No Abril Azul, mês de conscientização sobre o Autismo, a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) realizará atividades específicas sobre o tema. Por iniciativa do Programa de extensão, ensino e pesquisa sobre do Transtorno do Espectro do Autismo (SAMTEA), vinculado à Pró-Reitoria de Extensão (PrEx) da instituição, acontecerão atividades que visam, sobretudo, disseminar informações que esclareçam sobre o TEA.
Nesta quarta-feira (02/04), o SAMTEA fará live, pelo Instagram, às 19h30min; e no dia 23, às 19h, no auditório do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS), que fica no Prédio 6 do campus-sede, a intenção é reunir profissionais, professores e demais interessados para debater a respeito do assunto. Já no dia 26, em parceria com a Prefeitura de Ponto Chique, Norte de Minas, o SAMTEA fará atendimento à comunidade local, além de participar de podcast. Todas essas ações ocorrerão com apoio do Núcleo de Sociedade Inclusiva (Nusi), do Programa de Apoio Psicológico, Psicopedagógico e Orientacional (PAPPO) e do Mestrado Profissional em Educação Inclusiva em Rede Nacional (Profei), todos vinculados à Unimontes.
Sam
Pós-doutora em Ciências da Saúde com ênfase em Autismo, a professora Fernanda Alves, do Departamento de Fisiopatologia da Unimontes, é a idealizadora e atual coordenadora do SAMTEA. Ela conta que o programa nasceu em 2014. “Quando eu estava no processo seletivo para o Doutorado e, junto com ele, houve o diagnóstico de Autismo de meu filho Sam, de três anos, eu verifiquei que as ações que estava aplicando no Sam – daí o nome SAMTEA que, para ficar mais formal, transformou-se em Serviço de Atendimento Multiprofissional do Transtorno do Espectro do Autismo –, tinham evolução muito positiva”. Fernanda Alves revela que, baseado nesses bons resultados, surgiu a ideia de ampliar prática, clínica e teoria, até então restritas a uma única criança, a mais pessoas na mesma situação, em parceria com a Pró-Reitoria de Extensão da Unimontes.
O que é TEA
A docente celebra os 11 anos de existência do SAMTEA e sintetiza a linha de atuação do programa numa frase curta e objetiva: “a gente acredita que, quando a pessoa entende sobre o que é o TEA, fica mais fácil acolher as pessoas com Autismo”. Nas palavras da coordenadora do programa, o TEA “é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por dificuldades na comunicação e na interação social, além de padrões de comportamento repetitivos e interesses restritos”. O Autismo manifesta-se de diversas formas, “podendo ser leve ou mais severo, e, geralmente, é identificado na infância, embora suas características possam se tornar mais evidentes ao longo da vida”.
Fernanda Alves também explica que “o TEA não tem uma causa única conhecida, mas fatores genéticos e ambientais podem estar envolvidos no seu desenvolvimento”. Segundo ela, “o diagnóstico é clínico e o tratamento envolve intervenções multidisciplinares para estimular o desenvolvimento e melhorar a qualidade de vida da pessoa com Autismo”.
Sob amparo de dados recentes do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), divulgados em 2023, Fernanda Alves afirma que a prevalência do Transtorno do Espectro Autista é de aproximadamente um em cada 36 crianças de oito anos nos Estados Unidos.
No caso da população brasileira, de cerca de 213 milhões de habitantes, estimativa baseada na prevalência norte-americana, sempre de acordo com a professora da Unimontes, sugeriria que cerca de 5,9 milhões de brasileiros poderiam ser diagnosticados com TEA. Mas ela adverte que se trata de uma projeção aproximada e que estudos específicos são necessários para determinar números mais precisos no contexto brasileiro.
Início dos trabalhos
Os trabalhos do SAMTEA começaram com os professores da Educação Básica (EB) do município de Montes Claros. Ela pontua que a iniciativa conseguiu capacitar a maioria desses docentes. Depois o SAMTEA promoveu atendimento clínico multiprofissional, “com muitas parcerias importantes no processo”. A professora lembra que a pandemia do Novo Coronavírus – iniciada oficialmente no dia 11 de março de 2020 e que seguiu até 5 de maio de 2023, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o fim da Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional – obrigou o SAMTEA a paralisar os atendimentos comunitários. “Mas a gente continuou com as pesquisas e também com os atendimentos online, com as lives, fazendo a divulgação”, emenda a mãe de Sam.
A profissional recorda que, com a volta à normalidade pós-pandemia, notou-se que a Unimontes passou a necessitar mais assiduamente do apoio do SAMTEA, “porque havia muitos acadêmicos diagnosticados com TEA, matriculados na universidade e que estavam perdidos; não só os acadêmicos com o transtorno, mas também toda a equipe pedagógica (professores e gestores)”. Daí o início do trabalho voltado especialmente para a academia, com atenção a acadêmicos com autismo, que recebem orientações sobre “suas dificuldades, fragilidades, dando suporte para professores e gestores”.
Impacto
O impacto do SAMTEA transcende a universidade propriamente dita para chegar ao público em geral. No contexto do programa, já foram publicados mais de 15 artigos científicos em revistas especializadas do Brasil e do mundo. Fernanda Alves comenta que Montes Claros “passou a ser centro de referência para o Norte de Minas e o Sul da Bahia sobre o TEA”. As capacitações ministradas geraram mais de 30 iniciações científicas, nove mestrados, dois doutorados e um pós-doutorado. “A gente leva capacitação, conhecimento e acolhimento porque também trabalhamos com os familiares. Então é um programa enorme, que nós temos aqui dentro da universidade, e que a gente tem sempre uma programação muito vasta, para atender toda a academia e a população de modo geral, inclusive profissionais da área da saúde e educação que, também, trabalham com pessoas com TEA”, complementa.
Para se ter noção do que seja o SAMTEA, apenas no âmbito da universidade, para 2025, o programa organizou-se no sentido de atender toda a comunidade acadêmica por meio de palestras, cursos de formação, minicursos, podcasts, lives. A meta é propagar conhecimento e promover inclusão. Além disso, o SAMTEA também incluiu na programação deste ano atendimento voltado especificamente para acadêmicos com TEA, “buscando compreender suas necessidades e desafios e implementar medidas que favoreçam uma vivência acadêmica mais acessível, produtiva e acolhedora”, pontua Fernanda Alves ao salientar que “o intuito é garantir que esses estudantes tenham suporte adequado, tornando sua trajetória universitária mais leve e permitindo que sejam compreendidos dentro da comunidade acadêmica”.
O SAMTEA também oferece suporte aos professores e à gestão, “atendendo suas demandas e propondo ações estratégicas para melhorar o processo de ensino e aprendizagem”, que transformam a universidade em um ambiente mais inclusivo e preparado para acolher a diversidade.
Contato
O SAMTEA não possui local físico. Acadêmicos, professores, coordenadores e gestores que desejarem compreender melhor como atuar e atender às demandas das pessoas com TEA podem entrar em contato pelo Instagram @samtea.autismo ou pelo e-mail samteaunimontes.autismo@gmail.com. A equipe fará o agendamento e oferecerá o suporte necessário.