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Mercado imobiliário prevê expansão em 2021

Na contramão da crise, o mercado imobiliário tem visto um crescimento nas vendas de imóveis.

Desde 2020, diversos setores enfrentam um momento econômico difícil, devido à crise sanitária. As previsões para 2021 não eram muito positivas, mas o mercado imobiliário se viu na contramão desse cenário, prevendo crescimento de 35% nas vendas de imóveis.

No ano anterior, mesmo durante o pico da quarentena, o interesse em comprar imóveis cresceu. Segundo dados da FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), mais de 119 mil unidades foram vendidas.

Déficit habitacional alto

Um fator que contribuiu para a previsão mais otimista do setor imobiliário foi o déficit habitacional, que ainda segue alto. O termo engloba as famílias que vivem em moradias precárias ou que não possuem casa própria. Assim, percebe-se que ainda existe um público interessado na compra de casas ou apartamentos, mas este não é o único fato considerado, até porque depende diretamente das taxas de juros dos bancos.

Taxas de juros menores

O que encoraja as pessoas a aceitarem um financiamento, deixarem o aluguel e realizarem o sonho da casa própria são as taxas de juros mais baixas. Quando isso acontece, os bancos concedem o empréstimo mais facilmente — e as pessoas sentem-se mais tranquilas para fazê-lo, já que as parcelas pesam menos no bolso.

Para que as instituições financeiras consigam manter os juros de crédito mais baixos, a taxa Selic também precisa estar em baixa e a inflação controlada. Tanto em 2020 quanto em 2021, isso vem acontecendo, ou seja, há motivos para manter o cenário otimista no mercado imobiliário.

Soluções digitais aceleram as vendas

Outra mudança que influenciou o aumento das vendas foi a forma como o atendimento é realizado. Imobiliárias e corretores de imóveis já vinham trabalhando com o meio virtual para diminuir o número de curiosos e focar naqueles que realmente estão prontos para comprar um imóvel.

O tour virtual, o atendimento via WhatsApp e outros comunicadores instantâneos, a quantidade de fotos e vídeos disponíveis no site facilitam para o comprador. Além disso, quando os clientes têm dúvidas, conseguem atendimento rápido. As visitas presenciais ficam como uma última etapa, selecionando apenas casas e apartamentos no perfil do interessado. Ou seja: mesmo durante a crise sanitária, o setor imobiliário conseguiu cumprir com facilidade o distanciamento social.

Migração dos investidores

O cenário positivo também pode ser explicado pela migração dos investidores. Antes da pandemia, havia um grande interesse no mercado financeiro, principalmente nas ações. Com um cenário instável, muitos desses investidores resolveram migrar para algo mais seguro, como a compra de casas e apartamentos.

O objetivo é alugar esses espaços e obter renda extra, mesmo nesse período mais duvidoso. Inclusive porque, dada tal instabilidade, boa parte da população brasileira prefere se manter no aluguel ao invés de assumir as parcelas de um financiamento.

Isso quer dizer que há a possibilidade de investir recursos em algo seguro, mesmo em um momento de considerável flutuação. A tendência é a valorização do imóvel, com renda garantida a médio e longo prazo.

Equilíbrio entre oferta e demanda

No ano anterior, muitos lançamentos prometidos foram entregues e, com isso, houve um equilíbrio entre a demanda e a oferta. O cliente interessado em casas ou apartamentos novos, inclusive na planta, conseguia encontrar facilmente o que desejava.

Apesar disso, o mercado imobiliário já se prepara para possíveis mudanças de cenário. Além da preocupação com uma possível alta da inflação (e consequentemente da taxa Selic), também há regiões que podem lidar com uma quantidade de imóveis disponíveis inferior à procura.

Ainda assim, há chances de manter os bons resultados. Até porque, com uma oferta pequena, é possível elevar um pouco os valores dos imóveis disponíveis e focar, sobretudo, no público de investidores desse mercado.