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Caixa amplia pausa nas prestações habitacionais; prazo maior para pagar casa própria esconde ‘pegadinha’

Caixa amplia pausa nas prestações habitacionais; prazo maior para pagar casa própria esconde ‘pegadinha’

A Caixa deu início, ontem, ao que muita gente espera ser o início de uma curta, mas importante temporada de prorrogação de pagamentos de obrigações variadas, durante a pandemia da Covid-19. O banco divulgou, à tarde, comunicado sobre a ampliação da pausa nas quitações das prestações habitacionais, por um total de 180 dias, contados desde março.

Caixa amplia pausa nas prestações habitacionais; prazo maior para pagar casa própria esconde 'pegadinha'
Caixa amplia pausa nas prestações habitacionais; prazo maior para pagar casa própria esconde ‘pegadinha’

 

Conforme a Caixa, a partir de segunda-feira (27), mutuários de todo o país terão a possibilidade de estender a suspensão de pagamentos de parcelas no Minha Casa Minha Vida (faixas 1,5, 2 e 3) e no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (SBPE). As solicitações podem ser feitas pelo aplicativo Habitação Caixa, pelos telefones 3004-1105 e 0800 726 0505 ou de forma automatizada pelo 0800 726 8068, opção 2 – 4 – 2.

Clientes pessoas físicas e jurídicas que já tiveram concluída a pausa temporária de 120 dias, oferecida em março e que dependeu de adesão do mutuário, poderão prorrogar o prazo por mais 60 dias. Quem ainda não optou por tal alternativa também poderá solicitar a pausa de seis meses.

Para as empresas, a opção de pausa é válida para os financiamentos à produção de empreendimentos e para os financiamentos de aquisição e construção de imóveis comerciais (modalidade individual). As opções de pagamento parcial dos encargos ou carência também serão estendidas para até 180 dias, porém não poderão ser utilizadas em conjunto com a pausa.

Segundo o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, a medida faz parte das ações do banco para oferecer aos clientes alternativas para enfrentar os efeitos causados à economia pela Covid-19. “Estender a pausa é mais uma medida importante do banco no suporte ao planejamento das famílias brasileiras, neste período de pandemia, e à retomada da economia”, afirmou.

A extensão da pausa foi recebida com alívio por milhares de mineiros, integrantes de um contingente de 2,4 milhões de mutuários da Caixa que solicitaram a pausa de até quatro meses em todo o país, ainda no início da pandemia. Do total, 2,1 milhões de pedidos foram feitos pelo “Habitação CAIXA”.

É o caso da jornalista Erika Oliveira, de 37 anos, que estava apavorada com a possibilidade de retomada das prestações, de R$ 2 mil mensais, em agosto – depois de ficar quatro meses sem tal peso no apertado orçamento durante a pandemia.

“A gente torcia muito para que o banco ampliasse o prazo”, disse ela, afastada do trabalho pelo INSS e cujo marido, que atua no setor de eventos, está praticamente sem renda desde março. “Seria muito difícil conseguir arcar com a prestação do mês que vem”, completou.

Mesmo com renda menor, mutuário deve avaliar bem a adesão

O consultor de vendas Marcelo Flôres, de 48 anos, funcionário de uma grande rede varejista de materiais de construção da capital – um dos poucos setores comerciais que não pararam na pandemia –, aderiu à pausa nas prestações do financiamento habitacional da Caixa em março, logo no início da crise.

Ele solicitou o adiamento dos pagamentos por três meses, temendo queda na renda com a qual garante o sustento da família, em razão da redução do movimento na loja onde atua – o que, de fato ocorreu, com recuo de cerca de 30% nas comissões que costumava tirar.

E Marcelo ainda pensou que, em caso de haver possibilidade de renovação do período, a mudança se daria automaticamente.

“Depois é que descobri que deveria ter feito um outro pedido, no aplicativo, para ter direito a estender o prazo por mais um mês, até agosto, medida que seria possível na ocasião”, conta.

Resultado: o boleto de julho, com vencimento no dia 20 – e referente à fatura de março – chegou. E com valor mais de R$ 100 acima do normal, de acordo com o vendedor, em torno de R$ 2,1 mil, algo que ele jamais imaginou que poderia ocorrer.

“Fiquei chateado com a cobrança a mais. Pensei que não haveria incidência de juros durante a pausa oferecida pela própria Caixa”, ressalta ele, que pagou a conta e, agora, estuda se irá pedir a prorrogação por mais tempo.

A advogada Ana Paula Cunha, especialista em direito imobiliário, esclarece que a suspensão temporária de pagamentos de prestações imobiliárias não isenta o mutuário de juros remuneratórios, seguros e taxas.

Os valores de tais encargos sobre parcelas pausadas são acrescidos ao saldo devedor dos contratos e diluídos no prazo remanescente. Já a taxa de juros e o prazo contratados inicialmente não sofrem alteração.

“A população deve tomar cuidado. Algumas pessoas enxergam a pausa como uma vantagem, e não é assim. Trata-se apenas de um remédio durante a pandemia, mas as prestações terão de ser quitadas depois, com encargos”, afirma.

A advogada aconselha: “Por mais que sua renda esteja reduzida, em razão da crise, o mutuário deve avaliar bem o orçamento e verificar se tem condições de pagar as parcelas da Caixa em dia, para não encarecer o financiamento”.