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MG – Crise na educação afeta escolas, famílias e professores; colégios têm que se reinventar

MG – Crise na educação afeta escolas, famílias e professores; colégios têm que se reinventar

MG – Em março, quando soube que a Covid-19 afetaria toda a agenda de trabalho, a maquiadora Isabella Lobo ligou para a escola do filho de 2 anos e suspendeu o contrato. “Meu setor foi extremamente atingido, pois as festas foram canceladas. Percebi que não teria retorno financeiro tão cedo e preferi me organizar”, relatou a mãe do Francisco, de 2 anos.

Isabella está entre as muitas famílias que precisaram cancelar a matrícula das crianças na Educação Infantil após perderem parte da renda devido à pandemia. De acordo com o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG), cerca de 40% dos contratos foram cancelados. Além dos pais e instituições, a grave crise afeta em cheio os professores.

Sem a obrigatoriedade da matrícula – exigida conforme a legislação apenas para crianças com mais de 4 anos – o ensino infantil é um dos mais prejudicados economicamente. Em Belo Horizonte, existem 632 escolas na rede privada. Algumas já fecharam as portas.

Os colégios mais afetados são os de pequeno porte, de acordo com o Sinep. Segundo o órgão, a maioria das instituições se encaixa neste perfil. Caso do Mundo Mágico, no bairro Sagrada Família, na região Leste da capital, com 40 alunos.

Conforme a proprietária da escola, Janine Almeida, o que segurou as contas até o momento foi a parceria com os pais. Apenas cinco cancelaram contrato. “A mãe de um bebê está pagando e disse que vai fazer isso enquanto puder, porque sabe da nossa dedicação”, contou.

A negociação de descontos na mensalidade foi feita caso a caso, observando a realidade das famílias. “Assumimos um espaço novo, investimos R$ 10 mil na reforma e, quando iríamos ter um retorno, tivemos que parar. Agora estou atrás de crédito para pagar as contas”, afirmou Janine. Segundo ela, o pagamento dos funcionários, que estão em casa, é a prioridade.

Isabella Lobo  agora concilia o atendimento aos clientes e o cuidado com a casa com a atenção ao filho Francisco. Ela espera um rápido retorno à normalidade a partir de outubro, mas o filho deve voltar à escola somente no ano que vem, se a doença estiver mais controlada.

Adaptações também ocorreram em instituições que não atendem exclusivamente alunos com menos de 6 anos. Um exemplo é Colégio Conviver, também no Sagrada Família. Após o cancelamento de contratos, a escola reduziu turmas do maternal pela metade. Aos pais, foi oferecido desconto de 70%.

“Também mandamos e-mails, sensibilizando sobre a importância de manter o pagamento, para garantir o professor na escola”, afirma a vice-diretora Thais Ferreira. Segundo ela, para equilibrar as contas, os contratos de alguns funcionários tiveram de ser suspensos conforme a Medida Provisória 936, mas com recomposição feita pela escola.

Dividida

Quem também precisou suspender o vínculo que tinha com a escola, por questões financeiras, foi a representante comercial Michelle Linhares. A filha dela, que estava matriculada, tem 1 ano e sete meses.

“A partir do mês que vem, possivelmente vou voltar a exercer o trabalho presencialmente. Terei que pagar para alguém ficar na minha casa com a minha filha”, diz ela, que ficou dividida ao tomar a decisão. Segundo ela, o pediatra da menina recomendou a volta às aulas apenas em 2021.

Sem creche, muitas pessoas buscam diferentes alternativas. A jornalista Flaviane Oliveira teve que suspender o contrato com a instituição do filho de 3 anos. Neste momento, ela não está trabalhando, mas tem expectativa de assumir algo novo em breve. “Acho que vou ter que deixar meu filho na casa de uma cuidadora até a creche voltar a funcionar”, afirmou.

Professores

A grave crise na educação infantil afeta especialmente os docentes. Além da suspensão temporária de contratos, conforme já relatado, a possibilidade de demissões preocupa. O Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro Minas) não tem um levantamento de quantos profissionais da educação infantil perderam os empregos, pois, pela lei atual, não há obrigação de homologar esses casos. Além disso, a entidade informou que muitos trabalhaores não são sindicalizados, impedindo tal mapeamento.

O sindicato recomenda aos professores que sempre entrem façam contato nos casos de demissão. Assim os direitos trabalhistas serão verificados.

Por Cinthya Oliveira do Portal Hoje em Dia

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