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Inclusão: apenas 1% das pessoas com deficiência possuem emprego formal

SÃO PAULO 14/10/2021 – Mais do que contratar uma pessoa com deficiência para o cumprimento da lei, é necessário quebrar este paradigma e o preconceito que infelizmente ainda existe.

Um levantamento realizado pela Associação Brasileira de Recursos Humanos aponta que 81% dos recrutadores contratam pessoas com deficiência somente com o intuito de cumprir a lei.

De acordo com IBGE e o Ministério de Saúde, no Brasil há mais de 17 milhões de pessoas com deficiência; delas apenas 1% possui trabalho formal. A Lei de Cotas 8.213/91 – criada em 1991 – obriga empresas de todas as áreas a contratar pessoas com deficiência, no entanto, a lei só é válida para instituições com mais de 100 colaboradores contratados.

Um levantamento realizado pela Associação Brasileira de Recursos Humanos aponta que 81% dos recrutadores contratam pessoas com deficiência somente com o intuito de cumprir a lei. Embora, atualmente, empresas de grande porte contem com vagas exclusivas para pessoas com deficiência, o alvo de grande parte dos recrutadores não é PCD (pessoa com deficiência).

O avanço das tecnologias e das pesquisas da neurociência, trouxe maior clareza no que se refere aos vieses positivo e negativo das funcionalidades do cérebro. O doutor em física e professor no Instituto de Tecnologia da Califórnia, Leonard Mlodinow, apresentou em seu recente estudo, diversos dados de como o inconsciente domina a maioria das decisões, atitudes e comportamentos dos seres humanos: “O cérebro vai categorizando e criando preferências por grupos, e, estas preferências, ficam escondidas no inconsciente, influenciando, imperceptivelmente nossas ações”.

Uma pesquisa realizada pelo IBOPE em 2020 concluiu que pessoas com deficiência ainda sofrem preconceito no mercado de trabalho. O capacitismo é o pensamento de que a pessoa seja incapaz de realizar algum tipo de tarefa devido à sua deficiência. Luciana de Carvalho é coordenadora geral de fiscalização do Trabalho do Ministério de Economia e atribui a discriminação como fator que atrapalha a contratação de pessoas com deficiência: “A principal barreira é o preconceito. O foco precisa ser nas potencialidades. É a pessoa que vai lhe dizer do que é capaz”.

Para Maiza Claudia Vilela, enfermeira responsável pela tese intitulada: “Inclusão de Pessoas com Deficiência em Empresas do setor Industrial”, defendida na Faculdade de Educação Física da Unicamp, a falta de informação da legislação é uma das principais causas das dificuldades na contratação de PCD: “Existe um desconhecimento em relação à legislação. É algo que deveria ser instituído nos cursos de graduação. As pessoas precisam conhecer a lei para aumentar a adesão das empresas”.

Neiva Gonçalves, Diretora de Carreira da Success People — empresa de desenvolvimento pessoal situada em São Paulo, que atende em todo o território nacional e internacional — trabalha na área de Recursos Humanos há mais de 20 anos e comenta que o conhecimento da legislação é um caminho, entretanto, não é o fator transformador: “Quebrar o preconceito existente é o principal desafio. Muitas empresas perdem profissionais altamente capacitados por consequência da falta de informação e pensamentos discriminatórios. Mais do que contratar uma pessoa com deficiência para o cumprimento da lei, é necessário quebrar este paradigma e o preconceito que infelizmente ainda existe no mercado de trabalho”.

Luciano Mello, Presidente da Neuro Success, desenvolve projetos aplicando a Neurociência na Diversidade e Inclusão com os colaboradores e clientes: “Preconceito é um sentimento hostil formado antes de uma experiência e um conhecimento adequado. Estereótipos são generalizações que as pessoas fazem sobre comportamentos ou características. O cérebro precisa analisar milhares de informações por segundo, ele procura por padrões criados ao longo de nossa vida, é como um piloto automático. A neurociência é um dos caminhos que auxiliam quebrando padrões tendenciosos”.

 

Website: http://www.neurosuccess.com.br