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Garçons protestam após serem barrados pelo Montes Claros Shopping

Garçons protestam após serem barrados pelo Montes Claros Shopping

Proibidos de atuarem na praça de alimentação do Montes Claros Shopping desde 1º de janeiro, garçons fizeram um protesto no centro de compras contra a decisão da direção do mall. Com a restrição, alguns deles já foram demitidos e outros temem perder o emprego em breve.

Garçons protestam após serem barrados pelo Montes Claros Shopping
Garçons protestam após serem barrados pelo Montes Claros Shopping

Segundo a gestão do shopping, atualmente, das 14 operações da praça de alimentação, quatro utilizam o serviço de garçom, totalizando cerca de 30 profissionais em atividade.

A proibição foi determinada, de acordo com nota da administração, após reclamações de consumidores que alegam se sentir incomodados com a abordagens “inoportunas” dos garçons.

Ainda segundo a nota, a direção do shopping alega que a proibição desse tipo de trabalho faz parte do contrato de locação dos estabelecimentos, mas que as gestões anteriores fecharam os olhos para isso.

“A Administração do Montes Claros notificou os lojistas no mês de novembro de 2018 para o cumprimento da norma a partir do dia 1º de janeiro de 2019, seguindo o modelo dos grandes shoppings centers do país que garante a qualidade operacional da praça de alimentação”, afirmou a nota.

De acordo com a psicóloga do Sindicato dos Empregados no Comércio Hoteleiro, Bares e Restaurantes do Norte de Minas (Sechonorte), Dayone Cristina, a direção do centro de compras não está aberta para conversar, o que torna difícil fazer acordo.

“Querem retirar os garçons da praça para que os próprios clientes se sirvam. Isso pode acabar com a demissão de 80 pessoas. Alguns deles já estão sem trabalhar, pois foi falado para eles ficarem apenas atrás do balcão, mas o espaço é pequeno, a empresa então teve que demitir. Eles alegam que os clientes estão pedindo, mas a gente sabe que é mentira. Estamos colocando em pauta a questão humana”, ressalta Dayone.

Segundo o sindicato, cerca de cem profissionais participaram da manifestação ontem, incluindo garçons que trabalham fora do mall.

CLIENTE RECLAMA

Quem frequenta o shopping já percebe a falta dos profissionais. A técnica em enfermagem Flávia Menezes não tem o que reclamar do atendimento dos garçons. “Eu acho desumano essa proibição. Foi muito ruim da parte dos empresários demiti-los. A falta de emprego está demais e foi em uma época muito ruim, pois estamos em uma crise. Afetou tanto eles quanto a gente também”, diz.

Já a atendente de telemarketing Katiane Oliveira aponta o papel fundamental que eles desempenham no local. “O trabalho do garçom é muito importante. Sem contar que hoje está muito difícil conseguir trabalho. Quando o cliente está pagando, prefere ficar sentado na mesa a ir ao balcão, ficar em pé e esperando o pedido”, diz.

O estudante Gustavo Carvalho lamenta a atitude do shopping e o desemprego que ela pode causar. Além disso, ressalta que o atendimento será prejudicado. “Para mim, os garçons são parte dos estabelecimentos. Se eles saírem, vão acabar cortando muito o rendimento do local e o faturamento cai”, ressalta.

Em nota, o shopping afirmou que, “caso os clientes prefiram ser atendidos por garçons, os mesmos têm a opção de usufruírem dos restaurantes da área gourmet, onde este atendimento é permitido”.

Por Gian Marlon do Portal ONorte