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Coluna do Adilson Cardoso – Aos Cuidados de Márcia

Coluna do Adilson Cardoso – Aos Cuidados de Márcia

Nem sempre saímos de casa com o humor que a luz do dia merece, como também não é todo dia, em que um envelope endereçado a Márcia,  cai em nossas mãos e  desarticula nossos planos. Em um  desses dias  de  uma estafante   semana, passei na loja de piratarias de um shopping popular, estava em busca de um filme do Almodovar (A pele que habito). No interior  sentei-me confortável para o pente fino  na leitura das capas.  Ao lado do meu banco uma revista Placar, numero antigo com a foto de Telê Santana em primeiro plano.  A  temperatura estava baixa, a  vendedora com os cabelos tingidos   deixou-me a vontade, indo  se abrigar  em uma tira  de sol tímido que vinha da  abertura no teto. Deixei os filmes por um tempo e passei a folhear a revista,  quando  caiu de dentro um envelope com letras em caixa alta escritas a caneta preta, “aos cuidados de Márcia”. Estava lacrado e havia um pequeno  volume no seu interior, a curiosidade tomou conta de mim, o senso de levar vantagem apoderou-se dos meus sentidos e uma série de fantasias passaram a confabular em meu interior. Olhei disfarçando para a vendedora que bocejava displicente  e, pensei em  retirar o envelope  para saber o que poderia ser aquela encomenda aos cuidados de Márcia, mas temia um flagrante, um numero grande de pessoas transitavam naquele horário. Um cliente entrou procurando  “Tropa de Elite”  mas  foi direto a sessão pornô, a  vendedora  parecia conhecer  o código. Voltei  a busca pelo meu filme, mesmo com a curiosidade me agulhando  devolvi  o envelope para a revista,  deixei-a  sob a banca de DVDs. Paguei o filme e sai, quando passava pela  porta, a moça chamou  e entregou-me  a revista como se  eu a estivesse esquecido,  olhei com a consciência de alguém que esta prestes a cometer um crime, mas  sente algo compensador pedindo que faça. O cliente de a “Tropa de Elite” voltou perguntando se tinha “Homem-Aranha”. Sorri por dentro e fui embora com a revista, precisava  de um lugar tranqüilo, enquanto isso  minha cabeça  criava  as mais insolitas  situações para   Márcia, podia ser  um caso extraconjugal e aquela  seria  uma carta anônima denunciando, querendo dinheiro ou  sexo? Ou será que Márcia estava metida em alguma ação criminosa? Trafico de drogas? Tráfico de crianças? Tráfico de órgãos? Mas poderia ser o contrário, Márcia era  vitima  de traição do namorado ou marido e alguém estaria alertando naquele envelope.  Entrei em um banheiro público,  no cartaz sujo indicava  que para usar,  deveria contribuir com   50 centavos. “Filhos da puta!” disse baixinho olhando o homem gordo com cara de comedor de macarrão assentado num canto, mas tudo bem, a curiosidade fazia suar pior que diarréia,  agachei vorazmente  e Joguei a revista no cesto, olhei  Telê Santana  misturar-se aos papéis sujos de bosta, “coitado” pensei sem remorso. Retirei  febrilmente o conteúdo do envelope  e soltei um palavrão tão alto que o gordo quis saber o que era. “Caralho!” Havia alguns  “santinhos” de um candidato, junto aquele monte de letras impressas pedindo voto,  ele sorria com uma cara de pilantra, dessas que Brasilia tem de sobra.

 

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso

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