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Coluna de Leandro Heringer – Para Além de 'Nós Contra Eles': Um Manifesto pela União do Brasil no 7 de Setembro
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Coluna de Leandro Heringer – Para Além de ‘Nós Contra Eles’: Um Manifesto pela União do Brasil no 7 de Setembro

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O Brasil celebra 203 anos de Independência em meio a um cenário de divisão. Essa separação na população tem um único propósito: dividir para dominar. Planos de poder se sobrepõem a um verdadeiro projeto nacional de desenvolvimento.

Líderes carismáticos e populares fazem parte da história brasileira. Desde a instituição da República, o “salvador da pátria” assumiu diferentes discursos: o nacionalismo populista de Vargas, próximo ao fascismo; o desenvolvimentismo capitalista de Juscelino; o populismo esquerdista de Lula, próximo ao neossocialismo; e o neoliberalismo com pilares conservadores de Bolsonaro.

Enquanto Vargas e Juscelino possuíam uma visão de nação, Lula inaugurou o discurso do “nós contra eles” em seus primeiros mandatos. Atualmente, esse embate é intensificado pela doutrinação identitária “woke”. Pela lei da ação e reação, a população conservadora, capitalista e liberal passou a se expressar de forma mais enfática: o verde e amarelo voltou às ruas, em oposição ao histórico vermelho esquerdista.

Nos tempos de “petistas x tucanos”, a rivalidade parecia uma disputa entre primos, mais branda. Hoje, porém, a polarização é real. No Dia da Independência, ambos os lados convocam manifestações, e as praças estarão cheias.

Com as farsas anunciadas do “golpe do WhatsApp” e do “julgamento” de Bolsonaro, espera-se que os atos sejam intensos. Uma das pautas é a anistia. Vândalos foram transformados em presos políticos dentro de uma suposta narrativa de golpe. As penas aplicadas, em muitos casos, foram desproporcionais. O crime de vandalismo está descrito no artigo 163 do Código Penal Brasileiro: “Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia”. Na forma qualificada, a pena é de detenção de seis meses a três anos, e multa, além da pena correspondente à violência.

Assim, desconsiderando os precedentes em atos de esquerda, os vândalos de 8 de janeiro — minoria entre os manifestantes — deveriam receber penas de, no máximo, três anos, e não mais de dez anos por escritos com batom. Nesse sentido, a anistia aos acusados pode ser um ponto de pacificação. Já a anistia aos togados que assumiram para si os poderes da República não deveria ocorrer: esses magistrados deveriam ser submetidos a processo de impeachment no Senado. Tal medida representaria um reparo à democracia brasileira e a garantia de eleições justas em 2026.

Além disso, o fim da reeleição é urgente no Brasil. O primeiro mandato, em geral, serve apenas como estratégia para perpetuação no poder. Deixa-se de lado o projeto de Estado em favor de um projeto de poder. Líderes carismáticos permanecem no palanque mesmo depois das eleições.

O momento exige aproximação da população. Falsas narrativas, como a tentativa de opor “nacionalistas x entreguistas”, apenas acentuam a cisão do país e favorecem lideranças que não buscam unificação nem bem nacional. Entregar riquezas estratégicas para potências estrangeiras é temerário: apenas no primeiro semestre de 2025, as exportações de terras raras do Brasil para a China triplicaram em relação a todo o ano de 2024, somando US$ 6,7 milhões, segundo o relatório do CEBC (Centro Empresarial Brasil-China).

Na data da Independência, vale recordar as palavras de Martin Luther King Jr., líder do movimento negro nos Estados Unidos, em seu histórico discurso:

“Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença: nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais. Eu tenho um sonho que um dia, nas colinas vermelhas da Geórgia, os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descendentes dos donos de escravos poderão se sentar juntos à mesa da fraternidade.”

Não à dependência de líderes populistas e carismáticos. Sim à percepção de nação. Sim à mesa da fraternidade.

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