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Adilson Cardoso
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Coluna do Adilson Cardoso – Ao som de Elvis Presley

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Coluna do Adilson Cardoso – Ao som de Elvis Presley

É um caso verídico. Algo que poderia ser um conto burlesco ou uma crônica caótica de uma pessoa que hoje aos sessenta e oito anos, relata tudo em miúdos para ser personagem de livro e garantir a aposentadoria que a Previdência Social negara por diversas vezes. Terciana Moreira, mãe de quatro filhos, avó de seis netos. Viúva por duas vezes. Dona Tercia como é conhecida revela que além de outros sonhos, desde garota queria ser famosa como a atriz já falecida Yoná Magalhães.  Na sua vida começou quando ela tinha doze anos de idade, anos sessenta, ouvindo Elvis Presley e tomando Cinzano Vermont na casa de uma amiga pouco mais velha. Certo dia um irmão desta garota, ainda mais velho, se vangloriando dos seus dezoito anos completos, flagrara Terciana experimentando um cigarro de fumo prensado que furtaram da carteira do pai dele. O rapaz dissera em tom de ameaças que contaria aos Tios dela que eram seus tutores, já que os pais moravam na roça, mas poderia negociar, a moeda de troca era o corpo dela sem roupas atrás de um Bambuzal perto do rio. Foram duas horas de total possessão, até o rapaz se der por satisfeito e ir embora. Sozinha sem coragem de contar a ninguém amargara as dores na genitália e os medos normais de quem sofre tal violência, mas o tempo tratara que curar as feridas físicas e psicológicas e Terciana retomara o amor ao ídolo e a amizade da amiga. Certo dia ingerira coragem junto às doses de Cinzano e delatara para a moça as atrocidades do irmão, mesmo pedindo que guardasse segredo a outra contara ao pai que esfolara o filho, além de prometer que aquele seria obrigado a casar-se com ela. Marcado no dia seguinte para destrincharem a história na casa dos tios dela, pedir desculpas e acabar com os males entendidos, a desonra se paga no altar. Mas Terciana queria outra vida, curtir o mundo, ouvir Elvis e tomar seus pileques, na mesma noite juntara os “panos de bunda” fugindo sem destino, a primeira carona fora com um caminhoneiro e a esposa, muito respeito e cordialidade, deixaram-na em uma cidade a duzentos km da sua. Sem dinheiro encontrara uma pequena delegacia aberta com o guarda cochilando sobre a mesa, pedira licença dizendo que iria ao encontro dos pais na capital e precisava usar um banheiro, o guarda solicito entregara a chave e uma toalha limpa, mas só ele sabia que a porta não trancava. No meio do banho, pedira educadamente para ensaboar-lhe as costas, senão educadamente a prenderia por furto. Com medo e sem alternativas Terciana deixou que o guarda aplicasse-lhe a pena do furto não cometido, dali ainda salvara um almoço e uma cama quente para pernoitar ao lado do guarda corrupto. Novamente na estrada, mãos acenando a  uma velha que dirigia uma Kombi com fardos de biscoitos, que  disse ser  possível  lhe dar carona, mas precisava de ajuda para vender a mercadoria na feira. Foram dois dias em varias lugares diferentes, lucraram muito e se deram bem, a velha era fã de rock e seu ídolo era Elvis Presley, tomaram Cinzano e cerveja, fumaram cigarros industrializados e foram dormir em um quarto de pensão, o nome da velha era Janete que confessara ser lesbica e ter tesão por meninas. Terciana relutara, mas acabara se entregando aos carinhos após um copo de chá de cogumelo. Seguiram viagem mais três dias, bebendo, fumando e fazendo sexo. Na capital até encontrar seu  Joaninho de Belém aos quinze anos de idade, fora  inúmeras vezes violentada, outras se deixara violentar para pagar as contas. O velho era casado e a esposa havia descoberto que ele pagava as contas de uma garota, mas antes que as duas se confrontassem Terciana enfiara as mãos habilidosas em baixo do colchão para pegar uma quantidade razoável de dinheiro e fugir sem destino para o Rio de Janeiro. Chegando lá se oferecera para ser prostituta em um bordel de Del Castilho, aos vinte anos tivera a mão pedida em casamento por um cliente, dono de uma frota de taxi, mudaram-se para minas e tiveram um filho, viveram juntos quase trinta anos até que numa noite chuvosa de sexta-feira um raio caira sobre. Viera o segundo marido e com ele mais de uma década contando e recontando as histórias para boi dormir, até que por infiel coincidência numa sexta-feira de muita chuva um raio caira sobre ele. Esta é parte da história de Dona Tercia que aos sessenta e oito anos, vive  as glorias deste terceiro matrimonial, diz que apesar de todos os pesares a felicidade está compensando tudo. Marley de Fátima sua esposa é  aquela garota do inicio das aventuras, que há tantos anos não se viam, fora com ela que tivera sua primeira experiência com o álcool, com o cigarro e com o som de Elvis Presley.

 

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