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Coluna do Adilson Cardoso – Segredos do Morro de cima

Coluna do Adilson Cardoso – Segredos do Morro de cima

Era uma tarde mansa de janeiro. Ano de 2005, feliz por rever tudo aquilo, já que das minhas ultimas quatro férias não sobrara tempo para visitar meus avós, ambos  atravessando a faixa  dos 80, mas lúcidos e acolhedores. Após abrir a cancela era possível sentir o cheiro das boas lembranças invadir as narinas, a poeira alta daquele trecho onde o gado passava para o bebedouro, o Umbuzeiro carregado de frutos roliços, Periquitos em algazarras no alto da Aroeira, o Carro de bois em descanso no mesmo lugar, passava a impressão de que ali o tempo se estacionara. Pelo barulho vindo da casa outros hospedes chegaram primeiro, a placa do carro e a cuia de Chimarrão na janela da cozinha denunciava que era a turma do Sul, Tia Inara havia se casado com um gaucho dono de um Frigorifico.  Após o abraço nos meus avós retirei da mochila as encomendas que jamais poderiam faltar, a carne de sol e a farinha amarela era para minha vó e a cachaça e o radio de pilha para o vovô. Meu avô tinha uma coleção de aproximadamente cem rádios de pilhas, todos em perfeito funcionamento; Brasileiros, Paraguaios, Chineses, Japoneses e até um Norte Coreano, relíquia de um amigo que conseguira a façanha de escapar do inferno. Era a ficção dele, quem morasse na cidade e visitasse a Fazenda “Morro de Cima” sem levar um rádio não era bem vindo. Notei que havia algo desconcertante no ar, ninguém quase sorria, o mais ousado abria a boca em um ângulo que pouco se via dos dentes.  Interroguei com olhares, mas sem resposta convincente, cabeças foram baixando, acomodei-me no quarto de sempre, a bruaca velha no canto direito, a prateleira artesanal com galhos de Umburana á esquerda. Ao lado da cabeceira da cama estava à mesinha com a bíblia aberta e um rosário dependurado marcando á pagina do  Salmo 91. O mesmo que eu costumava ler para espantar o medo da tempestade quando vinha com ventos e pedras.  Infelizmente o tempo não era mais o mesmo, desde o acidente com meus pais decidi acreditar superficialmente nas coisas, questionar o invisível e não me prender á aquelas verdades de antes, enfim, a bíblia não tinha mais significado algum. Deus passara a ser um símbolo folclórico criado pela oralidade dos homens assim como os Santos criados por força das conveniências do Vaticano e seus apoiadores. Mas os livros da estante não foram diminuídos dentro de mim, seus personagens e seus cenários ainda me causavam excitação, minhas primeiras experiências estavam ali, na “Ilha Perdida”, “De volta a Ilha” “O Menino do Dedo Verde” “O caso da borboleta Atiria” e claro o que ganhei de presente do meu pai com apenas seis anos de idade, “O pequeno Príncipe”.  “Também tinham  aqueles escritos por mim, como; “O Vale dos Cogumelos Ateus” e” As Quatro asas do vento” ganhadores de prêmios internacionais. A negra Cinira que acompanha minha avó a mais de trinta anos, bateu na porta com leveza, anunciando que o almoço estava servido, disse que tomaria um banho antes, mas deitei-me na cama e passei a observar o teto, a madeira conservada, algumas telhas recém-pintadas e minha cabeça se perdendo no passado, como se eu levitasse numa cama de algodão, chegasse até o infinito e voltasse naquele mesmo lugar com doze anos de idade. Estava de férias, os outros irmãos não  vieram, preferiam as ruas barulhentas de São Paulo, o aperto das pessoas gritando gol no Morumbi e a chatice do aeroporto de Guarulhos, antes do embarque naquela fila interminável contracenando com outros garotos e garotas tirando onda, dizendo que iam para a Disney, ou que o tênis custara uma fortuna ou na pior das hipóteses, “Meu pai é Delegado e o seu faz o quê?”Poderia abrir minha boca e gritar bem alto;” O meu é assassino matador de Delegados!” Mas sempre virava o rosto e deixava para os meus irmãos contarem papo. “Nosso pai tem uma empresa que Edita livros de gente famosa”!” por ai rendia as picuinhas e os pais tinham que interceder com seus sorrisos amarelos quando a lisonja excedia a razão. Minha prima havia trazido uma colega para passar as férias na fazenda, seu nome era Tâmara, tinha treze anos, conversava fazendo um biquinho como se quisesse chorar, aquilo me atraia, mais ainda, as coisas que dizia, queria se formar em medicina e ir trabalhar na cruz vermelha. Sua Tia que morava em Soweto era a maior incentivadora.  Minha prima tinha quatorze anos era uma mulher precoce, tinha corpo e altura, falava inglês e tocava piano. Passei a andar na sombra delas, fazia de tudo para puxar conversa com a Tâmara, menti que estava aprendendo tocar Bateria, consegui chamar sua atenção por alguns segundos até minha prima desmentir na minha frente.  Num daqueles dias fomos ao rio, cerca de cinco quilômetros de estrada, todos curtindo a caminhada e eu pensando em ver Tâmara de biquíni, já que soubera por ouvir as conversas com minha prima. Mas infelizmente outra vez antes de chegarmos fomos avisados de que um rapaz havia se afogado lá e ainda não tinham encontrado o corpo.  Os dias seguiram angustiantes, eu platonicamente a espera de uma chance com Tâmara e ela se derretendo pelos caras mais velhos.  No dia da novena de São José na casa de dona Quininha, fomos todos por implicância da minha avó, exceto Tâmara e a minha prima, se desculparam dizendo que precisavam passar umas roupas, aquilo me incomodara de um jeito que não conseguira ouvir nem a Ave-Maria.  Despistei que iria urinar e fui para casa, quanto mais Tâmara me ignorava eu sentia mais amor. Entrei pelos fundos e fui pé-ante-pé a porta do quarto em que elas dormiam estava semiaberta , quando olhei meu corpo por pouco não desfalecera, Havia realizado a minha grande fantasia, Tâmara estava nuazinha com os peitos empinados e os  ralos pelos pubianos totalmente a vista, mas infelizmente mais uma vez, a minha prima que estava apenas de calcinha gemia abraçando-a por trás e lhe beijando o pescoço, com o coração acelerado e de pernas bambas fui tentar sair sem ser notado, mas trombei em uma cadeira e levei um enorme tombo, as duas pálidas vieram consertando as roupas perguntando se eu havia visto alguma coisa, não disse nada, foi o bastante para tê-las nas mãos partir daquele dia. Saiamos os três e eu pedia um beijo, quando era negado ameaçava de contar a cena que presenciara. Achava que estava no controle, mas minha prima vinha armando a “casa de caboclo” para eu me danar, depois que acabaram as férias ela contou ao seu pai que nunca mais visitaria a casa dos avós, quando eu estivesse lá, pois as olhava frequentemente no banho e trocando de roupas no quarto. Meu tio viera saber de mim, eu contei o que vira, mas minha prima já havia o preparado dizendo que eu poderia dizer aquilo.  Resumindo, apanhei do meu tio e do meu pai em horas intercaladas. Cinira bateu novamente na porta dizendo que a comida esfriava, Cinira estava com mais de sessenta anos, uma senhora de corpo médio e seios grandes, meu tio relatara  como era  embaixo daquelas roupas, na hora da sacanagem ela pedia para apanhar na bunda. Mergulhei tanto nos relatos do meu tio que a própria Cinira interrogou-me porque tanto a olhava, disse que estava pensando na tristeza que notei nos semblantes dos meus avós, quase as cochichos ela disse que meu primo David fizera uma cirurgia de mudança de sexo, seu nome agora era Laiza.

 

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso

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