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Coluna do Adilson Cardoso – Cotidiano de um Lunático

Coluna do Adilson Cardoso – Cotidiano de um Lunático

Estou isolado neste antro vazio, pela fresta da porta vejo o dia acontecer no quintal, com ruídos estranhos na casa ao lado. Um imenso cadeado está travando o portão. Minha mulher sai com ás chaves na bolsa e pede para eu ficar tranquilo, conta as gotas de Rivotril direto na minha boca e me beija na testa. Fico á vontade com minhas abstrações e tudo que rabisco nas folhas brancas e paredes. Recomendações dos dois últimos Psiquiatras estão em todos os cantos, dependurados na geladeira, na porta do armário, ao lado da televisão, até no espelho do banheiro, que raramente tenho vontade de olhar, aliás, olho quando tenho a impressão de que  meu pênis se  encolheu, o balanço por alguns minutos, quando  ele volta ao normal, desvio o rosto de mim. Leio quatro vezes ao dia bulas de tranquilizantes, acho que tenho a necessidade de ficar revendo aquilo. Já sonhei  sendo  Psiquiatra, meu consultório era no quarto andar daquele prédio amarelo, ali onde eu levava minha mulher para pagar o carnê do carro. Minha sala era imensa, tinha um televisor do caralho, frigobar, um sofá marrom no canto e uma maca de atendimento, eu só atendia tomando  Vodca, adoro vodca com açúcar e limão, eu tomava com Coca-cola, mas quando comecei a sentir dor no  estomago, o médico disse que eu devia parar de beber, pensei que era  melhor parar  de beber a Coca-cola, já li que tem corantes cancerígenos e umas porras misturadas que desentope até pia, não paro de tomar Vodca, já tomei com  Haldol, fiquei tão louco que corri pelado na rua, uns filhos da puta sem o que fazer me jogaram na Internet. No meu sonho eu atendia a Debora, uma amiga da minha mulher que ia  na minha casa sempre as sextas feiras, nesses dias o marido dela jogava bola e só voltava de madrugada. Eu pedia Debora para deitar e me contar tudo que ela sentia, ela gostava de se consultar comigo usando um vestido de malha curto, ele era branco com estampa de peixes, eu pedia para ela fechar os olhos e continuar falando, enquanto eu fitava o volume das partes intimas dela. Eu não gosto de me lembrar desse sonho, pois todas as vezes que eu a perguntava, qual era a sua maior vontade, ela respondia que era fazer amor comigo, seus olhinhos se abriam e sua boca de hálito hortelã me dizia; Toque em mim. Eu seguia aquele corriqueiro, mas prazeroso roteiro de começar pelo dedinho do  pé e ir até o triangulo volumoso, mas quando minha mão estava acima do joelho eu acordava. Porém eu passei a odiar a Debora, desde  quando ela contou a minha mulher que havia transado com o socorrista do SAMU, filha da puta, bateu com a moto e se achou na obrigação de agradar o cara, babaca, ele não fez mais que a obrigação. Então eu teria que comer todas as mulheres que aprenderam tocar violão comigo, eu era um profissional também.  Minha mulher brigou, achando que fiquei com raiva, “Ficou com ciúmes foi?” Fiquei! Pensei comigo, mas se eu falasse acordaria morto.

Ontem quanto eu tentava desvendar um enigma no chão do banheiro, um grilo vestido de soldado entrou batendo suas asas verdes, assustado pediu que o escondesse até que os mastigadores se retirassem da colônia, questionei quem seriam os mastigadores, ele  disse que eram agentes do Governo. Sai espaventado dali para me trancar no quarto. Ao chegar com suas sacolas plásticas com nomes timbrados, minha mulher estava sem um olho, antes que eu dissesse alguma coisa, ela chutou-me com violência, falando com uma voz que jamais havia escutado nela, “Você vai entregar o grilo aos mastigadores, para que eles devolvam meu olho!”

Repeti por seguidas vezes a mesma ladainha ao Psiquiatra. Este  é um velho com cara de Freud, eu já li algumas coisas sobre Freud e acho interessante ele falar sobre a libido, as vezes me masturbo muito. Me encontro numa situação critica, onde tudo que digo, Neurolépticos são usados contra mim. Então só estou escutando e anotando neste caderno.

 

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso

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