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Coluna do Adilson Cardoso – Uma estranha carta ao velho Noel

Coluna do Adilson Cardoso – Uma estranha carta ao velho Noel

Há quatro anos, participo de um grupo que adota cartinhas do correio, endereçadas ao Papai Noel. Enviamos os presentes, mas aquela que mais chama atenção separamos para falar pessoalmente com o emissário, neste ano havia uma endereçada do presídio regional, o autor é um reeducando de trinta e oito anos que se identifica como Cotôco Vida Loka.

 Caro Papai Noel

      Meu nome é Nilson, conhecido no mundo do crime como “Cotôco Vida Loka” completei trinta e oito anos dia vinte de novembro. Escrevo esta cartinha com ajuda do Jaziel “Paia” meu parça  de Cela, eu estudei até a segunda série, mas a maconha me fez  esquecer o pouco que aprendi. Papai Noel quero pedir uma maquina daquelas que faz  dinheiro falso. Eu conversei aqui com o “Truquesa, o Melete, Paranóia e o Paia!” queria opinião para saber se o senhor atendia este tipo de pedido,  o Paranóia falou de um primo dele que morava numa favela lá do Rio, “Meu primo é o maior sortudo véi, pediu um Fuzil para o Papai Noel e ganhou uma Metralhadora!” Mesmo que o primo foi muito azarado depois, pois não sabia destravar a “maquina” e foi alvejado em um assalto a banco. Quero a máquina para não precisar mais de roubar. Vi que estava saindo do controle roubei até da minha mulher, o dinheiro que eu mesmo havia dado a ela de um roubo que cometi.  Também estou ficando velho, daqui a pouco faço quarenta e cinqüenta e assim a vida passa, já tentei clonar cartão de crédito, consegui até uma grana boa, viajei para outro estado e lá clonei outros cartões, fiz outras viagens, numa desta fui ao Paraguai e comprei drogas para revender aqui no Brasil, estava bem, andava de terno e carro importado com ar condicionado e frigobar, mas cai na besteira de financiar um político que já havia roubado um banco antes de ser Prefeito, foi a minha desgraça, o filha da mãe ganhou e passou um colégio em meu nome, estava me sentindo um diretor, mandava nos professores e coloquei um “ponto de pó” na sala da diretoria, estava tudo muito bem, mas a Policia Federal descobriu que eu era Laranja do Prefeito. Quando a casa caiu achei que fosse pelas drogas e denunciei a mim mesmo.  Sai da grade e fui tentar ser honesto, arranjei um emprego como entregador de Pizza, mas na primeira entrega violentei a cliente e assaltei a casa dela. Fugi com a moto, pintei-a e fui ser moto taxista, todas as corridas que fazia em bairros de grã-finos anotava o endereço e voltava para assaltar, na ultima dei azar, a casa  era  boca-de-fumo, entrei de “três oito na mão” e acordei na UTI da Santa Casa. Mesmo assim quando me recuperava fui preso, na prisão um ferimento na perna esquerda gangrenou e amputei do joelho para baixo, passei a locomover com dificuldades sobre uma cadeira de rodas, dia daqueles no pátio chegou um maluco também sem perna, era um traficante com moral. Pediram que eu cedesse a minha cadeira se não quisesse perder a outra perna e um braço, claro que preferi ficar com os membros. Depois de dois anos fui para semi-aberto, estava livre e quieto me preparando para conseguir um beneficio do INSS, quando um amigo convidara  para explodir um caixa eletrônico, aceitei me sentindo o Saci do crime, moral da história a dinamite detonara antes do tempo e perdi os dois braços. Passei mais dois anos na prisão, até para mijar precisa de ajuda para balançar meu  Pinto, enfim ao sair da prisão minha mulher tinha me traído com o advogado, mas eu nem pude cobrar o vacilo não pois tenho as  mãos para atirar, precisei aceitar para não virar um aleijado mendigo. Mas ainda não havia desistido, sou reconhecido pela minha inteligência de arquitetar bons planos, então planejamos um assalto a uma Joalheria de um Shopping, aluguei uma cadeira motorizada e um negrinho para conduzir-me. Parecia que seria o plano perfeito se o meu guia não fugisse quando ouviu um alarme, sintetizando Papai Noel, estou preso mais uma vez condenado há oito anos, sabendo que minha mulher está dando para o advogado me defender. Por favor, preciso desta máquina de dinheiro falso, já que nem com próteses nas mãos conseguirei voltar a roubar.

Obrigado pela atenção Papai Noel.

Nilson – Cotôko vida loka

 

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso

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