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Coluna do Edson Andrade – O amor e a poesia em tempos de guerra

Coluna do Edson Andrade – O amor e a poesia em tempos de guerra

Desde as longínquas décadas da Idade Média, o homem e algumas raras mulheres arriscavam uma poesia de natureza trovadoresca para produzirem e traduzirem o melhor efeito de paixões avassaladoras, não raro contaminadas pelo pecado capital: “não desejarás a mulher do próximo”, e o amor idealizado, platônico, irrealizado. A título de exemplo, recordemos versos da Cantiga de Guarvaya, de Paio Soares de Taveirós: “No mundo nom me sei parelha/mentre me for como me vai/cá já moiro por vós e ay/mia senhor branca e vermelha.”

         Não foram solitários os poetas que mergulharam no “spleen” (tédio) absoluto em nome do amor impossível, irrealizável, para desejar e buscar a própria morte ainda em idade tenra. O denominado ultrarromantismo em que prevaleciam o sentimentalismo, a supervalorização das emoções pessoais, o egocentrismo, a frustração e o tédio decorrentes desse excesso de subjetivismo é o retrato da época, primeira metade do Século XIX. Influenciados pela obra de Lord Byron, inauguraram o Mal do Século, cujo período cinza teve em Álvares de Azevedo o melhor representante da segunda geração do período Romântico na literatura brasileira. Com ele estavam, no amor pela morte precoce os poetas Casimiro de Abreu, Fagundes Varela e Junqueira Freire.

         O cantar de poetas, intérpretes e renomados compositores brasileiros ainda bebe na fonte inesgotável da poesia, seja de característica romântica ou não. Como em Ferreira Gullar:

“Uma parte de mim é todo mundo:

outra parte é ninguém: fundo sem fundo.”

A morte é como a vida: uma dor eterna, de nossa autoria.

                 Ou na obra da poetisa portuguesa Florbela Espanca, na emoção de Raimundo Fagner:

“Minh’alma de sonhar-te, anda perdida

Meus olhos andam cegos de te ver.

Ainda de nossa lavra, extraído do livro “Sinestesia Versus Vida”:

 “Plange um violão

 Cada nota é um espinho

Trespassando minha saudade.”

Ou na morte precoce, mas lavra consistente de Casimiro de Abreu:

O mar é — lago sereno,

O céu — um manto azulado,

O mundo — um sonho dourado,

A vida — um hino d’amor!

Em Cecília Meireles:

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste: sou poeta!

                   O subjetivismo romântico respinga sua melifluidade até em autores do Modernismo brasileiro, como em Cecília Meireles. Menotti del Picchia é um exemplo, em “Juca Mulato”:

“Esquece calmo e forte

O destino que impera um recíproco amor

Às almas todas deu;

Ao invés de buscar esse olhar que te exaspera

Procura um outro olhar que te espreita e te espera

Que há, por certo, um olhar que espera pelo teu.”

              O Romantismo não saiu de moda. E oxalá permaneça em sua inquebrantável simbologia da angústia humana. Porque tudo o de ruim que há em nós contrapõe nossa sensibilidade, nossas lágrimas e nossa indefectível emoção.

O autor é escritor, professor, jornalista, radialista e advogado.

 

Edson Andrade
Edson Andrade

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