsolateral pré-frontal esquerdo pode reduzir os sintomas relacionados aos transtornos após a exposição a estímulos visuais e reais de alimentos.

“As ondas eletromagnéticas atingem o córtex pré-frontal dorsolateral, região do cérebro que está relacionada ao autocontrole e ao controle dos impulsos. Se a pessoa tem compulsão, essa área da mente tem menos atividade cerebral, então ela passa a ser “recarregada” pelas ondas”, explica.

Processo. A pesquisa contará, no total, com 60 mulheres, entre 18 e 55 anos, com sobrepeso ou obesidade e que apresentem compulsão alimentar. Mara expõe que elas passam por uma avaliação inicial – para constatar o transtorno alimentar – e, em seguida, por entrevistas diagnósticas e ressonância funcional, com o objetivo de ver a atividade cerebral exercida no córtex pré-frontal dorsolateral.

Depois, elas são divididas em dois grupos. O primeiro recebe intervenção eletromagnética de verdade, e o outro, apenas um placebo. Ao todo, são três sessões semanais, com duração de uma hora cada, por dois meses seguidos. Após esse período, as pacientes fazem, novamente, uma ressonância funcional, para medir a ação mental presente no córtex e comparar com o exame anterior aos testes.

Para evitar manipulação, Mara conta que somente o pesquisador que aplica testes eletroestimuladores sabe a qual grupo cada participante pertence. “Eles só terão acesso à informação quando acabar”, diz.

Expectativa. A pesquisadora esclarece que ainda falta que 20 mulheres terminem o processo, o que deve acontecer até dezembro deste ano. “Nossa intenção é divulgar e publicar os resultados no primeiro semestre do ano que vem”, aponta.

O médico endocrinologista Walmir Coutinho, professor de PUC-RJ, comemora a iniciativa. “É uma ferramenta importante para ajudar nos tratamentos que já existem”, afirma o médico.

Distúrbios. A compulsão alimentar em geral atinge em torno de 4% da população mundial. O dado é de pesquisa feita em vários países pela Associação Americana de Psiquiatria.

Estudo similar já foi feito no Canadá

– Há quatro anos, cientistas da Universidade de Toronto, no Canadá, começaram a testar a ação de ímãs acoplados em toucas, que foram colocados na cabeça de pacientes com bulimia.

– O resultado foi divulgado na Conferência Anual da Sociedade de Neurociência dos Estados Unidos. Eles conseguiram curar os pacientes por até um ano, período em que os sintomas não apareceram.

– Os cientistas usaram ímãs para aumentar a parte do cérebro envolvida no autocontrole. Nesse caso, o objeto foi colocado na cabeça de 20 pacientes.

– Eles foram tratados cinco vezes por semana durante quatro semanas. Após esse período de tratamento, mais da metade voltou a ter sintomas do transtorno até seis meses depois. Já a outra parte conseguiu ficar livre dos sinais por 12 meses.

Jovem vive drama há vários anos

Jovem, bonita e com toda uma vida pela frente: esse é o perfil da jornalista Fernanda Fahel, 24. Mas quem a vê não consegue imaginar a guerra que há por dentro. “Eu comia uma caixa de bombons, uma pizza inteira e 2 l de refrigerante em cerca de duas horas. E isso me rendeu quilos a mais, chegando a pesar quase 90 kg”, diz.

Fernanda conviveu com os três tipos de transtornos alimentares mais comuns: bulimia, anorexia e compulsão. “Eles surgiram numa reação em cadeia: primeiro a anorexia, aos 13, depois a bulimia até os 18. Nos dois anos seguintes, sofri com a compulsão e, por último, a bulimia de novo”, explica.

Atualmente, ela faz terapia e não tem recaída há seis meses. “Tomara que esse novo tratamento possa nos trazer a cura”, afirma Fernanda, animada.

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