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Coluna de Leandro Heringer – Lula e a "jabuticaba" na política externa: Isolamento, ideologia e prejuízos
Coluna de Leandro Heringer – Lula e a "jabuticaba" na política externa: Isolamento, ideologia e prejuízos / Foto: Criada por AI

Coluna de Leandro Heringer – Lula e a “jabuticaba” na política externa: Isolamento, ideologia e prejuízos

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A jabuticaba seria uma exclusividade nacional. É comum a referência à fruta (isso é uma jabuticaba) em caso de uma ideia ou ação estapafúrdia ou inútil. Além da fruta, o brasileiro tem outra característica própria: o chefe do executivo federal, uma jabuticaba política.

Com visão e projeto de poder, longe de ser um estadista, Lula torna-se uma jabuticaba na política externa. Único país a não ter negociado as tarifas com os Estados Unidos. Único presidente a anunciar a ideia de uma moeda internacional para substituir o dólar. Único a colocar questões pessoais e ideológicas à frente das necessidades nacionais.

Em entrevista à Reuters, uma das principais agências de notícias do mundo, o chefe do executivo nacional declarou: “Pode ter certeza de uma coisa: o dia que a minha intuição me disser que o Trump está disposto a conversar, eu não terei dúvida de ligar para ele. Mas hoje a minha intuição diz que ele não quer conversar. E eu não vou me humilhar.”

A declaração demonstra que Lula está mais preocupado com as eleições do próximo ano na manutenção do discurso desgastado de “soberania” do que na situação brasileira ignorando os efeitos do “tarifaço” para o Brasil. Em uma perspectiva de “quanto pior melhor”, nega-se a ter a ação de governantes preocupados com a população. União Europeia, Canadá, México, Argentina, China, Índia, Indonésia e Japão, entre tantos outros países afetados pelas decisões comerciais dos Estados Unidos, viram seus representantes se sentarem à mesa para negociarem com Donald Trump.

Contudo, o chefe do executivo brasileiro preocupa-se com a suposta altivez do “macho tupiniquim” e a construção de um discurso distanciado da realidade. A questão da soberania é ignorada em questões históricas nas gestões de Lula. Quando Evo Morales confiscou patrimônio da Petrobras na Bolívia, nada foi dito. Recentemente, quando a Venezuela declarou taxação superior a 70%, o silêncio foi ensurdecedor. Dívidas de governos ideologicamente alinhados, como Cuba, Venezuela e Moçambique, que não foram pagas são soberanamente ignoradas.

Como recentemente apontou a revista britânica The Economist, Lula está desgastado tanto no Brasil quanto no exterior. Pesquisa recentemente divulgada do PoderData, em 30 de julho, mostra que mais da metade da população (53%) desaprova a gestão do petista. Até os próprios eleitores reprovam o direcionamento

Cada vez fica mais clara a falta de projetos de governo e de Estado da gestão federal. A necessidade do “nós x eles” em todas as esferas é nítida. Mas, a credibilidade no discurso está diminuindo. A precisão da ação do Supremo Tribunal Federal para a governabilidade já foi admitida pelo próprio chefe do executivo federal no caso da interferência do Judiciário na questão do IOF. A economia está em risco. A democracia também. Mas, o que ainda permanece?

Persiste a doce fruta típica nacional, a jabuticaba. Sobrevive a visão turva da realidade do governo federal sob a chefia de uma jabuticaba política. Amarga, podre e contagiosa. Não há sustentação que seja democrática, relacional ou diplomática. A verdadeira humilhação é perceber que o mundo já viu o destino do povo brasileiro em outros países que viraram “república de bananas”.

 

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