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Montes Claros: Das Sesmarias ao Coração do Norte de Minas
Montes Claros: Das Sesmarias ao Coração do Norte de Minas

Montes Claros: Das Sesmarias ao Coração do Norte de Minas

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Introdução: O Sertão Mineiro no Espelho da História e da Identidade

Montes Claros emerge como o genuíno coração do Norte de Minas Gerais, uma cidade cuja trajetória costura o que há de mais profundo na cultura, história e dinâmica socioeconômica brasileira. Esta reportagem editorial, inaugural da série especial “Montes Claros — Raízes, Sabores e Histórias”, propõe uma imersão ampliada e rigorosa no tempo, das sesmarias coloniais aos dias atuais, para desvendar não apenas datas e eventos, mas o tecido vivo que compõe a identidade montes-clarense e seu papel estratégico no cenário regional e estadual. O relato privilegia uma linguagem acessível e informativa, mas carrega o compromisso jornalístico de aprofundamento, precisão e valorização das nuances temporais, simbólicas e humanas que fazem de Montes Claros um polo de referência no sertão mineiro.

Fundadores, Sesmarias e o Contexto Colonial: As Origens de Montes Claros

A ocupação do território hoje conhecido como Montes Claros remonta ao início do século XVIII, marcada pelo contato violento e transformador do processo colonial com os povos indígenas originais. Antes mesmo da fundação formal, as terras eram domínio dos Anais e Tapuias, nação indígena que, como tantas outras, foi progressivamente suplantada pelas ondas de ocupação luso-brasileira e bandeirante.

O ponto de partida histórico mais documentado é o alvará de 12 de abril de 1707, quando Antônio Gonçalves Figueira, bandeirante paulista participante da lendária expedição de Fernão Dias Pais (“Governador das Esmeraldas”), obtém da Coroa portuguesa a sesmaria que daria origem à Fazenda de Montes Claros. Esta fazenda estava situada nas margens do Rio Verde Grande, próximo a formações de xisto calcário e vegetação rala — uma paisagem marcada por montes que inspirariam o batismo da localidade. Dessa primeira sesmaria surgiram não só o núcleo da atual cidade, mas a matriz do desenvolvimento econômico regional centrado inicialmente na agropecuária.

O contexto colonial do Norte de Minas reflete-se neste processo: uma região inicialmente distante dos principais núcleos mineradores, marcada pelo domínio da grande propriedade rural, pela caça aos indígenas (prática comum entre bandeirantes paulistas) e pelo caráter de fronteira econômica e social. Antônio Gonçalves Figueira e Matias Cardoso, outro bandeirante de projeção, são figuras emblemáticas dessa transição, formando as três maiores fazendas do norte setecentista: Jaíba, Olhos d’Água e, claro, Montes Claros. As sedes dessas propriedades acolheriam, com o tempo, arraiais e vilas — processo lento, mediado por conflitos fundiários, alianças de família e articulações políticas entre a elite fundiária.

A chegada do Alferes José Lopes de Carvalho, ao adquirir parte da fazenda de Montes Claros e erguer uma capela — a hoje Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição e São José — assinala a gênese urbana do Arraial das Formigas, o segundo núcleo do antigo latifúndio, embrião da futura cidade.

Povos originais: Anais, Tapuias e o Silenciamento Colonial

Antes das fazendas e gado, as terras do atual Montes Claros faziam parte do universo étnico dos Anais e Tapuias — povos indígenas de tradição milenar, pertencentes a troncos linguísticos distintos e portadores de sofisticados sistemas de vida, cosmologia e manejo ambiental. O processo de colonização, porém, operou um apagamento quase absoluto dessas sociedades, via violência direta, escravidão, doenças e desterritorialização forçada.

Registros históricos confirmam que, ao menos até a década de 1660, Anais e Tapuias dominavam vastas extensões do norte mineiro. A própria toponímia local (ex: “Formigas”, “Tapuias”) resulta de um esforço, tardio e incompleto, de registro colonial sobre realidades pré-existentes. Atualmente, movimentos acadêmicos, legislativos e sociais, a exemplo das discussões sobre a aplicação da Lei 11.645/08 nas escolas de Montes Claros, buscam resgatar a memória e os direitos indígenas na região. Além dos Anais e Tapuias, estudiosos apontam a presença de outros grupos, como Guaicurus e Xakriabá (estes mais ao noroeste, preservando elementos linguísticos e de resistência social em aldeias como as de São João das Missões).

