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Coluna do Adilson Cardoso – Descotidiando da realidade

Coluna do Adilson Cardoso – Descotidiando da realidade

Estou isolado neste antro vazio, pela fresta da porta vejo o dia acontecer no quintal, há ruídos estranhos na casa ao lado. Um imenso cadeado trava o portão. Minha mulher sai com ás chaves na bolsa e pede para eu ficar tranquilo, conta as gotas de Rivotril direto na minha boca e me beija na testa. Fico á vontade com minhas abstrações e as garatujas que rabisco numa velha caderneta.  

Recomendações medicas estão em todos os cantos, dependurados na geladeira, na porta do armário, ao lado da televisão, até no espelho do banheiro, que raramente tenho vontade de olhar, aliás, olho quando tenho a impressão de que meu pênis está encolhendo.

 Leio quatro vezes ao dia bulas de tranqüilizantes e outros Psicotrópicos, acho que tenho a necessidade de ficar revendo aquilo. Tomo estas drogas que os loucos tomam nos hospícios, mas não tenho culhão para fazer o que eles fazem, queria matar uma celebridade, pode ser político ou cantor, ou outra merda qualquer, louco famoso ganha papel na história. Aquele cara que matou John Lennon é mais famoso que o soldado do bombeiro que salvou pessoas do Word Trade Center.

Outro dia sonhei que era um Psiquiatra, meu consultório ficava no quarto andar daquele prédio amarelo, ali onde eu levava minha mulher para pintar o cabelo. A sala era imensa, tinha televisor, frigobar, um sofá marrom no canto e uma maca de atendimento, eu trabalhava tomando Vodca, adoro vodca com açúcar e limão, eu tomava com Coca-cola, mas o médico disse que eu devia parar de beber, pensei que era melhor parar de beber Coca-cola. Às vezes fico pensando; será que os médicos que proíbem tanto as pessoas de fazer as coisas, se proíbem também? Acho que não, vi no jornal outro dia que um desses recém formado havia morrido de overdose de cocaína. Foda-se! Cada um cuida do seu e no final o coveiro sepulta  todo mundo.

 Também sonho com outras coisas, mas nem sempre gosto daquilo que vem. Por exemplo, não gosto quando sonho que estou pelado na rua, um centro da cidade apinhando de gente e eu ali tentando esconder minhas partes, o foda é que só aparece gente conhecida. Queria ter o poder de sonhar com as coisas que eu escolhesse, dizem que há uma teoria de  a pessoa pode escolher e manipular o cérebro, eu seria um maníaco sexual, comeria todas as mulheres que já senti atração,  algumas casadas para sacanear com os babacas. Uma delas seria a Julia mulher do Cassio, ele pensa que eu não sei que ele se insinuou para minha mulher, filho da puta! Um dia a gente acerta.

Uma coisa engraçada que aconteceu comigo hoje. Mas não me recordo exatamente o que foi, abri a tampa do fogão para ver se havia algo anormal, porém, estava tudo no lugar, até um pneu de bicicleta girava lá dentro. Abri a geladeira e minuciosamente observei todos os pregos que estavam nos tomates, os parafusos dos ovos não estavam frouxos, até  os filhotes da minha cadela latiam folhas de alface. Só podia ser então no filtro da água que acabamos de trocar, mas a etiqueta não era estranha e os sapos pulavam fazendo bolhas. É melhor eu dar uma olhada, parece que não estão batendo na porta.

 

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso

 

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