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Trabalho emocional: entenda do que se trata e por que ele geralmente não é remunerado

Trabalho emocional: entenda do que se trata e por que ele geralmente não é remunerado

Mesmo com o aumento de discussões sobre o tema, esse trabalho permanece invisível. 

Trabalho emocional: entenda do que se trata e por que ele geralmente não é remunerado

 

No Brasil, as estatísticas sobre saúde mental mostram o crescimento de pessoas com transtornos como depressão e ansiedade, problemas que aparecem aqui com maior frequência e nos torna o país mais ansioso do mundo. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil conta com mais de 19 milhões de ansiosos, ou seja, ou 9,3% da população.

Escolas, empresas, universidades, consultórios, jornais, hospitais, grupos on-line… Não são poucos os espaços tomados nos últimos tempos por discussões sobre inteligência emocional. Essa habilidade se refere à capacidade de cada indivíduo reconhecer, entender e lidar com as emoções próprias e alheias. Associado a ela, existe o trabalho emocional, que designa a capacidade de cuidado com o outro.

Habilidade emocional

Controlar os impulsos, ouvir o que outras pessoas têm a dizer — mesmo que isso confronte o que você defende —, perceber quando emoções, como a raiva e o medo, surgem em um diálogo e encontrar meios equilibrados de lidar com isso são alguns exemplos da habilidade emocional.

Antes vistos como opostos, a razão e a emoção se tornam cada vez mais conectadas na busca de uma vida emocional equilibrada. Antes de entendermos o que se passa com o outro, precisamos aprender a ler nós mesmos, o que exige paciência e compaixão.

Saber nossos pontos fortes e reconhecer os aspectos que podemos melhorar nos torna mais capazes de lidar com os inúmeros desafios do cotidiano: desde a pressão por resultados no trabalho, uma briga com o cônjuge, um desentendimento com o filho ou o aparecimento de um problema de saúde na família.

Também conhecida como “quociente emocional”, a importância dessa inteligência não se restringe à área da psicologia, mas vem se tornando tópico importante no mundo dos negócios. Ao estruturar a comunicação interpessoal, tal inteligência é uma das habilidades de liderança cada vez mais requisitadas hoje.

Apesar dessa habilidade ser tão antiga quanto os próprios humanos, o termo “inteligência emocional” foi cunhado por psicólogos somente em meados da década de 1980, tendo, desde então, se disseminado por outras áreas como educação e cultura e aparecendo nos noticiários.

O não reconhecimento de atividades realizadas por mulheres

Foi nessa mesma década que a socióloga estadunidense Arlie Hochschild cunhou a expressão “trabalho emocional”, em referência às atividades emocionais e subjetivas não remuneradas mais comumente desempenhadas por mulheres em diferentes espaços, desde o ambiente doméstico até o de trabalho.

Fazer as compras do mês, saber como está o desempenho dos filhos na escola, comprar todo o material escolar deles antes do início das aulas, levar os pais ao médico, lembrar dos aniversários e comprar os presentes de natal da família… esses são alguns exemplos desses encargos emocionais que passam invisíveis no ambiente doméstico e familiar.

Contudo, esse trabalho também está presente em outras esferas da vida da mulher, como o trabalho. Manter o escritório organizado, ter uma palavra de apoio a um colega que não conseguiu bater a meta do mês, gerenciar conflitos e saber manejar um problema com diplomacia e gentileza. Desse modo, trabalho emocional também se refere ao cuidado com a autoestima e o bem-estar de outras pessoas.

Embora a divisão sexual do trabalho seja mais debatida hoje, existem trabalhos que não são sequer reconhecidos como tais. Mesmo ocupando o mesmo cargo que outro homem em uma empresa, é comum que mulheres tenham uma lista invisível de “tarefas subjetivas”, como as citadas acima, a serem cumpridas em seu cotidiano no trabalho.

Entre os efeitos psíquicos dessa sobrecarga das mulheres, podem-se citar a ansiedade, o cansaço, a irritabilidade e a baixo autoestima que nasce da sensação de não ser suficiente para responder a todas as demandas. No aspecto econômico, essa divisão invisível do trabalho emocional aumenta a desigualdade salarial, segundo um estudo publicado em 2004.

Essa pesquisa demonstrou como essa diferença sobre as expectativas do trabalho emocional a ser realizado por homens e mulheres direciona mulheres para alguns nichos de trabalho, como a área da saúde, educação e cargos administrativos, como recepcionista e secretária.

Dessa maneira, a ideia socialmente construída de que mulheres são naturalmente mais aptas a agir segundo essas habilidades emocionais as direciona maciçamente para algumas profissões, o que gera uma segregação ocupacional e desigualdades salariais.

Mesmo com uma redução dessa desigualdade, a diferença entre a remuneração paga a homens e mulheres no país em 2019 era de 20,5%. A não-remuneração do trabalho emocional é um dos fatores que intensificam essa desigualdade.

Embora os debates sobre as discriminações de gênero tenham crescido nos últimos anos e a saúde mental se torna cada vez mais uma questão de saúde pública, o trabalho emocional de cuidado com outras pessoas continua não reconhecido e, com isso, não remunerado.

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