Semana Global do Empreendedorismo - CLIQUE AQUI

Últimas Notícias
Turbo Pesquisa - CLIQUE AQUI PARA MIAS INFORMAÇÕES
Inicio » Colunistas » Edson Andrade » Coluna do Edson Andrade – Chove Chuva Choverá

Coluna do Edson Andrade – Chove Chuva Choverá

Coluna do Edson Andrade – Chove Chuva Choverá

“Chove chuva, choverá

Santa Clara a clarear

Santo Antônio manda o sol

Para enxugar o meu lençol.”

Em minha superstição de menino, pedir o sol ao santo casamenteiro poderia significar meses sem chuva. Mas houve tempos, nessas paragens tropicais, chuva vazando pela cobertura de telhas francesas, fogão a lenha calado em cinzas frias, lenha molhada, em que a fome dos meninos, abraçados a trapos, pedia uma trégua aos céus. Eram meses seguidos de chuvas torrenciais e nossa mãe nos pedia, aflita: “façam olho de boi, façam olho de boi…”

As décadas viraram fumaça na cronologia das noites insones. A família superou fome e chuva fria, latrina seca e camas poucas para agasalhar nove corpos, mas não deixou de observar a natureza. E de participar dos tempos em que as águas tomaram rumos geográficos diversos e nos abandonaram. Eram meses de seca e gente inocente portando ramos em garrafas plásticas para a realização de novenas em busca de chuva. E fomos todos vencidos pela decisão férrea do ser verde maior que governa todas as estações.

Cai alvissareira em bonança
Híbrida lágrima que anuncia
Uivos de vento em ventania
Vórtice de água e esperança.
Amor e luz em pleno dia.

O menino magricela tornou-se poeta. Inarredável dele, o amor pelas coisas que caem do céu. A muitos quilômetros dele, a ingênua crença de que feições desenhadas em fé transformam sol em chuva, fome em abundância. E permaneceu perscrutando o espaço azul e os informes meteorológicos.

O fenômeno da observação meteorológica tomou conta do país. Na televisão, a presença marcante de Maria Júlia Coutinho; nas previsões herdadas da cultura popular, o canto do sabiá e o trilado inconfundível das cigarras em tempos estivais para o anúncio certeiro de que “chove chuva, choverá…’’ Enquanto isso, o homem do campo convive com seus dramas, seus animais sedentos e sua grama calcinada pelo sol. E inarredável tece os dias com sua fé absurda e fundamental.

O autor é escritor, professor, jornalista, radialista e advogado.

 

Edson Andrade
Edson Andrade

Aviso

  • • Nossos editores/colunistas estão expressando suas opiniões sobre o tema proposto e esperamos que as conversas nos comentários de artigos do JORNAL MONTES CLAROS sejam respeitosas e construtivas.
  • • Os espaços de comentários em nossos artigos são destinados a discussões, debates sobre o tema e críticas de ideias, não as pessoas por trás delas. Ataques pessoais não serão tolerados de maneira nenhuma e nos damos ao direito de ocultar/excluir qualquer comentário ofensivo, difamatório, preconceituoso, calunioso ou de alguma forma prejudicial a terceiros, assim como textos de caráter promocional e comentários anônimos (sem nome completo e/ou e-mail válido)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *