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Coluna do Adilson Cardoso – Sedento e atrapalhado

Coluna do Adilson Cardoso – Sedento e atrapalhado

Sedento e atrapalhado

— Qualquer dia faço como diz naquela musica do Capital Inicial, vou assistir a Rede Globo com  uma arma na mão, quando aparecer Galvão Bueno adeus televisão! – Falou Zarú enchendo o copo de cerveja.

— Aquele cara é foda! Assistir jogos de times mineiros contra Corinthians ou Flamengo quando ele narra, é só pra passar raiva! – Disse Budé enfiando um pedaço de Dobradinha na boca.

— Na musica do Capital Inicial diz é Francisco Cuoco! – Falou uma morena com luzes no cabelo, sentada à mesa ao lado.

O cara que estava com ela havia se levantado para ir ao banheiro. A moça tinha uma pequena tatuagem de borboleta no antebraço esquerdo, seus olhos castanhos claros realçavam sob as sobrancelhas bem desenhadas. Vestia uma camiseta branca com a palavra Love sobre os seios e, saia preta com um cinto acinzentado.

— Meu nome é Andressa! Desculpa a  intromissão na conversa, é que sou fã do Capital Inicial!

— Prazer Andressa, tem que se desculpar não! Eu não sou super fã do Capital Inicial, mas gosto de algumas musicas, Psicopata é uma delas! – Falou Zarú se virando totalmente para ela.

— Qual é o seu nome?

— Ah, sim desculpa eu agora! Eu sou o Ziraldo, mas pode me chamar de Zarú! Meu parceiro que não para de mastigar é o Buré!

— Opa, foi mal aê! Meu nome é Elias, mas todos me conhecem assim, por Buré! – Disse limpando a boca no guardanapo.

— Nossa que diferença de Elias pra Budé! – Observou Andressa expondo os dentes bem cuidados.

O acompanhante da moça saiu do banheiro e voltou pisando ligeiro, era alto de barriga saliente e braços fortes, tinhas os cabelos cheios,  penteados para trás e as pernas compridas e finas. As barbas eram ralas e um pequeno caroço se destacava na face, antes que a mulher dissesse alguma coisa se apresentou como Borges, passando o braço em volta do seu pescoço.

— Então Buré, porque não o chamam de Elias? É um nome tão bonito! – Disse Andressa com sorriso.

— É coisa da época de criança, acho até que foi castigo. Tinha um velho que morava sozinho próximo a nossa casa e,  também uma velha doida que corria atrás da gente, que tinha um apelido de Caburé, “Olha a velha Caburé” e todo mundo dava no pé. O velho  morria de raiva quando diziam que ele era namorado da velha Caburé. Com isso, eu e mais um grupinho de anarquistas passamos a  zoá-lo lhe  chamando de namorado de Caburé.  Quando ela  morreu, resolvi dar um susto nele, eu era bem  capeteado, vesti umas roupas da minha vó e coloquei um lenço queria que ele achasse que era a alma da doida, mas o desgraçado soltou os  cachorros  em mim, fui parar no hospital e no jornal com o nome da velha errado. “Moleque tenta assustar idoso vestido de Buré e se deu mal!”  Daí em diante passei a ser chamado de Caburé, briguei com meio mundo de gente, até ficar adulto e resolver  não ligar mais   com aquilo. – Concluiu  sorrindo.

O telefone de Borges tocou e ele saiu para atender. “Somos casados, mas nosso relacionamento é aberto para novas experiências” Bilhete escrito por Andressa e entregue aos rapazes. Buré que estava com outro pedaço de Dobradinha a caminho da boca, paralisou o garfo, Zarú olhou incrédulo para a moça e para o amigo. Ela voltou à cabeça para o local em que estava o marido e retirou outro guardanapo, escreveu um endereço e repassou a eles.  Borges voltou e pediu outra cerveja com uma porção de fígado acebolado.

— Amor, que tal deixar a outra cerveja para tomarmos em casa. Os rapazes são fãs do Capital Inicial e estão querendo fazer  novas amizades!  – Disse Andressa dividindo o olhar entre o marido e os rapazes.

— Por  mim tudo bem e eles querem? – Interrogou Borges

— Claro, claro que sim! – Responderam simultaneamente Zarú e Buré.

Borges pediu a conta, exigindo que a nota dos rapazes fosse incluída na dele. Mesmo sob protesto dos dois ele pagou tudo,  entrou no seu Prisma Joy 2017 e esperou que o seguissem.  Os dois vinham atrás numa Bros amarela, poeirada e barulhenta. Piloto e passageiro não piscavam os olhos do carro que ia a velocidade moderada entre 50 e 60 km/h, passava pelas cabeças o que se via na internet sobre casais liberais, o rosto bonito de Andressa atiçava a libido, cada um mentalmente tentava  destrinchar  aquele corpo robusto e seus mistérios sob as roupas.

— E o cara heim? Como será a participação dele na hora? – Disse Buré ao ouvido do amigo que pilotava.

— Acho que ele vai ficar na bronha! Alguns gostam de filmar!

— Tem que ter cuidado com isso, se ele filmar e botar na internet a Keila te mata e Larissa me põe na rua e pede o divorcio.

— Vamos seguir o que a mãe do Supla dissera, “relaxar e gozar!”

