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Hormônio do crescimento também pode ser usado por adultos

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Substância melhora a calcificação dos ossos e proporciona bem-estar psicológico

Produzido pela hipófise, o GH (sigla do termo em inglês Growth Hormone) é fundamental para o desenvolvimento físico de crianças e adolescentes, além de regular funções importantes do organismo. Já sua fórmula sintética, desenvolvida em laboratório, é utilizada na fabricação de medicamentos de alto custo, que costumam ser receitados pelo médico para tratar problemas de crescimento.

De acordo com a farmacêutica multinacional Pfizer, a deficiência do chamado “hormônio do crescimento” é uma condição rara que prejudica o desenvolvimento do corpo. Ela atinge uma a cada 4 mil crianças no mundo e costuma ser diagnosticada depois dos dois anos de idade, quando o bebê não cresce como o esperado.

Em crianças, sua indicação pode ser útil em casos como o da síndrome de Turner, (doença cromossômica que leva à falta de crescimento), insuficiência renal e bebês pequenos para a idade gestacional, com baixo peso ao nascer ou prematuros.

Em entrevista ao portal on-line do Dr. Drauzio Varella,  Marcello Bronstein, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), destaca os benefícios da prescrição correta do hormônio e os malefícios do abuso dessa substância endócrina em adultos.

Como o hormônio do crescimento é produzido?

Conforme explicação de Bronstein, o GH age no organismo por completo, promovendo não só o crescimento longitudinal, mas também o das células em geral. Ele alerta que esse padrão de funcionamento difere de outros hormônios produzidos pela hipófise — geralmente reguladores do funcionamento de glândulas, como as adrenais, os testículos e os ovários.

O GH atua por um intermediário, produzido no fígado e em células ósseas e musculares. Essa ação conjunta é responsável por parte significativa do anabolismo do corpo, sendo fundamental ao crescimento e o desenvolvimento de todos os seus tecidos.

Atualmente, o hormônio do crescimento pode ser produzido em bactérias por meio da tecnologia do DNA recombinante. Nesse sentido, quando o gene do GH é inserido nas bactérias — geralmente nas do tipo Escherichia coli —, elas o produzem em quantidade ilimitada, possibilitando a sua utilização em diferentes situações clínicas.

Hormônio do crescimento em adultos

Conforme ressaltado por Bronstein, quando a comunidade científica descobriu que era possível produzir GH recombinante em quantidade ilimitada, estimulou a realização de diversas pesquisas para apontar condições de uso desse hormônio, ligadas ou não à deficiência na sua produção.

Foi dessa forma que, nas duas últimas décadas, descobriu-se que ele também pode ser usado para dar continuidade ao processo de construção do organismo de adultos.

Indivíduos que adquiriram a síndrome da deficiência do GH — algo que pode ocorrer por radiação, cirurgia na hipófise ou traumatismo craniano — apresentam um quadro caracterizado não pela falta de crescimento, já que alcançaram a altura total, mas pelo conjunto de outros sintomas que podem guiar o diagnóstico.

Alguns indicativos são aumento do colesterol e dos triglicérides, aumento da massa gordurosa, diminuição da massa magra e tendência à descalcificação dos ossos. Além desses sinais, observa-se também uma predisposição à síndrome metabólica que, consequentemente, leva à intolerância à glicose e ao aparecimento de diabetes.

Estudos feitos em parceria com o endocrinologista Bronstein sobre a reposição do GH em adultos com deficiência em sua produção evidenciaram que a versão sintética do hormônio ajuda a manter músculos e gorduras em proporções adequadas, melhora a calcificação dos ossos e promove bem-estar psicológico a diversos pacientes.

Uso abusivo do GH

O hormônio do crescimento também é utilizado para outros objetivos diferentes das situações aprovadas pela comunidade médica. Há quem recorra a essa medicação para combater o envelhecimento, aumentar a massa muscular e melhorar a performance em exercícios físicos.

Não existem estudos, contudo, que indiquem o benefício do GH para esses fins. Pelo contrário, o seu uso abusivo pode ser acompanhado de diversos efeitos colaterais.

Segundo Bronstein, apesar de um subgrupo de idosos beneficiar-se do uso correto e controlado do hormônio em circunstâncias específicas e extremas, a sua indicação para pessoas fora dessa categoria com o intuito de combater o envelhecimento é totalmente contraindicada.

As doses que seriam necessárias para alcançar algum efeito podem desencadear efeitos colaterais adversos. Embora a quantidade elevada de GH possa aumentar a massa muscular, ele não proporciona mais força quando comparado a um exercício físico, por exemplo.

O excesso do hormônio no organismo também pode desencadear a acromegalia, crescimento exagerado de algumas partes do corpo que desfigura a fisionomia e aumenta as extremidades. Além disso, provoca diabetes e hipertensão arterial com frequência.

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