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Adilson Cardoso
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Coluna do Adilson Cardoso – Testemunho de Fé

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Coluna do Adilson Cardoso – Testemunho de Fé

Éramos quatro, três meninas e um garoto, aliás, ainda somos, apesar da distância, estamos todos vivos, graças a Deus! Três Marias, acho que alguém da minha família gostava do romance de Raquel de Queiroz, mas éramos Marias diferentes daquelas. Maria Milho, Maria Mandioca, Maria Moranga e José do Espírito Santo. A explicação do meu pai era de que fomos concebidos cada um em um ano de fartura, como os outros tempos foram bem miseráveis, precisava agradecer dessa forma, eu sou Maria Mandioca! A palavra bulling talvez não existisse naquela época, mas o significado de zoeira, gozação, zombaria e a puta que pariu!  Ops, perdão Pastor! Sei como ninguém. Segundo minha mãe quando Maria Milho nascera meu pai já intimara, “Vamos caprichar que o próximo tem que ser homem”, lá foi minha mãe usar das simpatias que lhe ensinaram fazer as posições adequadas na hora do coito para gerar o Varão. Até chá de urina de Jegue ela bebeu, acho que por isso eu nasci com esta voz tão grave. O martírio da minha mãe continuara ano seguinte. “Se você não me der um filho desta vez, vou arrumar outra mulher!” Minha Avó fizera uma garrafada com raízes de diversas árvores da região, receita de um velho curandeiro, deixara enterrada embaixo do cocho dos garrotes, depois no sereno por uma semana, minha mãe tomaria no dia em que se sentisse fértil, mas o maníaco do meu pai não aguentara esperar, coisando nela antes da hora, quando Maria Moranga nascera ele tomara um litro de cachaça, como sempre fazia nos finais de semana, nascendo filho ou não, e fora conversar com minha Avó. “Dona Luduvina, eu já havia dito a ela, se não viesse um homem nesta barrigada eu iria arranjar outra mulher! Por isso estou vazando na braquiaria!” Dissera ele, sério e bêbado, mas minha Avó tinha uma contraproposta. “José Valdo, o que eu posso fazer é pedir que você não fosse procurar galinha em outro terreiro, Aqui tem a Lucindaura que se perdera  com o tal do Filomeno que ninguém sabe por onde anda, nem se volta para cobrir o mal feito! Leve ela e a coloque dentro da sua casa! Faça seu filho homem e seja feliz!” Minha mãe que já estava a ponto de correr louca por medo de perder o marido, se alegrara quando minha Avó entrara segurando minha tia pela mão, ela trazia um saco de roupas, escova de dente e algumas moedas. Os três passaram a dormir no mesmo quarto, minha mãe estava feliz com aquela divisão do marido. Depois de seis meses aquele triangulo ainda não havia frutificado, meu pai estava sedento e enervado. “Quero meu filho homem!” Gritava quando estava bêbado. Minha tia e minha mãe conversavam em segredos, precisavam fazer alguma coisa, não queriam perder o marido. Minha Vovozinha entrara novamente em ação, com uma prole de oito filhos vivos e criados, sendo que cinco era do sexo masculino, poderia ser a saída, ela era viúva, mas de vez dava seus pulos. No outro dia estava desarrumando a mala de roupas no interior da minha casa, passaram a dormir a mãe e as duas filhas na mesma cama, minha Avó gemia a noite inteira, às vezes levantávamos chorando com medo daquilo, minha mãe nos dava o peito e ninava depressa para atender meu pai. Depois de um ano naquela suruba, ele estava determinado a ir longe para ter seu filho. “Deste mato não sai Coelho” Dissera quando saia de cima da minha Tia. Foi então que minha mãe decidira ir até a Igreja!

— Aleluia, gloria a Deus! – Toda a Igreja se manifestou.

 — Lá encontrou um Pastor muito solicito que prometeu resolver o conflito do quarteto. Pediu que ela frequentasse aquele culto durante sete dias. No final da corrente minha mãe parecia outra, sentia como se o Espírito Santo crescesse em seu ventre, nove meses depois, José do Espírito Santo nascia com seus olhinhos verdes e sua pele clara, mesmo meu pai sendo bem tingido pela força da melanina, ele agradeceu a Deus pelo milagre.

— Oh gloria! Ô gloria!  Palmas pra Jesus! – Gritou o Pastor sendo ovacionado por toda a Igreja.

 

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