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Coluna do Adilson Cardoso – A Formula de Berg

Coluna do Adilson Cardoso – A Formula de Berg

Há três dias ele estava no laboratório, para ir ao banheiro, trancava tudo e levava as chaves dependuradas no pescoço, a dedicação era grande para dar o prêmio de Jovens Cientistas ao Segundo Ano B, valia uma viagem internacional para a sala inteira. Também teria a exposição na mídia, e é claro a fama que ele individualmente conquistaria por ser o mentor do projeto. O desafio era criar o antídoto do sono manipulável, como descrito na carta deixada por seu avô, antes de desaparecer inexplicavelmente dentro da biblioteca no jardim da sua casa. A carta dizia que o sono manipulável era fazer com que a pessoa dormisse e fosse levada para um lugar planejado antes da indução, por exemplo, o velho arquitetava voltar no tempo, ano de 399 ou 400 a.c, julgamento de Sócrates, queria substituir a Cicuta por um tranqüilizante e assim que Meletos, Anitos e Licão dessem a sentença como cumprida, ele esperaria o tempo certo para acordar o Filosofo, desejava saber os segredos da oratória do filho de Sofronisco e Fenareta.  O avô de Berg também acreditava na teoria de que Cristo e algumas pessoas desaparecidas que nunca foram encontradas, estivessem em outras dimensões. Mas seus pensamentos eram sigilosos, além do neto que os ouvia por metades, tinha um caderno com códigos estranhos que se pareciam com escritas Cuneiformes mescladas com Mandarim, depois do seu sumiço ninguém conseguiu decifrar nada. Berg sendo famoso teria mais armas para seduzir Lara, a coleguinha do Segundo ano C, grande concorrente do segundo B, mas teria que ser muito melhor que Orion o nerd que criara o Pensamento Uniforme, sistema que fazia com que na hora das provas todos os alunos pensassem iguais, seguindo o mais capacitado, ele é claro. Dessa forma o Segundo C era considerado a turma mais adiantada, inclusive ganhando o premio Paulo Freire por dois anos seguidos. Faltava pouco, Berg não tinha noção de horas, trovões urravam distantes, um vento frio passava por uma brecha das janelas, ele voltava às operações rabiscadas na lousa, uma sequência de Cs + Hs sobre ypissilon era igual a X. Os olhos embaçados ás vezes misturavam tudo, ele dava passos para trás e realinhava, tirava a calculadora do bolso e conferia. Sorriu com certo alivio, na mesa uma jarra de vidro grosso resfriava soltando uma fumaça azulada. Era á hora do teste, seria ele sua própria cobaia, foi até a porta verificou as trancas, na cama improvisada no chão, esticou os lençóis e apalpou os travesseiros. Alinhou a roupa e planejou o sonho manipulável, voltaria a quatro de julho de dois mil e dez, biblioteca no jardim da casa do seu avô. Calculou seu Índice de Massa Corporal e pingou algumas gotas da Formula em metade de um copo com água, mas o cansaço de Berg havia desviado sua atenção, o fazendo pingar as gotas da formula em meio copo da mesma formula, que ele havia separado para medir o PH. Seu corpo tombou bruscamente sobre a cama, Berg imergiu num tenebroso apagão, ao verificar as fechaduras ele havia aberto, ao invés de trancá-las, assim como as janelas que recebiam fortíssimas rajadas de vento. Era um dia funesto, arvores se contorcendo sob a tempestade que arrastava carros e alagava as ruas, os frascos com porções em repouso começaram a ser empurrados uns contra os outros, pipetas se soltavam das prateleiras e se espatifavam no chão, a formula escorreu na enxurrada de outros líquidos que se libertavam dos vasilhames que continuavam caindo. Berg acordou assustado, seu pai conversava com um medico ao lado cama e sua mãe lhe fazia um cafuné com olhos de choro, tentou se levantar, mas sentia fortes dores na região abdominal, as mãos estavam pálidas e com sinais de picadas de agulhas, pequenos curativos eram vistos ao longo dos braços.  A sua direita havia um rapaz magro com a cabeça raspada e um faixa lhe envolvendo a testa, se olhavam intensamente, Berg o via segurando uma arma, apontando para outro que usava um boné do Mc Donalds, aquele se afastava pedindo que ele não atirasse, mas seus dedos apertaram o gatilho e o outro caiu com as mãos esticadas, clamando para não morrer. Da direção contraria viera um clarão de farol e vozes ordenando que baixasse a arma. Policiais o cercaram e prenderam seus braços com algemas, um deles bateu varias vezes com a coronha da Pistola na sua cabeça. Berg teve um súbito desmaio e voltou a dormir com grilos cantando em volta.  