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Coluna do Edson Andrade – Tapete vermelho

Coluna do Edson Andrade – Tapete vermelho

Tenho como prática o ufanismo do meu país – grande e bobo – e das sensações de que algo aqui está dando certo, não obstantes as tragédias na condução social, econômica e política das gestões públicas. Como servidor da Saúde, há 44 anos – protagonista de planos mirabolantes, programas, Projeto Montes Claros de fartas ideias e SUS – neste último dia 28 de outubro fui surpreendido com um tapete vermelho estendido nas escadarias de nossa Superintendência Regional de Saúde. Sim, nossa superintendente inovou, do alto de sua sensibilidade e, coadjuvada por outros servidores, teve a feliz ideia de nos honrar, com recursos financeiros próprios, para homenagear mais de duas centenas de trabalhadores com a lembrança e o reconhecimento de que somos úteis, perseverantes, sérios e cumpridores de nossos deveres de cidadãos a serviço do Estado de Minas Gerais.

Uma lembrança redime à perfeição o presente. E nos remete ao valor de que tanto necessitamos. Um gesto ínfimo resgata nossa importância e nos faz sorrir. E o desfile no tapete vermelho gerou momentos de prazer, alegria e alguns passos de dança. Somos o Estado, somos o Projeto Montes Claros, somos o SUS e nos honramos do trabalho árduo, mas gratificante do dia a dia.

O Projeto Montes Claros originou-se em 1974, escrito e implantado por uma equipe minúscula de técnicos comprometidos e corajosos. Todos nós viajamos o norte de Minas, desprotegidos de intempéries e acidentes, para construir postos de saúde, centros de saúde e esperança nos olhares do povo resiliente, gente teimosa e laboriosa de nossa região. Eram sacrifícios refletidos no suor de nossa coragem. Sobretudo, foram dias vagando na vastidão inóspita dos recantos norte-mineiros, levando vacinas em caixas de isopor, medicamentos, cartilhas e treinamentos, consultas médicas e supervisão de todos os serviços. Acima de tudo, conduzíamos um misto de fé com entrega da melhor assistência, não obstantes incredulidade de muitos e inação de uma estirpe política que perpetua a incompetência e o poder.

Muitos dos nossos já foram inumados e os vivos não forjaram um panteão em sua honra e memória. Eles Marcaram a História da Saúde no âmbito regional e auxiliaram na consecução da fé de tantos. Hoje, são lembranças de nossa gratidão. Os que restaram da origem do Projeto – poucos, é verdade – ainda teimam em permanecer, não raro motivados pelos baixos salários e a certeza de aposentadorias abaixo da linha da mediocridade.

O tapete vermelho nos redime. E nos projeta um futuro daltônico face à inobservância do que é direito e valorização. Ainda assim, após um 28 de outubro sem homenagens, somos transportados ao sonho do tapete vermelho, prenhes, todos nós, servidores públicos da Saúde, da certeza de nossa utilidade e da esperança de que legaremos à história o tempo que a vida e o trabalho nos possibilitam.

O autor é escritor, professor, jornalista, radialista e advogado.

 

Edson Andrade
Edson Andrade

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