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Professores da rede municipal protestam por pagamento de salários atrasados em Montes Claros

Professores da rede municipal protestam por pagamento de salários atrasados em Montes Claros

O prefeito de Montes Claros, Humberto Souto (PPS), recusou-se a receber ontem os professores da rede municipal mobilizados desde dezembro último. Ele havia prometido a integrantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Sistema Público Municipal de Montes Claros (Sind-Educamoc) dar uma posição à categoria em relação ao pagamento de dezembro, das férias e as rescisões dos contratados do magistério. Mas, em vez de recebê-los, acionou a Polícia Militar, reforçou a Guarda Municipal e o Grupo Tático Ambiental, a chamada “tropa de choque”, para impedir a entrada dos manifestantes no prédio da prefeitura.

Professores da rede municipal protestam por pagamento de salários atrasados em Montes Claros
Professores da rede municipal protestam por pagamento de salários atrasados em Montes Claros

 

O prefeito estaria reunido com representantes das empresas responsáveis pelo asfaltamento de ruas. Uma hora antes do horário em que Souto se comprometeu a iniciar nova negociação com o sindicato, integrantes da Guarda Municipal adiantavam que o grupo não seria recebido.

“O prefeito chega sempre depois das 11h, e só recebe quem dá na telha”, teriam dito os guardas. Já o responsável pelo bloqueio dos servidores, inspetor Monção, disse à reportagem que instruiu a tropa no sentido de ser tolerante com os professores. “É para a própria segurança e porque são nossos colegas de trabalho”, afirmou.

A sindicalista Rovel Madureira chegou à prefeitura uma hora antes da convocação feita nas redes sociais, e saiu do prédio chorando. “Ela disse que chorava não apenas porque o prefeito preferiu se reunir na hora agendada com os empresários, mas pelo modo desrespeitoso que tem tratado os servidores, usando o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) para oprimir os professores”, desabafou.

Rovel lembrou que na reunião na prefeitura, na última quarta-feira, assistiu passivamente ao procurador municipal exigir ser chamado de doutor e ainda ameaçar chamar a polícia para forçar os manifestantes a deixarem o prédio.

Rovel informou que, além da questão dos pagamentos atrasados, o Sind-Educamoc mobiliza tos servidores contra o engavetamento, há dois anos, do Plano de Cargos e Salários.

Segundo Rovel Madureira, educadores cumprem carga horária excessiva e a administração não define data para cumprir a lei e pagar o Piso Nacional da Educação, aprovado pelo Plano Municipal de Educação e pela Câmara de Vereadores”.

A servidora Cleonice de Oliveira Moreira, que trabalha na Escola Municipal Alcides Carvalho e é contratada na rede municipal de ensino desde 1996, era uma das manifestantes que empunhavam cartazes. “Não tenho medo de represálias porque moramos em um país livre, onde você pode reivindicar direitos”, disse a professora.

Cleonice disse que os professores nunca foram submetidos a tanto descaso. Muito pelo contrário, até então sempre nos trataram muito bem, tanto os contratados como os efetivos”, lamentou a educadora, revelando que as dívidas pessoais estão atrasadas, como a fatura do cartão de crédito. “O banco não espera, eles cobram todos os dias”, queixou-se.

Há 25 anos trabalhando na rede municipal, a professora efetiva Margarida Alves de Sá disse que se juntou aos manifestantes porque, apesar de ter dois cargos, está tendo dificuldades para manter os filhos. Ela portava o cartaz com os dizeres: “Se não fosse o professor, sua assinatura seria assim, uma impressão digital”.

A prefeitura não deu retorno à reportagem sobre o assunto até o fechamento da edição.

As informações são do portal ONORTE