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Coluna do Adilson Cardoso – O nome de quê?

Coluna do Adilson Cardoso – O nome de quê?

Pablo estava sentado em frente ao computador. Tinha trinta minutos para justificar a sua admissão, era uma Empresa de Cosméticos.

Desempregado há dois anos recebia a primeira oportunidade após sair da cadeia por porte de drogas. Mas o branco era terrível na mente,  Bocejava, soletrava uma palavra em inglês que estava do lado esquerdo do monitor, vinham lembranças de fatos irrisórios, piadas, imagens, grilos cantando, o baseado que acabara de fumar, mas nada justificando sua admissão.

— Senhor Pablo já se passaram 10 minutos! – Falou á  moça que aplicava as provas.

— Tranquilo! – Respondeu com dedos armados sobre as teclas.

A inspiração não vinha, o pensamento dava todas as voltas, mas não convergia com aquilo que precisava. Observou  uma queimadura já cicatrizada próximo a unha do dedo médio, não sentia  dores ou algo que  incomodasse, mas aquilo tinha um formato de mapa, que mapa seria? Não conseguia se lembrar, era uma mapa brasileiro ou estrangeiro? A cabeça continuava floreando, vieram cenas do filme:  A montanha dos Gorilas – Queria fazer um entendimento subjetivo do porquê da não aparição do noivo da protetora dos gorilas, ela abandonara o noivo, depois se apaixonara por um fotografo da National Geografic que um tempo depois a deixaria, indo para outro lugar, Pablo involuntariamente sibilava algumas coisas referentes ao filme, Digit teve as mãos e a cabeça cortada.

— Senhor Pablo está tudo bem! – A moça olhava desconfiada.

— Claro, bacana!

— Sim, mas é para  responder apenas, o porquê que o senhor mereceria este trabalho, acho que não tem muito a ver com gorila  de cabeça cortada.

 Definitivamente  não tinha a menor noção do que escrever na folha, havia se esquecido qual era a pergunta.

— Senhor Pablo só faltam  02 minutos!

 Antes não sabia o que responder, naquela hora nem sabia o que havia sido perguntado, a folha branca com o sinal do cursor piscando, lhe parecia um farol no meio do mar, de repente a tela se enchia de um lindo mar azul, as ondas tombavam espumadas sobre a areia, era possível ouvir o grasnar das gaivotas, bem distante estava á ilha do tesouro, propriedade do Capitão Batata Doce. Mas dava sono ficar olhando aquele mar se balançando tão vivo, aqueles Golfinhos saltitantes como se chamassem para um passeio naquelas águas. Um longo apito avisava que um Navio estava chegando, talvez um cargueiro vindo das águas longínquas da Oceania, trazendo estrangeiros com seus costumes exóticos, seus dólares para gastar nas orgias dos cais, o apito ficava cada vez mais alto, o vento soprava tão forte que parecia mãos a tocar-lhe o rosto.

— Seu Pablo o tempo acabou! O senhor não colocou nem o nome?

— Nome de quê?

 

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso

 

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