Esse esforço é crucial para construir uma compreensão menos eurocêntrica da história local, estimulando a valorização da pluralidade étnica — dimensão estratégica para o fortalecimento da verdadeira identidade montes-clarense, baseada não apenas na modernidade ocidentalizante posterior, mas também nas raízes originárias do sertão mineiro.

A Evolução do Nome “Montes Claros” e sua Simbologia

A trajetória nominal de Montes Claros ecoa os marcos fundiários, as transformações institucionais e até a sensibilidade paisagística da região. Inicialmente, as terras que compunham a sesmaria eram denominadas apenas como Fazenda Montes Claros, expressão que, segundo fontes documentais e tradicionais, se referia tanto ao aspecto visual — morros baixos, de pouca vegetação, que deixavam a paisagem “clara” — quanto à lembrança de confrontos históricos envolvendo os antepassados portugueses do fundador.

De específico, as etapas do nome foram:

  • Arraial das Formigas: Primeira formação urbana, nas imediações da capela erguida por José Lopes de Carvalho. O nome faz menção curiosa à abundância de formigas na localidade ou, segundo outras teorias, à mobilidade incessante dos primeiros colonos.
  • Arraial de Nossa Senhora da Conceição e São José de Formigas: Consolidação de uma identidade religiosa, reforçando o papel das irmandades e da igreja na gênese urbana.
  • Vila de Montes Claros de Formigas: Elevação jurídica em 1831, agregando o nome da fazenda-mãe ao do arraial.
  • Cidade de Montes Claros: Emancipação em 1857, eliminando-se a referência “Formigas” — termo desconfortável para parte dos habitantes e que parecia destoante da projeção urbana pretendida.

O nome “Montes Claros” carrega, assim, dimensões simbólicas diversas: alude à paisagem (os morros claros do entorno), à genealogia dos fundadores (remetendo à “Batalha de Montes Claros” em Portugal, 1665) e à aspiração de singularidade dentro do universo mineiro. Não à toa, “montes-clarense” tornou-se gentílico de orgulho regional.

Famílias Fundadoras e Tradição: Potência Política, Econômica e Cultural

O processo de fundação e consolidação da cidade foi tecido por famílias cujos sobrenomes ainda reverberam na política, sociedade e memória coletiva local. Antônio Gonçalves Figueira e Manuel Afonso de Siqueira despontaram como os grandes mentores da estrutura agrária original, mas paulatinamente outros clãs agregaram força e patrimônio: Lopes de Carvalho, Andrade, Prates, Villela/Vilela, Coutinho, Versiani, Palma, Neves, Maurício, entre tantos outros.

Essas famílias exerceram poder proprietário, político e simbólico sobre a terra e sua população. No ciclo do gado, foram os grandes criadores e “comerciantes de sertão”, conectando o Norte de Minas ao sertão baiano e aos centros mineradores da província; compuseram também o núcleo da elite dirigente — vereadores, presidentes de câmara e, com a República, intendentes e prefeitos.

A influência transcendeu a política formal: permeou campos como educação (fundadores e professores de escolas históricas), saúde (médicos, farmacêuticos), religião (bispos e padres), cultura (escritores, músicos e artistas) e economia (empreendedores, banqueiros, industriais). A estrutura social oligárquica — marcada por rígidas hierarquias e fortes laços de clientelismo local — foi, durante décadas, o núcleo duro do sistema de poder regional.

Primeiros Prefeitos, Líderes Políticos e Marcos Administrativos

A formalização administrativa de Montes Claros acompanha a transição do antigo regime à República e as fortes transformações do sistema político brasileiro. Durante o Império, a condução do município coube à Câmara Municipal (instalada em 1832 e presidida por nomes como Coronel José Pinheiro Neves), cujos membros acumulavam a função de “agente executivo” — equiparável hoje ao cargo de prefeito.

