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Coluna do Adilson Cardoso – O Louco homem da lei

Coluna do Adilson Cardoso – O Louco homem da lei

O Louco homem da lei

A primeira página do jornal estampava  na banca, “Assaltante rouba bolsa de prostituta no centro da cidade”, na segunda página outra noticia, “Bandido leva celular de estudante em ponto de ônibus”. A página que deveria ser de cultura estava ocupada, “Homem de capuz assalta policial que dava voz de prisão a outro assaltante.” Na internet não era  diferente, “Mulher  finge ser  cuidadora de idosos  para surrupiar cartão e senha de aposentado”.  Até no folheto da missa  o Padre alertava, “Cuidado! falso católico rouba a caixinha da igreja”. Autoridades acuadas sob o protesto do povo.

 — Nós vai  fazer  justiça com as própria  mão! – Gritou um sujeito de camisa amarrada no rosto.

Colocaram fogo em pneus e fecharam as ruas,

— Aqui ninguém passa, enquanto não diminuírem os assaltos!” Esbravejou uma senhora de cartaz na mão onde se lia “Chega de impunidade”.

Enquanto a senhora protestava alguém lhe furtou os óculos, a polícia não conseguiu chegar ao local por medo do fogo.

— Vai tomar no cú! – Gritou um  bêbado após ter sua garrafa de pinga furtada.

Enquanto a policia procurava bandidos de um lado, do outro  novas ocorrências surgiam. O telefone da central tocou:

— Por favor,  acabei de ser assaltada, roubaram minha dentadura, preciso dela para comer um feijão tropeiro! – Denunciou uma velha desesperada.

O delegado acendeu o  cigarro, contou  apontando o dedo para o grande numero de pessoas fazendo  ocorrências. Abriu  uma caderneta surrada,  letras coloridas  indicavam a quantidade de bandidos soltos pela justiça. O telefone tocou  novamente, era  a velha em busca da dentadura.

— Eu quero minha dentadura, sua policia incompetente!

O delegado afrouxou a gravata, passou o lenço na testa suada, jogou o cigarro no chão, mas agachou e o trouxe de volta a boca, deu dois tragos e  o  mastigou como se fosse um doce. Tirou a calça, por baixo usava uma cueca de bolinhas, os subordinados se levantaram, mas respeitaram por ser o delegado, ele retirou a parte de cima deixando a vista um tatuagem de palhaço,  jogou a cueca sobre as pessoas que aguardavam. Os subordinados não podiam impedir,  pois a autoridade máxima tem autonomia para fazer coisas daquele tipo. As mulheres correram, alguns homens tentaram conter o delegado, mas os subordinados mostraram suas armas. Os homens se aquietaram, o delegado colocou apenas os óculos escuros e saiu pelado pelas ruas cantando musica de carnaval.

 

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso

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