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Coluna do Edson Andrade – O espelho que nos revela

Coluna do Edson Andrade – O espelho que nos revela

Qual Narciso, mergulhamos nossa aparência no espelho trágico e nos revelamos. Ali, nas sombras do que realisticamente somos, perdemos a capacidade e o equilíbrio face à inexorabilidade do tempo e nos cremos injustiçados. Porque envelhecer não é uma opção.

Toda longevidade feliz está na contramão dos traços em que nos perfizemos belos e atraentes. Toda vaidade será punida com o reflexo no espelho de cristal ou de água, a exemplo do que experimentou o jovem Narciso, ensejo em que se apaixonou pela própria figura e mergulhou nos braços das traiçoeiras águas cristalinas e mortais. Narciso se revelou belo. As águas tragaram-no para a mais bela das criaturas: a Natureza.

Reside a dúvida no labirinto de nossa proverbial incompreensão: sermos velhos não significaria o privilégio de que não gozou o jovem morto na precocidade do seu tempo exíguo? Vivermos mais e nos depararmos com o nosso lado feio não seria a extensão do tempo em vida não permitida a muitos? Por que sou feio no estertor da curva de minha idade? Por que me não conservo belo na ilusão do tempo transato?

É facilmente perceptível – sobretudo para quem tem familiaridade com a nobre Psicologia – que as redes sociais estão repletas de revelações dos que, no jogo do tempo, venceram o relógio e se fizeram mais velhos. São textos e mensagens marcados de angústia. Não deveriam essas pessoas se orgulhar do chronos vencido? Tais manifestações revelariam um desejo recôndito do direito ao tempo maior ou seriam cartas magníficas de aceitação do que é inelutável?

“Compositor de destinos/tambor de todos os ritmos/tempo, tempo, tempo/Entro num acordo contigo/tempo, tempo, tempo, tempo.” Em Oração ao Tempo, Caetano Veloso brilha ao designar o tempo senhor de todos os destinos. A melodia ganha graça e afinação na voz de Maria Gadu, mas não perde, com seu autor, o brilho de uma voz invencível até mesmo na terrível batalha contra o… tempo.

Somos fruto de nossas crenças. Uma delas é a imortalidade. Abríssemos uma cova para exumar nossas dúvidas e ali teríamos: nada. Diante da real fotografia de um espelho em sete palmos, eis que, supostamente, prestaríamos continência respeitosa ao mais soberbo de seus galões: os generais cinco estrelas em cujas guerras forjaram uma beleza eterna, mas se curvaram perante a percepção de que tal privilégio sequer está presente nas variadas possibilidades da própria e divina Natureza.

Aos que choram e lamentam a perda do viço, da força e do vigor de sua aparência física e de suas faculdades mentais, melhor o comprazimento na solução do humor e da aceitação pacífica. Porque somos mortais e nossa única e grande glória consiste em sermos eternos pelo que legamos de bom aos que nos imitam e pela obra que nos marca o tempo.

O autor é escritor, professor, jornalista, radialista e advogado.

 

Edson Andrade
Edson Andrade

 

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