Últimas Notícias

Coluna do Adilson Cardoso – Um Puteiro Chamado Paraíso

Coluna do Adilson Cardoso – Um Puteiro Chamado Paraíso

Minha Vó morreu atropelada, ela estava bêbada e tinha oitenta e dois anos. Meu pai não falava com ela, tampouco outros dois tios que trabalhavam de terno e gravata, atendendo como Advogados. Eles nunca conseguiram assimilar como a mãe resolvera ser prostituta aos sessenta e cinco anos. “Foda-se o cú é meu!” Dizia minha Vó ao ser questionada sobre aquela decisão. Ela era aposentada e ganhava o suficiente para comprar um carro popular a cada dois meses, pois fora durante décadas Pesquisadora de uma renomada Universidade de São Paulo. Vovó fazia os programas e avaliava o desempenho dos parceiros, aquele que agradasse ela pagava, os outros ela recebia o dinheiro e doava para a Igreja, era evangélica e tinha curso de Pastora, quando morreu havia operado alguns milagres. Um dia antes de morrer, dissera que tinha pena de mim, pois meus dois livros eram uma bosta só, os únicos quarenta exemplares vendidos nos dias dos lançamentos, foram pagos por ela. Eu não gostava daquela sinceridade, mas era ela quem pagava minhas contas, não poderia dizer que não queria ouvir, aos quarenta anos, eu nunca havia saído de casa a procura de emprego, vivia para escrever e ainda era um fiasco. Depois da sua morte, resolvi coletar historias de Puteiros e hoje vivo em um, me separei da minha esposa e amasiei com Bia Ciganinha. A vida mudou pouco, se antes eu vivia na aba da minha Vó, hoje estou nas asas de uma puta. Se  antes se eu tivesse  sido corno não ficara  sabendo. O livro sai em dezembro, minha esperança é virar um fenômeno de vendas e alugar pelo menos um cômodo para morar sozinho, não agüento mais, todas as noites ficar esperando minha mulher encerrar o expediente para eu lhe passar Hipoglós nas assaduras.

        Esta é a história  de Geraldo Zunidor, ele conta que se apaixonou por um travesti e se lascou. “Foi na cidade de Alma Santa perto de Leopoldo Brito, eu trabalhava de vigia na Clinica de Olhos São Roque. Trabalhava cinco noites e folgava duas, um dia fui á festa de São Cristovão na Praça dos Catetes, quando uma loura de dois metros de altura e com um perfume encantador, perguntou se eu tinha fogo, eu disse que tinha pra dar e vender. Ela riu e disse que também tinha algo pra dar. Tirei o fósforo do bolso e acendi o cigarro dela, ela beijou meu rosto. Eu com vinte e tantos anos de casado, não sabia mais o que era beijo de mulher, por isso me apaixonei na hora, fui atrás dela e dei a real. Baby você acredita em amor a primeira vista? Eu estou apaixonado por você, vou ser sincero se dependesse de mim, nós juntaríamos os trapos agora, meu pai tem um barracão que está desocupado, ela riu e disse que eu era lindo e beijou minha boca, escorregando a mão no meu bilau. Eu chorei de emoção, pois na época da escola eu só pegava dragão, tanto que meu apelido era São Jorge, mas a coisa continuou sinistra, quando me casei minha esposa já tinha mais de trinta, nunca havia namorado por conta da feiúra. Eu queria que todos me vissem com aquele mulherão, parecia Renata Fan, apresentadora do programa  Jogo Aberto, alguns invejosos ficavam rindo, dizendo que eu faria troca-troca, mas eu não entendi naquele momento. Peguei uma confiança muito rápida nela e lhe emprestei meu cartão de pagamento com a senha, pois ela precisava comprar coisas para enfeitar  nosso barracão. Fui compreensivo quando ela confessou que estava louca pra fazer amor comigo, mas no primeiro encontro eu poderia chamá-la de fácil. Despedimos-nos com um beijo longo na boca e um até amanhã. Cheguei em casa embriagado de amor, falei com a mulher que não suportava mais tanta feiúra, estava tudo acabado, arrumei as coisas e fui, sonhando com esposa de dois metros de altura com cara de Renata Fan. No outro dia esperei, ela não veio, não viera no outro, nem no outro, tampouco  no outro. Mas tive a noticia que o cartão estava estourado e minha divida era de quase quatro mil reais. Segundo a policia eu fui apenas uma das milhares de vitimas de Weslanny Merryn, codinome de Ailson Floriano Dias. Outra história que está no livro é de Valnicia Pereira, que gosta de ser chamada de Val. Nascida em Mato Seco-MG, ela  tinha o sonho de ser atriz, desde novinha demonstrava talento, o pai dava força e a mãe castigo. “Vai caçar jeito de estudar e ser uma coisa na vida! Arte é coisa de vagabundo!” Repetia a mãe. Um dia na escola, um professor dissera a ela que estava indo a São Paulo, e conhecia um cara na Globo, Val tivera o consentimento do pai, mas o não da mãe. Sendo obrigada a fugir sem um centavo na bolsa, a viagem era longa e o professor dissera sem rodeios, que poderia até pagar a comida, mas gostaria de algo em troca. Val assistia filmes de sacanagens e sabia o que ele estava dizendo. Foi um boquete para cada lanche. São Paulo era maior que ela imaginava, e o professor queria cobrar as coisas  da forma mais carnal que pudesse. Val aceitou, sonhando em ser atriz, mas o tal  cara da Globo parecia não existir. “Val vou pedir uma Pizza para nós, você quer mais alguma coisa?” Quando ouvia aquilo ela já tirava a roupa para pagar adiantado, e assim foram acontecendo ás coisas. Um velho viúvo estava alugando um apartamento do outro lado da rua, Val foi até ele com um shortinho colado mostrando aquele partido frontal, combinaram o aluguel e Val pagou adiantado. Assim foi com o vendedor de móveis, com o pedreiro, o encanador, o pintor e com o dono do bar próximo ao Ibirapuera. Val hoje é proprietária do Puteiro Paraíso que tem filial em varias capitais do Brasil e recentemente na Bolívia. Fazem atendimento a domicilio através do disque-Pizza, ligou comeu.

 

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso