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Adilson Cardoso
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Coluna do Adilson Cardoso – Nem Céu nem Inferno

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Coluna do Adilson Cardoso – Nem Céu nem Inferno

A fome de conquista das religiões sangrava em todos os continentes, a cada dia novos templos se erguiam, portas eram abertas  e  letreiros pintados. Tudo em nome de Deus, em nome de uma salvação da alma, mas com um pagamento terreno de uma porcentagem mensal imposta a todos fieis. Dentro da hierarquia das Igrejas “o dono da palavra” era sem duvidas o mais bem sucedido, suas mãos eram finas como as peles dos anjos, nos seus dedos brilhavam anéis de ouro maciço, seus corpos sob tecidos finos  eram perfumados com fragrâncias importadas e seus pés só pisavam no chão para entrarem nos  carros. Abaixo deles uma escadaria  interminável  de poderes fragmentados até chegar ao subsolo, lá jazia a  base  sustentadora   da verdadeira fé  almejando   sequiosamente uma vida após a morte no  céu ilustrado nas palavras dos Pastores, “Um bosque de  arvores frutíferas,  um ar puro invadindo os sentidos, flores de todas as cores, Colibris pousando sobre os galhos das flores sem temerem a fuga do néctar, Borboletas voando com o sopro do vento. Lagos de águas límpidas onde se vê  peixes saindo das pedras, mordiscando as folhas que singram na água, animais mostrados nos livros como extintos passam brincando em pares, um vulcão ativo deixa escorrer suas larvas para o deleite de crianças que rolam sobre  elas, acompanhadas pelos  olhares felizes dos pais”. A escravidão psicológica era o retorno aos antigos modelos, a tortura medieval com  castigo físico fora substituído  por aquele eco renitente da voz de um comando, lembrando a todo instante  que sem a obediência ao líder da Igreja, Deus se tornaria inimigo e no final dos tempos haveria um julgamento e a  alma seria condenada a queimar nos infernos. Pastores  tornaram-se  políticos e entre eles nasciam conchavos, decidiam em nome dos pensamentos fundamentalistas  a trilha que a lei deveria seguir. A liberdade de expressão era atacada e livros de Filosofia eram queimados, “extirpa-se desta nação, todo o questionamento sobre a existência de Deus, ou qualquer outra entidade envolvida no processo de formação do reino da gloria!” esta fora a leitura feita no Parlamento e acatada pelos gestores que hierarquicamente estavam colonizados pelos religiosos. A base daquela pirâmide estava cada vez mais sólida, já que para o povo aquele líder o representava duplamente, tanto diante de Deus o conduzindo ao “Paraiso” como também na grande casa das leis que direcionavam a nação. Mas um dia por força de uma doença nem tanto rara, falecera um dos fieis daquela base, alguém que vivera quase aos trapos, com o mínimo de alimento para a sobrevivência, já que investia nas doações a Igreja, era bom em demasia e o Pastor lera nas suas intenções que poderia tirar mais que dez por cento daquele homem, foram vinte, trinta, quarenta até chegar aos cinqüenta por cento, sua ruína era comemorada com champanha nas reuniões dos lideres, para ele era a compra de um palacete no céu, igualzinho a casa do Pastor. “ Meu Deus oro para que minha moradia eterna tenha aquela grade, com aquele mármore que parece um tapete entrando para a casa e aquelas plantas misturadas do mesmo jeito, ah meu senhor, como eu já paguei quero também uma piscina para eu ler a bíblia tomando um copo de suco de laranja!” este fora um dos últimos pedidos da criatura que descera no caixão  quase  pelado,  da forma qual se libertara do ventre da mãe.  Uma semana depois de ser sepultado, estava sentado na praça com olhar vago  observando antigos irmãos da mesma congregação voltarem com seus carnês  para “ajudar na obra de Deus”  depois de morto se adquire força e velocidade de Tufão, usando disso retirara das mãos daqueles rasgando todas as notas, diferente de outros deixara ser visto palestrando a todos que não passava de farsa a lenda do céu e do inferno. Segundo ele todos os outros que estavam lá do outro lado viviam em cidades parecidas como estas, alguns pagando por seus crimes cometidos na terra.

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