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Coluna do Edson Andrade – Quando os filtros falham

Coluna do Edson Andrade – Quando os filtros falham

O bispo Valdespino encontra-se com o cientista Kirsch no sopé da “colossal cidadela de pedra cinza empoleirada na borda de um penhasco íngreme que mergulhava centenas de metros até uma luxuriante tapeçaria de colinas cobertas de florestas.” Tudo na forma, sem pontuação para o respiro de oxigênio necessário e produzido pela paisagem ali natural e exuberante. Ao primeiro diálogo, o velho de fala firme, voz tonitruante e “mãos ossudas” afirma: “é escutando a voz do diabo que podemos apreciar melhor a voz de Deus.” E emenda: “Por favor, desculpe meu senso de humor antiquado. De vez em quando meus filtros falham.”

O diálogo acima está na obra “Origem”, página 13 (edição brasileira) de Dan Brown, o escritor norte-americano autor do best seller O Código Da Vinci, vendido para oitenta milhões de leitores em todo o mundo, livro odiado pela hipocrisia religiosa e amado por aqueles que conseguem distinguir ficção do fanatismo cristão.

Toda boa obra literária é, no dizer de Aristóteles, “mimese da realidade”. É através delas que nos é dado aprender e replicar conhecimentos históricos, científicos e toda a sorte da melhor ficção. Quando o autor da coluna pinça a frase do bispo Valdespino, vem-lhe à sensibilidade aquilo que, depurado, norteia o ser humano à validação das atividades mecânicas e cerebrais do seu semelhante. Validar é um verbo de primeira conjugação e significa reconhecer para elogiar e fazer alguém feliz. Mas também significa o afastamento, a abstração do processo hipocrítico tão ao gosto das vaidades humanas e de suas imperfeições.

Quando os filtros falham o constrangimento e as reações far-se-ão presentes. Mas, filtrar o quê? Nossa arrogância? Nossa prepotência? Nossa insensibilidade? O conjunto. Afinal, a flecha atirada e a palavra pronunciada certamente atingirão seus alvos, até a morte ou a mortificação. Melhor seria ativarmos nossos filtros, a escolha moderada, equilibrada de nossas invectivas destemperadas.

E não é fácil. No mundo em que vivemos raros são os que validam. Neste universo de competição, inveja e crueldade nos inter-relacionamentos os desequilíbrios conduzem às ofensas, às críticas gratuitas e dolorosas, às demonstrações que vilipendiam momentos. Por todo o exposto, urge saibamos validar e filtrar gestos e palavras antes que, cruelmente, nos disponhamos a ofender e a ferir suscetibilidades.

Quando atiramos uma flecha o alvo, quase certamente, será atingido e não há como recuperá-la em pleno voo. Quando proferimos palavras ofensivas, elas produzirão o efeito sangue na voz rouca de nossas vítimas. Equilíbrio é tudo. Mas como nos equilibrarmos face às nossas inumeráveis imperfeições?

O autor é escritor, professor, jornalista, radialista e advogado.

 

Edson Andrade
Edson Andrade

 

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