Com a República e, sobretudo, após a Revolução de 1930, houve separação dos poderes municipais. O primeiro prefeito, conforme registros da Câmara Municipal, foi Orlando Ferreira Pinto (1931). Muitos gestores seguintes perpetuaram a dinâmica das famílias tradicionais, enquanto outros surgiram já na transição para uma política urbana mais plural.

Segue uma breve listagem dos primeiros e mais destacados prefeitos ou líderes do século XIX e XX:

  • José Pinheiro Neves (primeiro presidente da Câmara e agente executivo, 1832-1835).
  • Cônego Antônio Gonçalves Chaves (1840-1851).
  • Dr. Carlos José Versiani (1852-1868 e 1892-1894).
  • Orlando Ferreira Pinto (primeiro prefeito da era republicana, 1931-1932).
  • Dr. Antônio Teixeira de Carvalho, Dr. Alfeu Gonçalves de Quadros, Luiz Tadeu Leite, Mário Ribeiro da Silveira entre outros, pontuando fases de modernização, crescimento urbano ou crises políticas.

O protagonismo de figuras como Dr. Carlos Versiani, reputado primeiro médico da cidade, e de outros notáveis líderes religiosos e civis (como Dom João Antônio Pimenta, 1º Bispo, ou Hermes de Paula, médico, escritor e articulador cultural) é testemunho da multivalência do poder local, mesclando política, filantropia, educação e religião.

Ciclos Econômicos: Gado, Sal, Café, Ferrovia, Industrialização e Educação

Montes Claros consolidou-se como polo econômico regional a partir de diferentes ciclos, cada um marcando época e condicionando o perfil funcional da cidade:

1. O Ciclo do Gado

Desde suas origens, Montes Claros foi ponto estratégico do comércio de gado, tornando-se, no século XVIII e XIX, o maior centro comercial bovino do Norte de Minas. Os pastos salinos, o clima propício e a logística das estradas abertas por Gonçalves Figueira permitiram a circulação de tropas que abasteciam tanto os centros mineradores mineiros (Serro, Vila Rica, Diamantina) quanto mercados da Bahia.

A base agropecuária, essencialmente extensiva, moldou a estrutura social patriarcal e a divisão espacial entre cidade e campo. A Sociedade Rural de Montes Claros prática, até hoje, papel decisivo para a modernização da agropecuária, sendo agente articulador de leilões, feiras, reivindicações por infraestrutura e difusão de tecnologias (em especial a ExpoMontes, maior feira agropecuária do Norte de Minas).

2. O Ciclo do Sal

Os campos salinos naturais da região permitiram, desde o século XVIII, a extração de sal de pasto, fundamental para a pecuária e atrativo para fixação de fazendas. A tradição dos “salitres” e salinas permeia a cultura material e o vocabulário local, embora as atividades tenham reduzido muito com a modernização agroindustrial e o aumento da oferta de sal refinado.

3. O Café: Da Resistência à Emergência de Cafés Especiais

A cafeicultura foi, historicamente, de menor expressão no Norte de Minas, mas desde o início do século XXI, responde por um notável ciclo de renovação, com a introdução de cultivos tecnificados (irrigação, pivôs, manejo de alta produtividade) e a conquista de selo de origem para cafés especiais da Serra do Cabral e entorno, concorrendo em prêmios nacionais e internacionais. Montes Claros atua como polo de comercialização e distribuição da produção regional, favorecendo a diversificação econômica local.

4. A Ferrovia: Síntese Progresso e Integração

A chegada da Estrada de Ferro Central do Brasil, em 1926, redefiniu os horizontes de Montes Claros. Por décadas, a cidade foi “ponta de trilho”, ligando o sertão aos grandes centros do Sudeste e estimulando o surgimento de armazéns, comércio, indústrias de transformação e serviços ferroviários. A ferrovia não só potencializou o comércio de gado e grãos, como favoreceu um novo imaginário de modernidade — hoje, há intensos debates sobre sua revitalização e potencial turístico.

5. Industrialização: O Pólo Incompleto

O eixo do desenvolvimento industrial veio ganhar corpo com a criação da SUDENE (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste) e a instalação, nos anos 1970, do Distrito Industrial de Montes Claros. Atraíram-se indústrias de médio e grande porte: têxtil (Coteminas), farmacêutica (Biobrás/Novo Nordisk), alimentar (Nestlé), veterinária (Valleé), cimento (Lafarge), além de iniciativas de energia (Usina de Biodiesel da Petrobras).

