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Como a pandemia acelerou a tendência de digitalização no setor de turismo?

Mesmo ainda sendo cedo para prever com alguma segurança como será o turismo pós-pandemia, algumas tendências fortalecidas desde o início da disseminação da Covid dão sinais de que vieram para ficar.

A vacina contra a Covid-19 foi criada, mas ainda é difícil apontar com segurança quais serão os impactos que ela vai deixar mesmo quando estiver sob controle de governos e autoridades sanitárias.

A pandemia impactou fortemente a economia mundial, mas isso não ocorreu de forma homogênea para todos os segmentos. Alguns viram um aumento vertiginoso de faturamento, como os serviços de entrega de comida, supermercados, produtos de higiene pessoal, entre outros.

Porém, houve setores que foram fortemente prejudicados, como a indústria cultural e o turismo. Dados da Fecomercio apontam que, entre o início da pandemia e fevereiro de 2021, o turismo no Brasil teve um prejuízo financeiro de R $65,6 bilhões, o que resultou em perda de empregos e fechamento de inúmeros estabelecimentos hoteleiros e serviços turísticos.

Mudanças

A pandemia ainda não acabou, mas notam-se sinais de algumas mudanças que devem seguir fortes mesmo quando isso acontecer. Uma maior higienização dos espaços hoteleiros e visitas a pontos turísticos mediante agendamento virtual prévio são alguns exemplos disso.

No Brasil, o turismo doméstico acaba sendo a aposta possível no momento, já que menos de 25% da população brasileira está completamente imunizada. Se o padrão de gastos não é o mesmo, pois muita gente perdeu o emprego ou parte de sua renda mensal, um levantamento da Travel Consul aponta que houve um aumento de 43% das viagens domésticas no país.

O fenômeno é fácil de entender: além de ser mais barato (já que o real brasileiro está bastante desvalorizado em relação a outras moedas), a prioridade é viajar para destinos não tão distantes do local de moradia. Isso permite deslocamentos mais rápidos feitos por carro, evitando o compartilhamento de um determinado espaço com muita gente, como ocorre nos aviões.

A aposta do setor é que isso incremente o turismo nacional futuramente, já que os turistas brasileiros estão se permitindo conhecer lugares no país, o que poderia não ocorrer se as viagens internacionais já pudessem ser feitas.

Digitalização

Outra grande aposta dos especialistas da área é o aumento da digitalização no turismo. Para isso, é preciso investir em Inteligência Artificial (IA) para minimizar as interações físicas entre os viajantes. Além disso, a tecnologia também pode ser utilizada por governos locais para organizar programas de vendas virtuais, em que há simulações de viagens. Essa iniciativa já é realidade nas Bahamas.

A impossibilidade de viajar provocou um represamento da demanda. A ideia de quem trabalha na área é aproveitar ao máximo a reabertura para recuperar um pouco do prejuízo obtido com a pandemia. Isso já está exigindo maiores investimentos em cibersegurança, a fim de evitar fraudes e violações de dados e conquistar a confiança dos clientes, proporcionando a eles uma boa experiência de compra.

Essa digitalização também pode ser vista no crescimento da busca por hospedagens e roteiros personalizados, o que também é permitido através da IA. Por fim, o turismo virtual ganhou ainda mais força com a pandemia e deve se manter (e ser combinado com o roteiro presencial) nos próximos anos.

Hoje, já existem mais representantes turísticos que oferecem roteiros de viagem online e passeios por videoconferência, a fim de proporcionar novas experiências de forma menos arriscada aos viajantes. A ideia não é que o turismo virtual substitua o presencial, mas que ele seja utilizado para aumentar a curiosidade dos viajantes (e instigá-los a conhecer um local pessoalmente).

Nesse contexto, a frase do escritor Henry Miller nunca foi tão verdade: “Um destino nunca é um lugar, mas uma nova forma de enxergar as coisas.” É esperar para ver como a crescente digitalização no turismo deve nos proporcionar novas maneiras de viajar.