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Coluna do Adilson Cardoso – Assediados

Ela estava no portão com seus cabelos molhados e seu cheiro de flor, as luzes da manhã emolduravam com esmero seu rosto angelical. O vestido de alças finas expunha a silhueta libidinosa dos seios fartos, para o deleite do jornaleiro que se equilibrava numa mão só sobre a bicicleta, para lançar os embrulhos por cima dos muros. Na calçada havia um tapete dourado, delicadamente urdido pelo frondoso  Ipê amarelo, que se abria sereno recebendo o frescor da brisa, os olhos dela que estavam mergulhados no espetáculo da natureza, desviaram chocando-se com a expressão pedinte do Jornaleiro na direção dos seus peitos. Os jornais haviam se desorganizado pelo sopro de um vento que surgia em torvelinho, fazendo ás páginas sangrentas dos jornais serem  eufemizadas pelas dicas de saúde, enquanto a política virava  roteiro de cinema. A moça constrangida pousou a mão ligeira sobre o colo e virou-se com faces coradas. Bloqueada e com a respiração ofegante, esperou que o Jornaleiro catasse suas folhas e continuasse sua entrega. Mas como sempre fazia, ela foi deslizando a mão sorrateira, até o volume dos seios estarem livres novamente e, serem apreciados pelo atabalhoado rapaz, talvez sem querer um dos botões se abria e, na ânsia de fechá-lo, ela tropeçou os dedos sobre outros que também não conseguiram segurar todo aquele peso. Os peitos robustos, não puderam mais ser contidos apenas com as finas alças do vestido, um deles saltou literalmente para fora das comportas de tecido leve. Um raio de sol furava o colorido daquele Ipê amarelo e projetava sua luz com manchas douradas no bico rosado, a moça circunspecta com seu cheiro de flor, fingia observar com sensata embriaguez um Colibri de rabo longo e esverdeado, que passava a procura do seu mel. Os jornais  que há pouco se juntaram, eram espalhados novamente  por aquelas tremulações que se apossaram dele, a moça  levantava o braço dando uma volta sobre a cabeça como se tocasse o pote da “Fonte de Dominique Ingres” não se importava mais que o outro seio despencasse  e  a brisa com sua língua fria, lhe circulasse as aréolas. Tampouco que o vestido arriasse e o  corpo fosse  exibido  alvo, sem pelos e sem pudores. Tentava mais uma vez e, como sempre fazia, entrou portão adentro nua de corpo em brasa, colocou um morango no canto da boca e o alisou com a língua salivada. Esperava que naquele dia fosse diferente, que o Jornaleiro esquecesse  as noticias que estavam voando, e entrasse por aquela porta e por aquele corpo. Mas após uma nova organização dos papéis, o rapaz lançou o rolo infestado de letras e saiu pedalando sua bicicleta. A moça resiliente, voltou ao portão, seus cabelos estavam novamente molhados, seu cheiro de flor era ainda mais forte, o vestido de alças finas expunha a silhueta libidinosa dos seus seios fartos, para o deleite dos Garis que trombavam uns nos outros, com seus sacos de lixos, espalhando papéis sobre aquela calçada forrada de flores amarelas.

 

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso

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