Acordou sentado na varanda de sua casa, aonde gostava de ficar mergulhado em suas leituras. Cecília, a irmã mais nova chegava sorrindo e falando ao celular, defendeu-se dos pulos de Logan o vira-latas que detestava a presença dos Pardais no quintal, e beijou a testa dele. Tinha um cheiro diferente, algo adocicado se misturando a suor masculino, Berg levantou a cabeça para olhar um pássaro na goiabeira e viu a irmã com a blusa levantada, ela estava sem sutiã, sentada sobre a mesa do professor que impedia que a porta da sala fosse aberta. Era Duílio, aquele que dava aulas de História com uma camisa estampada o rosto de Mona Lisa. Sua boca estava aberta engolindo os peitos pequenos de Cecília, seu pênis duro era massageado pelas mãos dela. Não sabia que sua irmã tão jovem já tinha uma tatuagem na bunda. Talvez os pais também não soubessem disso, nem de outras coisas que ela fazia.  Berg deixou cair o livro que lia e fechou os olhos para não ver mais aquilo, apertou os ouvidos, mas os gemidos estavam dentro dele. Seu pai passava pelo corredor das salas, perguntando a um grupo de garotas se a viram, elas disseram que não, mas sorriram fazendo movimentos de escova de dente na boca quando ele virou as costas. Berg se trancou no banheiro e vomitou os pedaços de maçã que havia comido, uma água ácida cheirando a azedo saiu junto, sentiu-se aliviado. Procurou esquecer os pensamentos que tivera, atribuiu ao cansaço e as coisas que vivera nos últimos dias. Lavou o rosto na pia, frente ao espelho viu que tinha uma remela no canto do olho esquerdo, retirou com o dedo e colocou na boca, não tinha gosto de nada conhecido, passou a língua sobre os ralos bigodes que despontavam desarmônicos e abriu o armário da pia, um barbeador cumprido e cinzento ainda tinha restos de pêlos. Berg também tinha algumas barbichas contornando o queixo, girou o rosto em duas rápidas sequências, dizendo coisas sem importância. Seus olhos se aproximaram do barbeador analisando aquelas pontas de pelos, alguns mais altos outros mais atarracados, uns mais negros outros grisalhos, o coração de Berg começou a bater forte, o cheiro almiscareiro como aquele que se exalava do corpo da sua mãe infestou o banheiro. Ela foi surgindo enrolada numa toalha, uma toca plástica em volta dos cabelos e uma pequena caixa de papel nas mãos, trancou a porta, certificando-se de que não seria aberta do lado de fora, olhou pela fechadura e passou como se ele fosse feito de fumaça.  Parou em frente ao espelho, retirou a toalha e apertou os seios que desciam quase ao umbigo, Berg estava em pânico, mas não conseguia tirar os olhos da mãe, ela tocava despudoradamente seu corpo, ria e afastava para olhar novamente. Ligou o chuveiro e sentiu a temperatura da água, desligou e rompeu a chave. Ligou em seguida deixando a ponta do pé embaixo e abriu com mais força. Deixou a água deslizar voluptuosamente pelo seu corpo, esfregou as nádegas e passou a esponja entre elas, virou-se e ensaboando a vagina peluda. Desligou novamente o chuveiro e esticou a mão em busca do barbeador que estava em poder de Berg, retirou alguns potes do lugar e apanhou o instrumento, era exatamente o mesmo que estava com ele.  Sentou- se acomodada na tampa do vaso e foi lentamente se depilando, passava o barbeador com suavidade de quem toca uma canção no Piano, Berg se virava para outro lado, trêmulo com repulsa e pavor. Mas as imagens estavam dentro dele, vivas e táteis, sua mãe estava lisa, perfumada e ainda mais sorridente voltando ao chuveiro. Berg tinha ciúmes do olhar que ela direcionava ao vazio, era capaz de ler as fantasias se movendo naquela cabeça, era algo libidinoso que lhe arrepiava os bicos dos seios, ela os beliscava de faces rubras. Passou a chamar pelo nome de Duílio, abriu a boca e aparou um filete da água, cuspiu repetindo o nome, passou as mãos em concha pela vagina e soltou um ai quase desfalecendo. Berg associava ao professor que abusara da irmã, sentia ódio, batia com força na parede, mas o soco passava como se atacasse o vento. Sua mãe foi até a caixa que entrara com ela, deixando á água cair sozinha num ruído de urina, abriu e retirou um vibrador grande e negro, beijou-lhe a ponta com saliva na língua. Ele não tinha mais dúvidas de que o Duílio era o mesmo, o Professor negro de boca larga e pênis grande que abusava da irmã e também comia sua mãe. Berg pedia a Deus que a mãe não fizesse aquilo a sua frente, implorou que lhe arrancasse daquele surto pecaminoso, mas o grito abafado não tinha voz. Ela continuava naquele êxtase chamando pelo nome e tocando em todo o corpo. De repente suspendeu a perna direita e colocou sobre a tampa do vaso, derramou sabonete liquido na ponta do vibrador e abriu os grandes lábios com dois dedos em pinça, Berg implorava que não fizesse aquilo, que fosse cortada aquela fonte de energia maligna que gerava aquele filme pecador. Poderia então matá-la, era melhor, havia uma navalha na gaveta, faria dois profundos cortes na femural, a mãe não escaparia não se importava com a alma nos infernos, se fodesse a salvação, o que não queria era continuar naquela tortura. Mas suas mãos eram como o ar, atravessavam as coisas feito os fantasmas de filmes. Estava banhado de suor, mas aliviou-se quando fortes batidas, pareciam querer derrubar a porta com a voz ansiosa do pai dizendo que precisava usar o banheiro, a mãe desapareceu misteriosamente. Berg voltou a si em frente ao espelho, balançando a cabeça negativamente e soltou um pavoroso grito de não. Seguiram novas e mais fortes batidas, ao abrir à porta, o pai, a mãe a irmã e a empregada, estavam de olhos arregalados sobre ele. Estático diante daquelas pessoas, passou a queixar-se de um barulho, como se um liquidificador estivesse triturando pedras dentro dos seus ouvidos.  Esquivou-se da mãe e fechou-se no quarto. Cessaram os ruídos dos ouvidos, mas a cabeça estalava como uma panela com caroços de milhos estourando e se transformando em pipocas, a cada estouro uma pipoca saia dos seus ouvidos. Ele tapou com as mãos, mas as pipocas saiam pelos olhos, ao fechar os olhos ás pipocas saíram pelas narinas. Deitou-se de lado e pressionou um dos ouvidos contra o travesseiro deixando uma das mãos livres para apertar o nariz, mas precisava respirar, por isso abriu a boca, de lá vieram cascatas de pipocas derramando sobre seu corpo. Berg loucamente com as mãos, girando feito hélice de ventilador foi se livrando das pipocas, à medida que as tocava, elas desapareciam. Quando sentiu que estava livre observou a mesa do computador com livros abertos, folhas de equações transbordando na lixeira do canto da parede e o pôster da Mulher Melancia pelada. Abriu um pouco a porta do quarto e viu os familiares conversando em voz baixa na sala, apesar de falarem muito baixo, identificou que havia uma voz masculina diferente entre eles. Fez psiu para Neta, a empregada da casa que passava ali perto e pediu água gasosa com limão, fechou a porta e deitou-se de olho no teto, apesar de não ter conseguido finalizar a formula para o Premio da Escola, estava vazio interiormente, sem preocupações ou temores, apenas um estranho desejo de matar o professor Duílio, Orion, sua mãe e sua irmã. Gostava de ler biografia de Psicopatas Americanos.  Imaginou uma gaiola dependurada no teto e teve uma imensa vontade de assoviar, assoviar imitando passarinhos, começou com um Sabiá, depois assoviou como um Canário, a seguir um Pintassilgo, até o Uirapuru que nunca ouvira cantar assoviou com esmero. De repente todos os pássaros resolveram cantar juntos, dentro dele, o barulho era estrepitoso, as cortinas tremulavam com o eco. Berg fechou a boca, mas os assovios saiam pelos ouvidos, apertou os ouvidos com uma das mãos, deitou-se forçando no travesseiro, os cantos ficaram presos dentro dele, alguns bicavam internamente as partes fechadas, buscando liberdade para cantarem, Berg resistia. Mas ele havia se esquecido de que usava apenas a calça larga do pijama, sem as cuecas, e foi ali no orifício anal que os pássaros desatinaram pelos cantos das pregas do cu de Berg, os bicos se esticavam como pequenas cornetas e logo todos os espaços do quarto eram invadidos, numa mistura de melodias do cantar dos passarinhos e dos peidos, que variavam entre; sutis feito Flauta doce e destemperados feito trombones. Berg tentou contrair ao máximo, mas não sustentou tempo suficiente, a orquestra desarmônica de peidos e cantos voltou com violência.

— Ei, ei, acorda filha da puta! Vai cagar na privada seu arrombado!

 Berg acordou ressabiado, estava deitado no chão frio em posição fetal com a cabeça sobre uma mochila cheirando a sangue e sujeira. Em toda a extensão da Cela havia beliches, lotadas de homens, nas paredes tinham pôsteres de mulheres nuas, pichações com símbolos de gangs e escudos de times de futebol. Varais de roupas cruzando o espaço e um garrafão de água escura sobre uma prateleira de tijolos. A frente dele um sujeito pardo de barriga proeminente, cabelos lisos mal penteados e muitas tatuagens, segurava uma espécie de facão.

— Quê isso gente?! Onde é que eu estou?

— Tu ta curtindo férias playboy! – Disse o pardo lhe dando pequenos chutes na perna.

— O que foi que eu fiz?

— Nada, nós aqui é tudo inocente, ninguém fez nada.

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso

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