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Coluna do Edson Andrade – O Feminicídio em Romeu e Julieta

Coluna do Edson Andrade – O Feminicídio em Romeu e Julieta

Desesperado, Romeu armou-se de luzente adaga e esperou pacientemente. Enquanto aguardava, deixou o cavalo alabastrino recolhendo gramíneas das cercanias do castelo. Julieta aproximava-se do balcão da construção medieval. Diligente, escovava os cabelos longos. Romeu interpelou a donzela sem mais delongas e ela desceu e o acompanhou até o riacho mais próximo. Ali mesmo, ele sacou a arma branca ensejo em que jurou vingança e morte. Aterrorizada, Julieta armou-se da melhor estratégia para acalmar o mancebo. E de lá partiram para um casamento feliz; e felizes foram para sempre.

Excetuadas as personagens extraídas do nobre William Shakespeare, a história é real. Venceu a mulher e a violência não se consumou, diferentemente dos tempos hodiernos em nosso país mergulhado na violência tipificada como “feminicídio”, crime hediondo e reincidente em todas as regiões do Brasil.

Estudiosos se esforçam em explicar a onda de violência contra as mulheres. Crime contra o gênero, as penas foram maximizadas, mas não trouxeram qualquer redução na onda de cometimentos, ao contrário. O que fazer diante de quadro tão preocupante?

O desespero de um homem face à perda da mulher amada justificaria gesto desproporcionalmente trágico e covarde? Por que o ser humano não consegue lidar com a perda?

De acordo com as estatísticas, treze mulheres são mortas diariamente pelos companheiros, ex-maridos e namorados enciumados, em nosso país. Não raro, os mesmos que empunham armas letais contra mulheres indefesas atentam contra a própria vida. O teatro de tragédia parece não ter fim, legando às famílias um luto desenhado em trauma para toda a vida.

As relações sociais e amorosas ganham contornos dramáticos nessa quadra de uma nação mergulhada na desesperança e na luta diária pela sobrevivência. Homens e mulheres abandonam filhos à própria sorte, diariamente, para buscar sustento familiar, o que tem caracterizado fim de valores insubstituíveis. E, no contrapasso das dificuldades rotineiras sobram vitupérios e agressões verbais e físicas tendo os filhos como testemunhas e aprendizes da pior forma de relacionamento. Depois, quando tudo parece ao casal insuperável, resta ao lar adeus e abandono. Mas permanece a nesga de sentimento e o império da posse eterna de um sobre o outro.

O crime de gênero precisa ser melhor prevenido ou, no mínimo, negociado pelas autoridades e pelas instituições de apoio à família. Não podemos aceitar o recrudescimento de uma realidade tão desumana, tão descaracterizadora dos melhores fundamentos do que é ser, verdadeiramente, civilizados.

O autor é escritor, professor, jornalista, radialista e advogado.

 

 

Edson Andrade
Edson Andrade

 

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