Contudo, a industrialização foi parcial e desigual: a maior parte das indústrias apresenta perfil exportador, baixa absorção de mão-de-obra e forte integração aos mercados extra-regionais. Cerca de 30% fecharam as portas nas últimas décadas, configurando, segundo estudiosos, uma “cidade industrial incompleta” — híbrida entre a tradição rural e a modernidade industrial fordista/globalizada.

6. Educação: Do Ensino Normal à Universidade Pública

A vocação de Montes Claros como polo educacional começa nas primeiras escolas mistas do século XIX, consolida-se com a Escola Normal (1879, instalada em 1880), os grupos escolares (destacando-se o Gonçalves Chaves, 1909) e chega à maturidade com a criação da Fundação Universidade do Norte de Minas (FUNM) em 1962, posteriormente transformada em Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Com mais de 100 cursos, a Unimontes é referência regional; agregam-se, ainda, o Instituto Federal (IFNMG) e polos da UFMG, além de diversas instituições privadas.

A estrutura educacional robusta serve de plataforma para ascensão social, pesquisa, valorização da história e formação de quadros políticos, culturais e empresariais que atuam por todo Norte de Minas.

Expansão Urbana: Energia, Escolas, Hospitais, Imprensa e Universidades

O progresso de Montes Claros pode ser acompanhado pelo mosaico de melhorias urbanas, sociais e culturais que se espraiam a partir do século XIX, acelerando-se nos anos pioneiros do século XX e, especialmente, no pós-guerra.

Energia Elétrica e Saneamento

A chegada da energia elétrica, em 1917, marca um divisor de águas. Com ela, multiplicam-se indústrias, serviços e a própria qualidade de vida dos habitantes. A expansão da rede segue até hoje — com destaque recente para a modernização da rede subterrânea no hipercentro, consolidando uma infraestrutura mais segura e confiável, mas ainda carente de universalização e estabilidade em bairros periféricos.

Escolas e Universidades

O processo de escolarização e diversificação do sistema educacional é outro vetor relevante. Além do já mencionado Grupo Escolar Gonçalves Chaves (1909), pontuaram a história educacional de Montes Claros:

  • Escola Normal (instalada em 1880)
  • Colégio Imaculada Conceição (1907, tradicional de ensino confessional)
  • Ginásio Municipal (1928, referência em ensino secundário e formação da elite local)
  • Proliferação de faculdades, institutos técnicos e universidades na segunda metade do século XX, culminando com a Unimontes, IFNMG, UFMG e redes privadas.

Saúde

O setor saúde é historicamente ativo. O Hospital de Caridade (Santa Casa), fundado em 1871, é marco inicial; seguiram-se o Hospital Regional, Santa Teresinha e, mais recentemente, o Hospital Universitário Clemente de Faria. Em 2005, havia 142 unidades de saúde entre hospitais e pronto-socorros.

Imprensa

A imprensa montes-clarense nasceu com o jornal “Correio do Norte” (1884) e ampliou-se, consolidando a cidade como polo de produção e circulação de informação regional. Hoje, são numerosos os veículos: Jornais como “Jornal Montes Claros”, “O Norte”, “Gazeta Norte Mineira”; rádios, portais digitais e TVs locais esculpem a paisagem midiática e a cultura cívica.

Infraestrutura e Mobilidade

Os melhoramentos urbanos prosseguiram nos anos recentes, com destaque para a ampliação do sistema viário, construção do anel rodoviário (2025), modernização do aeroporto e da malha ferroviária (em processo de revitalização). O crescimento acelerado, sobretudo nas décadas de 1970-80, trouxe também grandes desafios de planejamento, desigualdade e modernização, que demandam constante atuação pública e privada.

Curiosidades sobre o Brasão, Hino e Apelidos da Cidade

Brasão

O brasão de Montes Claros, instituído em 1959, ostenta um escudo português, símbolo da matriz luso-brasileira. Sua coroa mural de cinco torres designa a condição urbana; no interior, as duas flores-de-lis representam Nossa Senhora da Conceição e São José, padroeiros da cidade. Os montes salientados abaixo do escudo aludem diretamente ao nome da cidade. Lateralmente, as datas de 1707 (fundação da fazenda) e 1857 (elevação à cidade) contextualizam sua linhagem histórica. Em destaque, o lema “Sub Umbra Alarum Tuarum”, do Salmo 91, significa “Debaixo da sombra de Tuas asas” — evocando proteção, amparo e identidade própria.