Edificio Aliens Green. O carro parou na entrada, motorista e porteiro trocaram algumas palavras. A moto veio logo atrás sem restrições de passagem. O pátio era bem cuidado, uma quadra imensa com arquibancadas, bancos recém pintados, algumas pessoas filmavam dois garotinhos correndo, os pais corujas ditavam os ângulos  das câmeras. A piscina estava lotada. Quando o casal desceu do veículo os rapazes se surpreenderam com o pequeno short de lycra que Andressa usava e,  pelo contorno das partes estava  sem calcinha. A blusa amarrada no umbigo ampliava  suas curvas,  tornando-as  mais exuberantes.

— Vai subindo com eles amor, vou pegar um gelo! – Falou Borges colocando os óculos escuros nos olhos.

Zarú que estava com a esposa em quarentena pelo nascimento da filha, esperou apenas que a porta do elevador se fechasse, para ir direto ao ataque, beijou o pescoço de Andressa, roçou o membro enrijecido na bunda dela e apalpou  seus peitos, Buré ainda tímido esperava sua vez.  Mas no segundo andar o elevador se abriu para duas senhoras com sacolas de compras, Zarú constrangido, colocou a mão na frente da calça e torceu para que elas descessem no próximo andar.  Tinha sangue pulsando até nos olhos, estava faminto por Andressa.

— Chegamos! – Disse ela.

Zarú descia frustrado, olhando às senhoras que continuavam no elevador rumo ao últimos andares. 815, um extenso corredor com replicas de quadros de artistas famosos nas paredes, uma imensa janela do lado esquerdo descortinando uma vista encantadora para a Serra Geral. Andressa observou os lados e percebeu que estavam sozinhos, então começou a procurar pelas chaves embaixo das roupas, levantou a blusa, abriu o sutien deixando os peitos à mostra, enfiou a mão dentro do short, exibindo um caminho de pêlos. Zarú tinha convulsões  feito cachorro nu cio, mastigaria viva aquela mulher, tamanha era à vontade.  Buré tímido se controlava disfarçando o desejo. Andressa saiu para buscar as chaves, prometeu não demorar. Enquanto ela descia, Borges chegava pelo elevador de serviços, com uma caixa de bebidas na mão, assoviava descontraído.

— Pensei que vocês já estivessem se divertindo! – Perguntou  andando lento.

— Ela esqueceu as chaves no carro! – Disse Buré.

Dependurada no dedo, Borges tinha as suas chaves que entregou a Zarú. O apartamento era luxuoso, amplo com imensas cristaleiras e estofados importados, uma escultura de Sereia adornava um dos cantos da sala. O marido de Andressa levou as bebidas até a cozinha e voltou com dois copos contendo um liquido amargo de forte teor alcoólico. Zarúr bebia inquieto olhando para a porta, imaginando a mulher entrar a qualquer momento ainda mais disposta, Buré com os goles ingeridos também estava pronto para a festa. Borges voltava novamente com uma bandeja de castanhas e um álbum grande de fotos, a identificação da capa era; Tambaba 2014. Deixou com eles e saiu da sala. Andressa esta plenamente nua em varias situações, o cabelo estava curto e picado, realçando  um brinco de pena de Pavão na orelha que descia até o peitinho bicudo e bronzeado.  Buré bebia mais um gole e mastigava castanhas, seu penis estava duro. Zarú enlouquecido, queria que Andressa abrisse logo aquela porta, não se importaria com o marido, já certificara que eram liberais.

— E ai rapazes, estão gostando das fotos? Andressa pede pra avisar que está subindo, tomem um banho e fiquem a vontade.  – Falou Borges apontando para o rumo dos banheiros.

Em poucos minutos os dois estavam perfumados e nus, bebiam mais um copo da bebida amarga que não sabiam o que era.  Bateram na porta, os dois se trombaram para ver quem chegaria primeiro, era Andressa acompanhada de um homem armado com uma Pistola. Zarú e Buré completamente pelados involuntariamente se protegeram um no outro, o homem não dizia nada só apontava a arma. Borges reapareceu também armado. Pegou o álbum de fotos e empurrou os dois para o sofá.

— Gosta de comer mulher dos outros não é seu talarico  fi- de-rapariga?- Falou segurando o cabelo de Zarú, que por medo estava com o pênis minúsculo e  encolhido sobre a bolsa escrotal. — Vamos fazer uma coisa? Vou perdoar  em troca  da  senha e do cartão! – Falou olhando para Buré.

— Que cartão? Não sei do que você ta falando? – Retrucou Buré com voz chorosa.

— Sabe não? Então, como fica o sarro na minha mulher dentro do elevador? – Gritou com o cano do revolver na cabeça de Zarú.

— Que cartão é esse Buré? Fala logo porra!

Reaparece Andressa, ofegante, vestida socialmente.

— Puta que pariu  seu idiota! Você confundiu os caras! O Oslo acabou de dizer que os caras ainda estão no barzinho!

— Vacilei porra! Mas ele me disse que era da mesa ao lado! – Falou Borges passando a mão na testa.

— Ao lado do pilar seu imbecil! Você leu a merda da mensagem  pela metade, sua Anta! – Gritou Andressa indo em direção a porta.

— O que faremos com eles? – Indagou o segundo homem, apontando a arma  para os peladões.

— Enfia o dedo no rabo desse ai que babou em mim no elevador! – Ponderou Andressa acendendo um cigarro.

— E o outro? – Quis saber Borges.

— Rasgue o tóba desse veadinho também e os leve nas suas  casas. Conheçam bem suas famílias. Eu sei que eles vão esquecer o que aconteceu hoje, mas no caso de baterem com a taramela, saberemos onde encontrá-los.

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso