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Coluna do Adilson Cardoso – Amargas Promessas (parte ll)

Coluna do Adilson Cardoso – Amargas Promessas (parte ll)

Um baixinho de terno fumando charuto interceptara-me apontando para um dos quartos em que uma loira gorda mostrava os peitos, entrei impaciente olhando para os lados e reconheci um dos Peruanos do dia anterior, me fitava de cima em baixo com os braços cruzados, assim que passei, a porta se fechara atrás de mim, antes que ele dissesse alguma coisa, a loira entrara empurrando um velho numa cadeira de rodas que fora colocado junto de nós foi apresentado, ele se chamava Oto e ela sorriu vestindo uma camiseta larga onde se lia I Believe in Angel. “Pode me chamar de Puta!” disse piscando o olho esquerdo. O velho que não tinha nada de paraplegia ou qualquer deficiência aparente acendera um cigarro se levantando normalmente, dando passos curtos em volta da gente fora me instruindo a respeito do que eu faria, repetira o valor que seria pago pelo trabalho, mas frisando que não poderia deixar de falar dos riscos. Eu só pensava em me dar bem e morar despreocupado no meio dos gringos, recebi um maço de notas com cinco mil reais, bônus para um serviço extra, as passagens já estavam providenciadas, uma pessoa de nome Áurea estaria a minha espera ás 18:00h de Brasília no Aeroporto de Guarulhos. Recebera o adiantamento para uma mala que devia levar naquele momento, sem direito a outras perguntas sai arrastando a mala que parecia pesar toneladas, uma voz ecoara sem mostrar o rosto, dizendo que o taxi esperava na porta, antes de fechar o elevador a loira puta falsa, balançava os peitos para mim, dizendo algo que não conseguira decifrar. O taxi era diferente, o interior não tinha taxímetro e os vidros pareciam blindados, o motorista se vestia de preto e tinha óculos escuros, usava também luvas negras. “Está notando algum ruído vindo do interior da mala?” perguntara-me secamente com voz fechada sem mover a cabeça. Respondi negativamente, balançando a cabeça, seus olhos por trás das lentes escuras me viram pelo espelho que tinha formato de tubarão. Não conhecia São Paulo pessoalmente, mas pelos jornais eu sabia que o menor vacilo faria ficar sem o dinheiro que estava em um envelope, retirara do bolso o endereço de entrega da mala, “Avenida Paulista numero 854 Top Shopping (sala 206)”.  O motorista se prendera em um quilométrico engarrafamento em um dos trechos da famosa avenida. Passara a olhar no relógio visivelmente incomodado, retirara os óculos, virara-se para mim, pedindo mais uma vez que ouvisse se não saia nenhum ruído da mala, achei estranho, mas não poderia dizer a ele que aquilo era droga e não relógios ouvira de longe uma sirene da policia, o motorista estava suando, se abanava, olhava para mim e para a mala demonstrando preocupação. “Quatorze horas e quinze minutos, puta que o pariu!” Gritara batendo a mão sobre o relógio. Apesar de não conhecer pessoalmente São Paulo assistia os telejornais e sabia que ás vezes se perdia tempos incalculáveis a num engarrafamento, eu estava lidando com gente perigosa que talvez não perdoasse um não cumprimento da palavra seja lá qual fosse o motivo. Preocupava-me a lembrança de que ao assinar o consentimento da “tarefa” dera endereço da minha casa e de todos os familiares próximos. Uma hora depois e o motorista possesso vomitava palavrões, batia no painel do carro e perguntava constantemente se não havia ruído estranho.

 

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso

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