Hino

O hino municipal, pouco conhecido fora do circuito oficial, exalta valores de solidariedade, progresso e civismo, articulando referências ao Rio São Francisco, à história da formação da cidade, às festas populares e ao sentimento de pertencimento dos montes-clarenses.

Apelidos

Montes Claros é chamada, afetuosamente, de “Princesa do Norte”, em função de seu protagonismo regional. Outra denominação popular é “Capital do Norte de Minas”, reconhecendo seu papel administrativo, econômico e cultural. Curiosamente, a expressão “Baianeiro” — mistura de baiano e mineiro — reflete a mescla cultural da região, cuja proximidade física com a Bahia (e fluxo migratório correspondente) marca fortemente a cultura local.

Linha do Tempo Expandida: Dos Primórdios à Atualidade

Segue uma linha do tempo ampliada destacando marcos políticos, sociais, econômicos e culturais de Montes Claros:

Ano Evento
1548 Incursões iniciais: Tomé de Souza incentiva viagens pelo Rio São Francisco
até 1660 Domínio dos povos indígenas Anais e Tapuias
1707 Fundação da Fazenda de Montes Claros (alvará a Antônio Gonçalves Figueira)
1768 Expedição Espinosa-Navarro percorre a região
1817 Primeiros sobrados construídos (João Alves Maurício, Simeão, Mirante)
1831 Elevação à Vila de Montes Claros de Formigas (Lei de 13/10)
1832 Instalação da Câmara Municipal (primeiros vereadores); criação do distrito
1835 Primeira escola pública formal
1847 Chegada do primeiro médico: Dr. Carlos Versiani
1857 Vila elevada à Cidade de Montes Claros (3/7)
1871 Criação do Hospital de Caridade (Santa Casa)
1879-1880 Instalação da Escola Normal
1882 Início da indústria com fábrica de tecidos do Cedro
1884 Primeiro número do jornal Correio do Norte
1886 Inauguração da Capela de Santa Cruz (Morrinho)
1892 Criação da primeira linha telegráfica
1899 Inauguração do Mercado Municipal (Praça Dr. Carlos Versiani)
1907 Fundação do Colégio Imaculada Conceição
1909 Criação do Grupo Escolar Gonçalves Chaves
1910-1911 Criação do Bispado de Montes Claros; nomeação do primeiro Bispo, Dom João A. Pimenta
1917 Chegada da energia elétrica
1920 Fundação da Associação Comercial; chegada do primeiro automóvel
1926 Inauguração da Estrada de Ferro Central do Brasil (estação ferroviária)
1931-1932 Primeiro prefeito nomeado: Orlando Ferreira Pinto
1944 Fundação da Sociedade Rural de Montes Claros
1957 Inauguração do Parque de Exposições (Expomontes)
1962 Fundação da Unimontes (então FUNM)
1970 Início da industrialização (Distrito Industrial e incentivos da SUDENE)
1980 Transferência do Terminal Rodoviário, programa Cidade Porte Médio
2008 Implantação da Usina de Biodiesel da Petrobras
2023 Criação do distrito Pedra Preta dos Montes
2025 Inauguração do Anel Rodoviário, modernização da rede elétrica
Símbolos, Cultura Popular e Identidade Montes-Clarense

A identidade montes-clarense é o resultado de um processo denso de miscigenação étnica, síntese histórica e reinvenção cultural. Os principais elementos que reafirmam e renovam essa identidade envolvem:

  • Tradição Religiosa e Popular: As Festas de Agosto, com os cortejos de Catopês, Marujos e Caboclinhos, são patrimônio imaterial do Brasil, resgatando matrizes africana, indígena e portuguesa e mobilizando a cidade em devoção e alegria.
  • Artes e Literatura: Montes Claros é terra de artistas, escritores e músicos (como Godofredo Guedes, Cyro dos Anjos, Darcy Ribeiro, Cândido Canela, Téo Azevedo), cuja obra projeta o sertão para o Brasil e o mundo.
  • Sabores e Gastronomia: O pequi, fruto do cerrado, é astro da culinária local, central nas festas, pratos e na narrativa de pertencimento.
  • Pluralidade e Modernidade: A cidade é pólo universitário, industrial e de serviços; mantém, no entanto, a alma sertaneja, o senso de hospitalidade e de comunidade, e a criatividade do improviso que caracterizam o Norte de Minas.

