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Leandro Heringer
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Coluna de Leandro Heringer – Matrix está chegando. E, agora?

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O filme Matrix, estrelado por Keanu Reeves, foi um divisor de águas no final do século XX e início do século XXI. Um mundo dominado por máquinas em que uma resistência humana lutava contra a dominação de uma imagem formada virtualmente de uma realidade falsa. A matrix a quase todos dominava e iludia.

Uma das cenas mais emblemáticas mostrava uma das protagonistas, Trinity, baixando instruções de como pilotar um helicóptero em seu cérebro. O inverso da aprendizagem de máquina. Um aprendizado em tempo real. A potencialização do uso da tecnologia contra o domínio da própria tecnologia.

A referência a outro filme com temática semelhante, embora com outra abordagem, é necessária: Exterminado do Futuro. Nos anos de 1980, a percepção de uma inteligência artificial em um androide com forma humana que eliminaria a esperança da humanidade.

Percepções “apocalípticas” da tecnologia são exemplificadas nos filmes acima. No plano “real”, um novo contexto é apresentado. Máquinas são ensinadas a apresentarem diagnósticos médicos precisos e em menor tempo que análises humanas. Jogos com realidade aumentada mostram “monstrinhos” dentro de casas e outros espaços.

Em 19 de setembro de 2023, a  Neuralink, startup de chips cerebrais do empresário bilionário Elon Musk, recebeu a aprovação de um conselho de revisão independente para iniciar o recrutamento para o primeiro teste em humanos de seu implante cerebral para pacientes com paralisia.

Quais as possíveis relações entre filmes, jogos e medicina? Longe de ter, pessoalmente, uma noção pessimista da tecnologia, é necessário avisar que a última barreira para a instalação da Matrix pode estar perto do fim. Pessoas geram dados o tempo todo. Compras por meio de cartões, transações eletrônicas, troca de mensagens, mapeamento de trajetos por meio de GPS, dados de saúde, audiência televisiva, preenchimento de formulários são alguns exemplos cotidianos de dados que são criados cotidianamente sobre cada pessoa.

Com tecnologias que tenham, em tempo real, leitura de dados acerca do comportamento corporal (relógios inteligentes e chips instalados no corpo) a última barreira para separação do humano e da máquina é derrubada. O próximo passo da evolução é o ciborgue. O homo hibridus. Uma mistura de humanos e máquinas.

Com tantos dados sobre uma pessoa, torna-se possível criar uma simulação de comportamento que prometa a imortalidade. Um simulacro que possa ter voz parecida, pensamento similar e até estilo de vida baseado no original humano.  Uma promessa de imortalidade que chegue ao ponto de conversar com uma suposta consciência de quem já se foi. A possibilidade de relacionar-se com uma “versão melhor de si mesmo”.

Os resultados da interação com a tecnologia não são neutros. Criam algo novo. Não necessariamente bom ou ruim. Um híbrido. O controle sobre esse híbrido é apenas um desejo. A Matrix está vindo. Rápido. Como agir? Quais escolhas fazer? Qual pílula escolher, Neo? Questões sem resposta. Ao menos, por enquanto.

Leandro Heringer

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Sobre Leandro Heringer

Doutor em Administração- Gestão do Conhecimento e Inovação- PUC Minas Mestre em Administração - PUC Minas Especialista em Comunicação e Gestão Empresarial - PUC Minas Especialista em Marketing Político- Escola do Legislativo
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