Montes Claros na Atualidade: Pólo Regional e Protagonista Estadual

Com população estimada acima de 400 mil habitantes na última década, Montes Claros assume funções avançadas de comércio, indústria, prestação de serviços, educação e saúde para todo o Norte de Minas e adjacências da Bahia e do Centro-Oeste brasileiro. O município concentra mais de 70% dos serviços especializados da mesorregião, exerce liderança política e cultural, e é referência nacional em eventos como a Expomontes, Carnaval, Festa do Pequi e Festival de Música.

Frente aos desafios contemporâneos — urbanização, desigualdade, necessidade de sustentabilidade, consolidação de infraestrutura, inserção global e valorização do patrimônio imaterial —, a cidade responde com inovação, tradição e, acima de tudo, o espírito resiliente do povo sertanejo. Montes Claros não é apenas mais uma cidade do interior: é, justificadamente, o coração setentrional de Minas Gerais.

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Considerações Finais

Montes Claros é, desde suas raízes, muito mais que um acidente geográfico ou um aglomerado urbano. Ela encarna o processo vivo de um sertão que resiste ao esquecimento e se reinventa: das trilhas indígenas ao agito contemporâneo, das tradições seculares à explosão de novas oportunidades. Conhecer — e reconhecer — esta trajetória profunda é condição para celebrar, com respeito e orgulho, o papel estratégico de Montes Claros como centro vital do Norte de Minas e matriz de uma identidade singular, miscigenada, resiliente e sempre em construção.

Linha do Tempo Expandida de Montes Claros

Ano Evento
1548 Incursões pelo Rio São Francisco lideradas por Tomé de Souza
Até 1660 Presença dos Anais e Tapuias
1707 Fundação da Fazenda de Montes Claros (Antônio Gonçalves Figueira)
1768 Expedição Espinosa-Navarro
1817 Primeiros sobrados urbanos
1831 Elevação à Vila (Lei de 13/10); nome Vila de Montes Claros de Formigas
1832 Primeira Câmara Municipal instalada; criação do distrito
1835 Primeira escola pública formal
1847 Chegada do Dr. Carlos Versiani, primeiro médico formado
1857 Elevação à cidade (Lei 802 de 3/7)
1871 Criação do Hospital de Caridade (Santa Casa)
1879/1880 Criação/instalação da Escola Normal
1882 Instalação da Fábrica de Tecidos do Cedro
1884 Lançamento do jornal Correio do Norte
1886 Inauguração da Capela do Morrinho
1892 Inauguração do serviço telegráfico
1899 Inauguração do Mercado Municipal
1907 Fundado o Colégio Imaculada Conceição
1909 Criação do Grupo Escolar Gonçalves Chaves
1910/1911 Criação do Bispado; primeiro Bispo Dom João Antônio Pimenta
1917 Chegada da energia elétrica
1920 Fundação da Associação Comercial; chegada do primeiro automóvel
1926 Inauguração da Estação Ferroviária Central do Brasil
1931 Primeiro prefeito nomeado: Orlando Ferreira Pinto
1944 Fundação da Sociedade Rural de Montes Claros
1957 Inauguração do Parque de Exposições (Expomontes)
1962 Fundação da FUNM (hoje Unimontes)
1970 Distrito Industrial e início da industrialização via SUDENE
1980 Transferência do Terminal Rodoviário; atividades do Projeto Cidade Porte Médio
2008 Inauguração da Usina de Biodiesel da Petrobras
2023 Criação do distrito Pedra Preta dos Montes
2025 Inauguração do novo Anel Rodoviário e modernização da rede elétrica

Montes Claros pulsa, entre raízes e sonhos, como o autêntico coração do Norte Mineiro. Sua história é também nossa referência de pertencimento, desafio e futuro.

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